===== DISCERNIMENTO ===== Teofano o Recluso — Conselhos aos Ascetas ==== O discernimento de espíritos ==== Um dos pontos mais importantes, necessários e, por sua vez difíceis da estratégia da “guerra invisível”, consiste na Arte de distinguir entre os bons e os maus espíritos, entre os amigos e os inimigos. Com efeito, segundo ensinam nossos mestres, os demônios ([[tnpl:diabolos:]], ao comprovar a ineficácia da tentações ordinárias e rasteiras para fazer cair o monge, transformam-se em anjos ([[tnpl:aggelos:]] de luz ([[tnpl:phos:]]), seja apresentando-se como tais em sonhos e visões, seja — o que ocorre com muita freqüência — inspirando-lhe pensamentos que parecem bons, mas que na realidade conduzem à perdição. Entenda-se bem. Não se trata tão somente de um discernimento puramente moral entre o bem ([[tnpl:agathon:]]) e o mal ([[tnpl:kakon:]]), o entre o que é bom ou mal em uma determinada conjuntura e com relação à determinada pessoa, mas de um discernimento espiritual propriamente dito; de distinguir, entre os pensamentos que nos vêm, os que procedem de Deus e os que, pese as aparências de bondade e santidade, procedem do demônio. Os monges não inventaram a [[tnpl:diakrisis:|diakrisis]] ou discernimento de espíritos cuja história remonta longe. Ao que parece, é uma doutrina de origem judia; a achamos nos escritos de Qumran. Na espiritualidade cristã primitiva gozou do maior apreço. "Rogo que vossa caridade cresça em conhecimento e em toda discrição — escreve São Paulo -, para que saibais discernir melhor”. A [[tnpl:aisthesis:]] (sensibilidade) aplica a [[tnpl:epignosis:]] (ciência das coisas divinas) às circunstâncias concretas da vida cristã.