===== PHILOKALIA-THERAPEUTES LYPE ===== [[philokalia:larchet:start|Jean-Claude Larchet]] — [[philokalia:larchet:philokalia-therapeutes:terapeutica-das-doencas-espirituais:start|Terapêutica das Doenças Espirituais]] ==== Lype — Tristeza ==== As duas formas de [[philokalia:philokalia-termos:lype:start|lype]] a serem distinguidas: - a primeira se enquadra entre as "paixões naturais e irrepreensíveis", ou seja, integradas à natureza do homem em seguida ao pecado original, que testemunham sua decadência em relação ao estado original de perfeição; - pode servir de base a uma virtude ([[philokalia:philokalia-termos:arete:start|arete]]): "Porque a tristeza segundo [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte." (2Co 7:10) - constitui-se em estado de penitência, de dor espiritual ([[philokalia:philokalia-termos:penthos:start|penthos]]), de compunção ([[philokalia:philokalia-termos:katanyxis:start|katanyxis]]) e encontra sua realização no carisma das lágrimas. - virtude indispensável ao homem para encontrar a via do Reino e reintegrar-se em [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]] o estado edênico. - Maximo o Cnfessor escreve: "Nos homens fervorosos, mesmo as paixões se tornam boas quando ... a tomamos para adquirir as coisas do céu. assim se passa quando .... fazemos da tristeza o arrependimento ([[philokalia:philokalia-termos:metanoia:start|metanoia]]) que nos corrige do mal presente." (Questões a Thalassius) - a segunda forma de tristeza, é uma [[evangelho-de-jesus:paixao:start|paixão]] ([[philokalia:philokalia-termos:pathos:start|pathos]]), uma doença da alma; em lugar de utilizar a lype para chorar por seus pecados ([[philokalia:philokalia-termos:hamartia:start|hamartia]]) e se afligir de seu afastamento de Deus e da perda dos bens espirituais; o homem a utiliza ao contrário para chorar a perda dos bens sensíveis. - O homem sob esta paixão faz da tristeza um uso contra a natureza, anormal: - João [[ate-agostinho:crisostomo:start|Crisóstomo]] constata: "Não é a adversidade mas o pecado somente que deve provocar a tristeza. mas o homem perverte esta ordem e confunde os tempos: multiplica portanto seus pecados e nisto não concebe nenhuma dor, e logo que sofre qualquer desagrado, se desencoraja." - É assim que a lype se torna "uma paixão não menos grave e daninha que a cólera ([[philokalia:philokalia-termos:orge:start|orge]]) e a voluptuosidade ([[philokalia:philokalia-termos:porneia:start|porneia]]) e conduz aos mesmos resultados do momento não as usamos segundo as regras da razão ([[philokalia:philokalia-termos:dianoia:start|dianoia]]) e da prudência ([[philokalia:philokalia-termos:enkrateia:start|enkrateia]])". (Consolações) O homem manifesta nesta paixão um comportamento duplamente patológico: por um lado não se aflige como deveria sobre uma questão tão aflitiva — seu estado de decadência, de pecado, de doença; por outro lado, se entristece a respeito de objetos, de estados, de situações, etc., que não merecem realmente qualquer consideração. A faculdade da aflição a qual dispõe o homem não somente não lhe serve, como Deus o havia desejado em lhe fazendo este dom, a se distanciar de seu estado de pecado, mas se encontra ao contrário utilizada de maneira absurda e insensata, em relação a sua finalidade natural, a manifestar seu apego a este mundo, entrando paradoxalmente a serviço do pecado. A lype aparece como um estado da alma, diferente do que o termo parece indicar, feito de desencorajamento, astenia, peso e dor psíquicas, abatimento, desespero, opressão, depressão, acompanhada o mais freqüente de ansiedade ou mesmo de angustia. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}