===== ELIADE RUYSBROECK ===== Mircea Eliade — [[misticismo-renano-flamengo:eckhart:seguidores:jan-van-ruysbroeck:start|Jan van Ruysbroeck]] Excertos de "História das Crenças e das Ideias Religiosas": Em que pese a ter criticado com severidade as [[misticismo-renano-flamengo:eckhart:seguidores:conventos-femininos:beguinas:start|Beguinas]] e os adeptos do Livre Espírito, o grande místico flamengo Ruysbroeck (1293-1381) também não escapou às suspeitas do magistério. A maior parte de seus 11 escritos cuja autoria é incontestável diz respeito à orientação espiritual. Ruysbroeck examina detidamente o erro dos "hereges" e dos "falsos místicos", que confundem a vacuidade espiritual com a união em [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]]: não se pode conhecer a verdadeira contemplação sem a prática cristã e a obediência à Igreja; a unio mystica não se efetua "naturalmente", mas é um dom da graça divina. Ruysbroeck não ignorava o risco de ser mal interpretado; por essa razão, não estimulou a circulação de certas obras, redigidas exclusivamente para leitores bastante adiantados na prática da contemplação. Apesar disso, foi mal compreendido e atacado por wp-en:Jean_Gerson, reitor da Universidade de Paris. E até wp-en:Geert_Groote, seu mui sincero admirador, reconhecia que o pensamento de Ruysbroeck podia suscitar confusões. Na verdade, embora salientando a necessidade da prática, Ruysbroeck afirma que a experiência da contemplação se efetua num plano superior. Esclarece que, mesmo durante essa experiência privilegiada, "não nos podemos tornar plenamente Deus e perder nossa modalidade de um ser criado" A Pedra Cintilante). Essa experiência, no entanto, realiza "uma unificação na unidade essencial de Deus", a alma do contemplativo "estando contida na [[biblia:figuras:santissima-trindade:start|Santíssima Trindade]]" Casamentos Espirituais, III, Prólogo; ibid., III, 6). Ruysbroeck lembra, porém, que Deus criou o homem à Sua imagem, "como um espelho vivo no qual imprimiu a imagem da Sua natureza". Acrescenta que, para compreender essa verdade, profunda e misteriosa, o homem "deve morrer para si mesmo e viver em Deus" (ibid., III, Prólogo). --- : {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}