===== BAZAN GÁLATAS ===== Francisco García [[gnosticismo:bazan:start|Bazán]] — [[philokalia:philokalia-termos:gnosis:start|gnosis]] ==== Epístola aos Gálatas ==== Combate certa mentalidade judaico-cristã; a começar por aqueles que abandonaram o Evangelho de [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]]. São eles “os intrusos”, “os falsos irmãos que se infiltraram solapadamente para espiar a liberdade que temos em Cristo Jesus ... a quem cedemos ... a fim de salvaguardar para vós a verdade do Evangelho”, confissão que se move em um claro contexto polêmico, o do Concílio de Jerusalém segundo se desenvolve em 2, 1-10. E porque a orientação combatida é a de certas tendências estreitas judeu-cristãs esclarece São Paulo que foi chamado “para que o (= o Evangelho) anunciasse entre os gentios”; se faz presente, que inclusive sendo ele firmemente judeu de nascimento, a Lei não justifica, senão Cristo Jesus, que a Lei nem toca à promessa que vai desde [[biblia:figuras:abraao:start|Abraão]] a Cristo, quando passando por sobre ela e que por isso o que foi puro meio de instrução cumpriu sua função ao chegar seu Fim e que nele que é Cristo, se resolvem todas antinomias. Mas ao igual que no caso anterior encontramos nesta Epístola notas claramente proto-gnósticas. Fala na entrada da epístola de “Este mundo perverso...” : Gal 1:4 o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de nosso [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] e [[estudos:ernst-benz:pai:start|Pai]], - [[gnosticismo:bnh:apocrifo-de-joao:start|Apócrifo de João]]: “Ele (Ialdabaoth criou para si um eão, que flameja com fogo brilhante, no qual agora reside” (ver [[gnosticismo:escolas-gnosticas:barbelognosticos:start|Barbelognósticos]] e [[gnosticismo:escolas-gnosticas:basilides:start|Basilides]]); jaz debaixo o conceito gnóstico de demiurgo e de mundo mau, com sentido ontológico, não meramente físico, já que o primeiro inclui também o moral. Participação intensa e destacada na revelação: Gal 1:15 Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, Paralelo gnóstico: Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no [[biblia:figuras:pai-mae-filho:filho:start|Filho]] de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. (Gal 2:19-20) - Em outras palavras e contexto os mostra admiravelmente o [[ate-agostinho:clemente:excertos-teodoto:start|Clemente Excertos Teodoto]]: “Por isto o Senhor desceu para aportar a paz, da do céu, aos que estão sobre a terra ... Por isto um astro estranho e novo se levantou, destruindo a antiga ordem dos astros ... e trazendo novos caminhos de salvação, como o realizou o Senhor mesmo, guia dos homens, o que desceu à terra para transferir da fatalidade a sua Providência ao que creram em Cristo”. - [[gnosticismo:escolas-gnosticas:ptolomeu:start|Ptolomeu]], Carta a Flora: “A legislação pura ... A Lei no sentido próprio da palavra, que o Salvador não veio abolir, senão cumprir”. À contraposição de mundos implícita em 1,4, se agrega a oposição entre espírito e carne: - Gal 3:3 Sois vós tão insensatos? tendo começado pelo Espírito, é pela carne que agora acabareis? - Gal 5:16 Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne. Não só a promessa desde Abraão passa a Cristo, que é seu continuador direto e a lei se mostra como um interregno para as transgressões, senão que esta subentendida oposição entre o AT e o NT: se robustece ao se dizer com uma tradição judia e apocalíptica que a lei foi promulgada pelos anjos e que [[biblia:tipologia:moises:start|Moisés]] foi seu mediador (3,15ss). - Esta doutrina da mediação dos anjos na transmissão do AT era notável na época intertestamentária. No NT [[ate-agostinho:clemente:start|Clemente de Alexandria]] e [[ate-agostinho:hilario:start|Hilário de Poitiers]] serão ecos desta noção. Mestres gnósticos da primeira hora segundo [[ate-agostinho:irineu:start|Irineu de Lião]], Menando e [[gnosticismo:escolas-gnosticas:saturnino:start|Saturnino]] ensinavam além do mais que o próprio mundo era obra dos anjos ( último afirmava que também o homem. Os cristãos formam uma unidade com Cristo, este os faz partícipes da promessa e assim superam as antinomias que estão sob Ele e são livres. - Gal 3:23 Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar. - Gal 5:1 Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão. Submissão aos “elementos do mundo” (stoicheia tou kosmou), aqui a simples vista, primeiro, a lei, mas depois, [[biblia:figuras:divindade:deuses:start|deuses]] (= elementos sem força e sem valor) que se vinculam ao culto segundo um calendário de dias, meses, estações e anos (v. Tempo). - Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos rudimentos do mundo; mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. (Gal 4:3-5) Conhecimento de Deus procede da graça divina - Outrora, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses; agora, porém, que já conheceis a Deus, ou, melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? (Gal 4:8-9) Se nomeia aos espirituais (hoi pneumatikoi), que podem ser tentados, mas são superiores aos que faltam. E no epílogo diz Paulo que o mundo está crucificado para ele e ele para o mundo. - Gal 6:1 Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado. - Gal 6:14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. Resumo: Nesta epístola García Bazán percebe um claro aumento do clima gnóstico, é provável que como resposta a tendências judaizantes no teológico e institucional mais superficiais. A ressurreição de Cristo, pedra de toque dos outros escritos, é meramente mencionada. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}