===== SEMENTE ===== {{tag>Primal IV}} Ambrósio de Milão — A Semente de todos é Cristo ** Comentário sobre o [[b>Salmos 4,3]] ** Há quem esteja destinado a ser ovelha para o matadouro. Entre eles está nosso bom Senhor Jesus Cristo, que se tornou o cordeiro do nosso banquete. Como assim?, você me pergunta. Ouça: nossa vítima pascal foi imolada: Cristo. Pense também em como nossos antepassados despachavam o cordeiro e o comiam, em figura da paixão do Senhor Jesus, de quem todos os dias nos alimentamos no sacramento. Por causa desse Cordeiro, também aqueles se tornaram ovelhas para o matadouro. Ora bem: os santos não só não devem temer esse suculento banquete, como devem ansiá-lo. De outra forma, não é possível chegar ao reino dos céus, pois o próprio Senhor disse: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a Vida Eterna. Fica, portanto, demonstrado que nosso Senhor é comida, é banquete e alimento dos comensais, como ele mesmo disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu”. E para que saibas que tudo isso foi feito por nós e que por isso ele desceu do céu, São Paulo disse a respeito dele: “Todos nós somos um só pão”. Não tenhamos medo por termos sido feitos ovelhas para o matadouro. Pois assim como a carne e o sangue do Senhor nos redimiram, assim também Pedro suportou muitas coisas pela Igreja. E o mesmo fizeram São Paulo e os demais apóstolos, ao serem espancados, apedrejados, lançados na prisão. Sobre essa tolerância aos sofrimentos e a coragem de enfrentar os perigos foi fundado o povo do Senhor, e a Igreja alcançou uma nova expansão ao encaminharem-se os demais, apressados, para o martírio, vendo que aqueles sofrimentos não só não diminuíram nem um pouco a fortaleza dos apóstolos, mas, pelo contrário, essa breve vida lhes proporcionou a imortalidade. É o que demonstra também o seguinte versículo do salmo, pois disseram: “E nos dispersaste entre as nações”. Os apóstolos, de fato, foram enviados aos povos e se dispersaram entre as nações, assim como os santos profetas, para que daquela dispersão nascessem frutos abundantes. Assim como nosso Senhor Jesus Cristo caiu como um grão na terra e morreu, para poder dar muito fruto, da mesma forma os santos apóstolos se dispersaram, para levar a boa semente às nações, para que, seguindo o seu exemplo, o fruto germinasse entre os povos. Finalmente, a Escritura nos assegura que o Senhor disse: “Eu vos destinei para que vão e deem fruto abundante, e que o vosso fruto perdure”. Assim, nosso Senhor Jesus Cristo se apresentou como semente, conforme foi dito a Abraão: “E à tua descendência, que é Cristo”. Cristo é, portanto, a semente de todos. Por isso, aceitou cair na terra e ser espalhado, para transformar nossa condição humilde, segundo o modelo de sua condição gloriosa. Essa semente de salvação germinou em benefício de todos os homens: partindo dele e transfigurados à sua imagem, os santos apóstolos foram enviados — como tantas outras sementes — a diversas regiões e espalhados, para que os povos, reunidos no campo da Igreja, resplandecessem com frutos diversos em toda a face da terra. Foram espalhados para produzir novos frutos e serem mais tarde colhidos nos celeiros da Igreja como trigo novo.