===== ESTUDOS ===== Clemente de Alexandria — ESTUDOS Reúnem-se alguns estudos sobre o pensamento de Clemente de Alexandria, do quais destacamos o de [[.:lilla-clemente-de-alexandria:start|SALVATORE LILLA]]. Segundo Alois Dempf: Entre os sistemas que surgiram da necessidade prática da catequese, o primeiro deles é o do segundo diretor da Escola Alexandrina de Catequistas; o sistema que permeia toda a obra de Clemente de Alexandria, que ele mesmo explica no primeiro capítulo do *Pedagogo*. De acordo com as três esferas do homem moral — volições, ações externas e paixões —, Clemente distingue um logos monitorio, um logos legislador e um logos persuasivo. Este é Cristo enquanto verdadeiro pedagogo. Essa divisão refere-se, antes de tudo, à instrução moral. Mas, como esta, no centro do ensino catequético, prepara para o pleno conhecimento da verdade e proporciona o fruto da Arte da salvação, a saúde moral, por isso também torna possível uma gnose genuína, embora o logos instrutor não deva ser levado em conta aqui. Resulta assim um progresso gradual rumo à saúde, uma bela economia, um excelente plano educacional. Segue-se a obra completa de Clemente, na medida em que nos oferece, em primeiro lugar, no Protrepticos, uma apologética que nos afasta do paganismo; no Pedagogo, ele busca alcançar a saúde moral para, posteriormente, nos Stromata, poder oferecer um conhecimento científico profundo das verdades salvadoras. Esse conhecimento deve ser uma gnose autêntica na medida em que fides quaerens intellectum, não a falsa gnose de uma soteriologia esotérica, pois trata de educar para a vida de um sábio, não de um erudito; isto é, quer traçar a imagem da harmonia da vida cristã. Esse plano educativo corresponde às três etapas da instrução dos catecúmenos, à qual se ajustam, portanto, a sistemática e a teoria. Infelizmente, e apesar do belo primeiro capítulo do Pedagogo, Clemente de Alexandria é tudo menos um sistemático. Sua abordagem prática, voltada para as necessidades imediatas da vida, ainda ressalta, de uma forma totalmente própria da Antiguidade, a faceta vital da existência; e a essa sua maneira, que frequentemente destila um humor próprio da diatribe cínica, falta-lhe o sentido para uma concepção, estritamente harmoniosa e unitária, do mundo. Clemente de Alexandria não vai além de alguns aforismos excelentes e frequentemente eruditos; no fundo, continua sendo o apologista. (Trechos de Alois Dempf, A concepção do mundo na Idade Média).