===== MAXIMO CARIDADE 1 ===== [[philokalia:philokalia-autores:maximo-o-confessor:start|Máximo o Confessor]] — [[philokalia:philokalia-autores:maximo-o-confessor:extratos:caridade:start|CENTÚRIAS SOBRE A CARIDADE]] Tradução em grande parte feita a partir da versão espanhola por Antonio Carneiro. A tradução de cada centúria foi organizada em 4 páginas de no máximo 25 itens cada uma. === Primeira Centúria (tradução de excertos variados) === Excertos traduzidos da versão inglesa da [[philokalia:start|Philokalia]] 1. A caridade é uma boa disposição da alma, que a faz preferir a tudo o conhecimento ([[philokalia:philokalia-termos:gnosis:start|gnosis]] — [[philokalia:philokalia-termos:episteme:start|episteme]]) de [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]]. Chegar à posse habitual desse amor é algo de impossível se se conserva apego a qualquer objeto terrestre. 2. A caridade nasce da liberdade interior; a liberdade interior, da esperança em Deus; a esperança, da paciência e da longanimidade; estas, do vigilante domínio de si, do temor de Deus, e este nasce da fé em [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]]. 3. Quem crê no Senhor receia o castigo; quem receia o castigo domina as paixões; quem domina as paixões suporta pacientemente as aflições; quem suporta as aflições adquire a esperança em Deus. E a esperança em Deus desliga o espírito de todo apego terrestre. Então o espírito possuirá o amor de Deus. 4. Quem ama a Deus, prefere seu conhecimento (gnosis — episteme) a todas as coisas criadas, e se empenha nessa direção ininterruptamente, com ardente desejo. 5. Se todo ser não existe senão por Deus e para Deus, e se Deus está acima das criaturas, o homem que abandona a Deus para se apegar às criaturas mostra que as prefere a ele, o Ser incomparavelmente superior. 6. Quem conserva o espírito firmemente preso ao amor de Deus subestima o que é visível, até o próprio corpo — como se fosse coisa alheia. 7. Se a alma supera o corpo, se Deus é imensamente melhor que o mundo, quem prefere o corpo à alma, e o mundo a Deus, não difere dos idólatras. 8. Apartar o espírito do amor de Deus e da assídua atenção que isto exige, para fixar-se numa realidade sensível, é antepor o corpo ao espírito, é antepor a Deus Criador o que não existe senão por ele. 9. Se a vida do espírito é a iluminação do conhecimento (gnosis — episteme), e se esta iluminação é produzida pelo amor de Deus, está certo dizer: "acima do [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]] amor nada há". 10. Quando, em transporte do amor, o espírito emigra para Deus, já não conserva a experiência de si mesmo ou de qualquer outra coisa. Inteiramente iluminado pela infinita luz de Deus, torna-se insensível a tudo que não tem existência senão per ele. Da mesma forma como não se vêem as estrelas quando se ergue o sol. 11. Todas as virtudes ajudam a alma ao amor ardente de Deus, porém mais do que as outras a [[oracao:start|oração]] pura, mediante a qual o espírito voa para Deus e se desliga completamente das criaturas. 12. Quando, pela caridade, o conhecimento (gnosis — episteme) de Deus arrebata o espírito e este, desligado das criaturas, percebe a infinitude divina, toma então consciência de sua baixeza, como Isaías, e estupefato rediz as palavras do profeta: "ai de mim, que estou perdido! pois sou homem de lábios impuros, habito num povo de lábios impuros, e no entanto vi com meus olhos o Senhor, o Rei dos exércitos!" 13. Quem ama a Deus não pode deixar de amar cada homem como a si próprio, mesmo se escandalizado com as paixões dos que ainda não se purificaram. E ao vê-los converter-se e reformar a vida, sente-se inundar a alma de uma alegria indizível. 22. Quem escapa às cobiças do mundo se torna inacessível à tristeza do mundo. 23. Quem ama a Deus, ama ao próximo sem reserva. Incapaz de guardar as próprias riquezas, distribui-as como Deus, dando a cada um o de que ele precisa. 24. Quem, ao dar a esmola, procura imitar a Deus, não coloca diferença alguma entre bom e mau, honesto ou desonesto, desde que se trate de necessitado. Dá a todos, a cada um segundo suas precisões, ainda se preferindo, per causa da boa vontade, o bom ao mau. 25. Deus, por natureza bom e sem [[evangelho-de-jesus:paixao:start|paixão]], ama todos os homens, obras de suas mãos, mas glorifica o justo porque este lhe está intimamente unido pela vontade; e em sua bondade, apieda-se do pecador, instruindo-o nesta vida para convertê-lo. Assim, o homem bom e sem paixão, ama igualmente todos os homens, os justos por sua boa natureza e boa vontade; e os pecadores, por causa de sua natureza e também em virtude dessa piedade compassiva que se tem para com um louco que mergulha na noite. 26. Dar largamente os próprios bens é sinal de caridade; quanto mais distribuir a palavra de Deus e prestar serviço aos outros! 27. Quem renunciou francamente aos bens do mundo e, sem pensar atrás, se torna servidor do próximo, ficará logo liberado de toda paixão e feito participante do amor e conhecimento (gnosis — episteme) de Deus. 28. Quem possui em si o amor de Deus não se fadiga de seguir o Senhor seu Deus, como disse o divino Jeremias, mas suporta generosamente as dificuldades, críticas, violências, sem querer a ninguém o menor mal. 29. Se um homem te ultrajou ou te desprezou, calcula bem tua cólera para não acontecer que por causa de um amargor venhas a separar-te da caridade e a estabelecer-te nas regiões do ódio. 30. Sofres uma ofensa ou desatenção? Sabe que há grande proveito no fato de tua vaidade ser assim providencialmente anulada pela humilhação. 31. A lembrança do fogo não esquenta o corpo. A fé sem amor não realiza na alma a iluminação do conhecimento (gnosis — episteme). 41. Quem ama a Deus não contrista o outro, nem se entristece com ninguém por motivos de ordem temporal. Não inspira e não sente senão uma tristeza ([[philokalia:philokalia-termos:lype:start|lype]]), esta salutar, a que S. Paulo sentia a respeito dos coríntios, e lhes procurou inculcar. 42. Quem ama a Deus leva sobre a terra uma vida angélica, no jejum, nas vigílias, no canto dos [[oracao:psalterium:salmos:start|Salmos]] e na oração, julgando bem a toda gente. 43. Quem aspira por uma coisa, luta para adquiri-la. Ora, mais que tudo de bom e desejável é Deus; que ardor não deveria ser o nosso para adquirir esse bem em si e desejável! 44. Não manches a carne por más ações, não sujes a alma por maus pensamentos, e a paz de Deus descerá sobre ti, trazendo-te a caridade. 47. Quem não obteve ainda a ciência de Deus, fruto da caridade, se orgulha com os bons atos, realizados segundo Deus. Mas quando for julgado digno dela, dirá com profunda convicção as palavras do patriarca [[biblia:figuras:abraao:start|Abraão]], ao ser gratificado pela manifestação divina: "eu não sou mais que terra e cinza". 48. Quem teme a Deus possui a humildade por constante companheira: graças aos pensamentos que ela inspira, chega ao amor e reconhecimento para com Deus. Ela lhe recorda como outrora viveu segundo o século ([[philokalia:philokalia-termos:aion:start|aion]]), recorda suas quedas, as tentações experimentadas na mocidade, como o Senhor o livrou de tudo isso e o fez passar, da existência sujeita às paixões, a uma vida segundo Deus. Então, juntamente com o temor, invade-o o amor, e ele não cessa de dar graças, com profunda humildade, ao Benfeitor e Guia de nossa vida. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}