===== ANGELA DE FOLIGNO ===== Cristologia — Angela de Foligno (1248-1309) Bem-aventurada Ângela de Foligno (Ângela de Folinho) nasceu em Foligno, na Umbria, Itália, em 1248. Oriunda de família rica, casou-se cedo e teve vários filhos. Aos 37 anos, com a morte de seus filhos, marido e pais, ingressou na Terceira Ordem Regular de São Francisco. Ângela de Filigno deixou inúmeros escritos de natureza mística, incluindo uma ampla autobiografia. Dedicou-se à meditação do mistério da paixão de Jesus Cristo; ás atividades de oração e prática da caridade. Segundo seus relatos teve visões místicas. Morreu em Foligno, Itália, no dia 4 de janeiro de 1309. Está enterrada na Igreja de São Francisco, em Foligno. Foi beatificada pelo Papa Inocêncio XII em 1693. Seus escritos foram publicados sob título de theologia crucis. ---- Fray Contardo Miglioranza: Excertos de sua introdução ao LIVRO DA VIDA O elevado magistério de Ângela pode ser resumido em uma série de binômios, ora de contrastes, ora de relações. Apresentamos aqui um breve esboço. — Deus e o homem: o conhecimento de Deus e o conhecimento do homem, da sublimidade divina e da miséria humana. São os dois abismos da altura e da profundidade de que o livro de Ângela frequentemente nos fala. — Cristo e nós: Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus. Deus salvou o homem por meio do mistério da Cruz. A Cruz é instrumento de torturas atrozes e é como o símbolo de toda a sua vida. Por isso Ângela diz que Cristo tomou por companheiros “a dor, o desprezo e a pobreza”. — Amor e dor; Este binômio é o ápice da intuição e da experiência mística de Ângela. O Amor tornou-se Dor para nos dar Amor. Também o cristão, se quiser alcançar o amor e a união com Deus, deve abraçar a dor. — Pecado e expiação; O pecado é ofensa a Deus, rebaixamento das criaturas e desgarro psicossomático. É necessário expiá-lo, repará-lo, compensá-lo. — A pessoa e a humanidade; Não somos ilhas. Todos formamos um único Corpo Místico, que é a comunhão dos santos. A interação é recíproca e universal. Nessa comunhão dos santos destacam-se a mediação e a missão de Ângela e sua maternidade universal, à semelhança da maternidade da Virgem Maria. — Oração individual e comunitária; Os principais acontecimentos místicos de Ângela estão ligados à liturgia. E não poderia ser de outra forma, já que a liturgia é a vida e a oração da Igreja, esposa de Cristo e Mãe da humanidade. — A história pessoal e o mundo; O mundo de Ângela não é um mundo fechado, narcisista, mas aberto. A história que Ângela nos descreve de sua alma e de suas experiências está inserida na história de seu tempo. O livro nos faz participar dos problemas, das lutas e das tensões do momento; em particular, nos faz compartilhar as lutas franciscanas pela pobreza e, ao mesmo tempo, desmascara as extravagâncias dos sectários da liberdade de espírito. — Francisco e Ângela; Não poderíamos compreender a espiritualidade nem a santidade de Ângela sem relacioná-las com as de Francisco e de seu poderoso movimento. Ângela, depois de Santa Clara, mais do que qualquer outra discípula, penetrou e viveu o espírito de Francisco. Tanto que este, certo dia, sussurrou-lhe docemente: “Tu és minha única filha!”.