===== ALMA ===== Discurso útil à alma O homem é duplo, feito de alma (psyche) e corpo (sarx); seus sentidos e suas virtudes ([[tnpl:arete:]]) também são duplos: cinco sentidos da alma e cinco do corpo. Os sentidos da alma se denominam poderes ou faculdades: inteligência (nous), reflexão ([[tnpl:dianoia:]]), juízo, imaginação ([[tnpl:phantasia:]]) e percepção ([[tnpl:epignosis:]]). Os sentidos do corpo: visão, olfato, audição, sabor e sensação. Mas se as virtudes são duplas, também os vícios ([[tnpl:kakia:|kakia]]). É preciso saber quais são as virtudes da alma e as do corpo, e quais são as paixões da alma e as do corpo. As virtudes da alma são quatro em geral: coragem, prudência ([[tnpl:phronesis:]]), castidade ([[tnpl:parthenia:]]), justiça (dike). Delas nascem as virtudes da alma: fé ([[tnpl:pistis:]]), esperança ([[tnpl:elpis:]]), amor ([[tnpl:agape:]]), a prece ([[tnpl:euche:]]), a humildade ([[tnpl:tapeinophrosyne:]]), a doçura ([[tnpl:praotes:]]), a paciência ([[tnpl:hypomone:]]), a resignação, a bondade, a calma, o conhecimento Divino, o fervor, a simplicidade, a serenidade, a sinceridade, a ausência de presunção, de orgulho ([[tnpl:hyperephania:]]), de inveja ([[tnpl:pleonexia:]]), de esperteza e de avareza ([[tnpl:philargyria:]]), a compunção ([[tnpl:katanyxis:]]), o pudor, a piedade, a busca dos bens futuros, o direcionamento para o Reino de Deus, o desejo da adoção filial. As virtudes do corpo são, sobretudo, os instrumentos das virtudes, elas se praticam com conhecimento de causa e segundo Deus, e fora de toda hipocrisia e de todo desejo de agradar aos homens; elas levam cada um a progredir na humildade ([[tnpl:tapeinophrosyne:]]) e a impassibilidade ([[tnpl:apatheia:]]). Estas são a temperança ([[tnpl:enkrateia:]]), o jejum, a fome, a sede, as vigílias, ..., todo sofrimento e ascese do corpo. Basta a santa humildade e a ação de graças para realizar todas estas virtudes. Os vícios da alma e do corpo, quer dizer as paixões [[tnpl:pathos:|pathos]]. As paixões da alma são esquecimento, negligência e ignorância; estes são os três vícios através dos quais o olho da alma — a inteligência — cego se submete a todas as paixões, que são a impiedade, a opinião falsa (a heresia), a blasfêmia, o ardor, a cólera, o azedume, o ataque de raiva, o ódio, o rancor, a calunia, a condenação, a tristeza, o pavor, a preguiça, a disputa, a rivalidade, a inveja, a vaidade, o orgulho, a hipocrisia, a mentira, a infidelidade, a avidez, o amor da matéria .... O tratado se alonga arolando inúmeras classificações de estrutura da alma, das virtudes e dos vícios.