===== Coríntios I ===== //PAGELS, Elaine H. The gnostic Paul: gnostic exegesis of the Pauline letters. 1st paperback ed ed. Philadelphia: Trinity Press International, 1992.// * **SAUDAÇÃO E DISTINÇÃO ENTRE PSÍQUICOS E PNEUMÁTICOS ([[b>1 Coríntios 1:1-3]])** * Paulo se designa em termos psíquicos como alguém “chamado” e, em seguida, como apóstolo pneumático “pela vontade de Deus”. * A expressão “igreja de Deus que está em Corinto” é interpretada pelos exegetas valentinianos como referência àqueles que são “de Deus” e que participam do ser verdadeiro. * Paulo distingue os pneumáticos, que são “de Deus”, daqueles que são apenas “chamados para serem santos”. * O apóstolo abençoa a todos conforme sua capacidade: “graça” como dom de “Deus nosso Pai” para os pneumáticos, e “paz” que o “Senhor” transmite aos psíquicos. * **AÇÕES DE GRAÇAS E DONS CARISMÁTICOS ([[b>1 Coríntios 1:4-9]])** * Paulo fala primeiro àqueles que já foram “enriquecidos em toda palavra e em todo conhecimento” e que não “carecem de nenhum dom carismático”. * Aos psíquicos, que ainda não receberam o conhecimento nem atingiram a perfeição, ele ora para que Deus os sustente até o fim, mesmo no julgamento. * Ele assegura aos psíquicos que é Deus Pai quem os chamou para a comunhão com “o Senhor Jesus Cristo”. * **EXORTAÇÃO CONTRA DIVISÕES NA COMUNIDADE ([[b>1 Coríntios 1:10-12]])** * Paulo roga, no nome pneumático do Senhor psíquico, que todos façam uma “confissão comum” e que não haja divisões. * As divisões são explicadas pela alegação de alguns: “Eu sou de Paulo”, ou “Eu sou de Apolo”, ou “Eu sou de Pedro”, ou “Eu sou de Cristo”. * O iniciado valentiniano reconhece nessas alegações o cisma entre cristãos pneumáticos (seguidores do ensino secreto de Paulo) e cristãos psíquicos (seguidores de Pedro, fundador da igreja psíquica). * **A MISSÃO DE PAULO E O BATISMO ([[b>1 Coríntios 1:14-17]])** * Paulo contrasta sua própria missão com a dos outros apóstolos, afirmando que não foi enviado “para batizar, mas para evangelizar”. * Ele admite que, ao pregar publicamente, abstém-se de ensinar “em sabedoria de palavra”, ou seja, concernente a Sophia. * **A LOUCURA DA CRUZ E A SABEDORIA DO MUNDO ([[b>1 Coríntios 1:18-20]])** * A “palavra da cruz” — a doutrina secreta que revela como a cruz simboliza a queda e a restauração de Sophia — parece “loucura” aos psíquicos, que estão “perecendo”. * Os psíquicos, que consideram o logos divino como “loucura”, demonstram sua própria tolice, pois estão dominados pelo tolo demiurgo. * Os “sábios”, os pneumáticos, não têm lugar na presente era, pois para eles a “sabedoria desta era”, a do demiurgo, é mera tolice. * **ACOMODAÇÃO DA PREGAÇÃO AOS PSÍQUICOS ([[b>1 Coríntios 1:21-24]])** * Como o cosmos psíquico foi incapaz de conhecer a Deus por meio de sua sabedoria (Sophia), Deus acomodou sua revelação à limitada capacidade dos psíquicos. * Paulo prega “Cristo crucificado” porque os psíquicos (“judeus”) buscam sinais e os pneumáticos (“gregos”) buscam sabedoria. * Os psíquicos recebem a mensagem kerigmática psiquicamente como o “poder de Deus”, enquanto os pneumáticos a recebem espiritualmente como a “sabedoria de Deus”. * **A ESCOLHA DIVINA DOS QUE PARECEM INSIGNIFICANTES ([[b>1 Coríntios 1:26-28]])** * Entre os muitos psíquicos “chamados”, apenas “poucos” são “sábios, poderosos e bem-nascidos” segundo a carne. * Deus elegeu os que parecem “loucos” para envergonhar “os sábios”, ou seja, “aqueles que se consideravam sábios, mas não eram verdadeiramente sábios”. * Deus escolheu os “não gerados do cosmos”, aqueles que em termos cósmicos são “nada”, para envergonhar “aqueles que são”. * **A HUMILHAÇÃO DO PNEUMÁTICO NA PREGAÇÃO PÚBLICA ([[b>1 Coríntios 2:1-5]])** * Paulo se oferece como exemplo do pneumático que voluntariamente se humilha, pregando aos psíquicos em seu próprio nível. * Ele suprimiu deliberadamente o que sabia sobre a sabedoria divina, decidindo “não saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e este crucificado”. * O apóstolo discriminou entre sua mensagem pneumática (logos) e a pregação psíquica (kerygma), abstendo-se de falar “em palavras persuasivas de sabedoria”. * **A SABEDORIA FALADA ENTRE OS INICIADOS ([[b>1 Coríntios 2:6-8]])** * Paulo revela que “falamos sabedoria entre os perfeitos”, indicando que a verdade não pode ser comunicada por meio de documentos escritos, mas deve ser transmitida oralmente. * A sabedoria recebida pelos iniciados não é “uma sabedoria desta era ou de seus arcontes”, mas uma “sabedoria secreta e oculta de Deus” — o mistério secreto de Sophia. * Se os arcontes tivessem conhecido este mistério, “não teriam crucificado o Senhor da glória”, pois essa crucificação revelou simbolicamente a queda e a restauração de Sophia. * **A REVELAÇÃO PELO ESPÍRITO E AS COISAS PROFUNDAS DE DEUS ([[b>1 Coríntios 2:9-13]])** * O iniciado reconheceria as palavras “olho não viu, nem ouvido ouviu, nem entrou no coração do homem” como a fórmula pronunciada em sua própria iniciação no conhecimento. * Esses mistérios secretos são revelados “pelo espírito”, que “esquadrinha todas as coisas, até as profundezas de Deus”, sugerindo os mistérios do pleroma divino. * Paulo declara que “nós não recebemos o espírito do cosmos (isto é, do demiurgo), mas o espírito de Deus (o Pai)”. * **DISTINÇÃO ENTRE O PSÍQUICO E O PNEUMÁTICO ([[b>1 Coríntios 2:14-16]])** * O “psíquico não compreende as coisas do espírito de Deus”, pois, sendo psíquico, não conhecia sua Mãe (pneumática), nem suas sementes, nem os eons do pleroma. * O demiurgo, sendo psíquico, era “tolo e carecia de entendimento, imaginando que ele mesmo fez o cosmos”. * Paulo responde em 2:16 que os eleitos conhecem a “mente do Senhor” porque “nós temos a mente de Cristo”. * **A IMATURIDADE ESPIRITUAL DOS CORÍNTIOS ([[b>1 Coríntios 3:1-3]])** * Embora agraciados com o espírito, os coríntios ainda são “carnais, meninos em Cristo”, não estando prontos para receber o ensino oral secreto. * Paulo não pôde falar a eles como a pneumáticos, mas como a “carnais”. * **A METÁFORA DO PLANTIO, DA ÁGUA E DO CRESCIMENTO ([[b>1 Coríntios 3:4-9]])** * O valentiniano poderia ver em 3:6 a alusão de Paulo ao processo triplo de plantar, regar e fazer crescer, no qual Sophia, o salvador e o Pai participam. * A semente pneumática não é semeada pelos apóstolos, mas pelo próprio Logos, e deve ser revestida com a vestimenta carnal da materialidade para crescer em sabedoria e força. * A tarefa de plantar e regar a semente é confiada ao demiurgo (“o Senhor”) e a seus servos, para que o salvador a encontre “madura e pronta para a colheita”. * **A METÁFORA DO TEMPLO E A CONSTRUÇÃO SOBRE O FUNDAMENTO (1Cor 3:9b-11)** * Basílides percebe aqui um aviso ao demiurgo, que, ignorante de que há outro mais sábio e poderoso, se volta para a criação de tudo no cosmos como “arquiteto sábio”. * É Sophia quem está “edificando” através do demiurgo, construindo o “templo”, isto é, a ecclesia, a totalidade daqueles que devem ser restaurados a Deus. * **O JULGAMENTO PELO FOGO E OS MATERIAIS DA CONSTRUÇÃO ([[b>1 Coríntios 3:12-15]])** * O fogo simboliza a ignorância de Deus, a fonte de destruição e morte que jaz oculta nos elementos do cosmos, e que na consumação “arderá” e destruirá “toda a materialidade”. * Os hílicos serão consumidos, enquanto os psíquicos, embora “sintam o fogo”, podem escapar da destruição se passarem pelo “lugar ígneo” que é o cosmos. * Paulo adverte que os psíquicos serão julgados por suas obras — se construíram com materiais hílicos e psíquicos (“madeira, feno, palha”) ou com substâncias pneumáticas (“ouro, prata, pedras preciosas”). * **O SIMBOLISMO DO TEMPLO E O CULTO NO ESPÍRITO ([[b>1 Coríntios 3:16-17]])** * Heracleon oferece uma interpretação detalhada do simbolismo do templo, dizendo que o pátio exterior significa o cosmos (onde os psíquicos adoram o demiurgo) e o santuário interior significa o pleroma (onde os pneumáticos adoram o Pai “em espírito e em verdade”). * Paulo fala agora àqueles “em quem habita o espírito de Deus”, isto é, aos eleitos. * **ADVERTÊNCIA CONTRA A SABEDORIA DESTA ERA ([[b>1 Coríntios 3:18-23]])** * Paulo adverte os psíquicos de que qualquer um que se considere “sábio nesta era” é “tolo diante de Deus” o Pai, incluindo o próprio demiurgo. * O apóstolo admoesta os pneumáticos a não se vangloriarem de sua superioridade espiritual, pois “todas as coisas” são deles, inclusive o cosmos psíquico e seus arcontes. * **ADMINISTRADORES DOS MISTÉRIOS DE DEUS ([[b>1 Coríntios 4:1-5]])** * Os eleitos devem ser considerados tanto como “servos de Cristo” (isto é, como psíquicos) quanto como “administradores dos mistérios de Deus” (como mestres pneumáticos). * Ao contrário dos psíquicos, os pneumáticos não precisam temer o julgamento do demiurgo (“o Senhor”). * Quando as “coisas ocultas” forem manifestas, os pneumáticos receberão louvor de Deus. * **A ADVERTÊNCIA PARA NÃO IR ALÉM DO QUE ESTÁ ESCRITO ([[b>1 Coríntios 4:6]])** * Paulo não pode estar proibindo o ensino oral secreto, já que admite comunicá-lo aos iniciados; ele deve significar que os pneumáticos não devem falar disso abertamente entre os psíquicos. * Os valentinianos leem esse significado e, conforme Irineu testemunha, conduzem-se de acordo, parecendo exteriormente ser ovelhas, mas descrevendo em particular os inefáveis mistérios de seu pleroma. * **O PARADOXO DA SITUAÇÃO DO PNEUMÁTICO ([[b>1 Coríntios 4:7-13]])** * O iniciado gnóstico poderia ler 4:7-8 não como ironia de Paulo, mas como a apresentação dos critérios pelos quais os pneumáticos reconhecem sua eleição: tornaram-se “ricos”, foram “cheios” e já “reinaram” sobre o demiurgo e os arcontes. * Paulo explica que está usando a si mesmo, a Apolo e a Cristo como exemplos para mostrar que, na era presente, o pneumático não deve desfrutar de sua riqueza, mas tornar-se pobre; não ser “cheio”, mas “esvaziar-se”; não reinar, mas servir. * Deus Pai exibiu os apóstolos como homens sujeitos “à morte”, isto é, ao poder do demiurgo, e eles se tornaram “como o refugo do cosmos, a escória de todas as coisas”. * **O ENVIO DE TIMÓTEO E A EXORTAÇÃO À IMITAÇÃO ([[b>1 Coríntios 4:14-21]])** * Paulo envia Timóteo, seu “filho amado e fiel no Senhor”, para ensinar aos coríntios seus métodos de alcançar os psíquicos. * Timóteo, embora pneumático, conduz-se publicamente como um psíquico (“fiel no Senhor”). * Paulo promete vir em pessoa para ver não o que eles entendem pneumaticamente (seu logos), mas quão efetivamente comunicam isso em termos psíquicos (sua dynamis). * **O CASO DE FORNICAÇÃO E A DISCIPLINA ([[b>1 Coríntios 5:1-5]])** * Heracleon sugere que “fornicação” carrega um significado pneumático, significando a ignorância de Deus, da verdadeira adoração e das necessidades da própria vida. * O termo “fornicação” não poderia ser tomado literalmente em relação aos pneumáticos, pois eles não precisam observar proibições sexuais reais. * Como os psíquicos são “do mundo”, devem praticar continência e boas obras para alcançar a salvação, e Paulo prescreve disciplina forte para eles. * **ENTREGA A SATANÁS PARA DESTRUIÇÃO DA CARNE ([[b>1 Coríntios 5:3-5]])** * Paulo, sendo pneumático, vive apartado do corpo e decide que a comunidade deve unir-se ao seu “espírito” e ao juiz demiúrgico (“o poder de nosso Senhor Jesus”) para entregar o culpado a Satanás. * Tanto a carne quanto o corpo psíquico devem ser destruídos para que o “espírito” oculto dentro seja libertado no julgamento. * **A PURIFICAÇÃO E A NOVA PASCOA ([[b>1 Coríntios 5:6-8]])** * Paulo diz aos psíquicos para não se vangloriarem, pois é Cristo e os eleitos que são o “fermento” que leveda a “massa toda” dos psíquicos. * Os psíquicos devem ser purificados antes de poderem participar da nova “Páscoa divina”, a festa escatológica que celebrará sua passagem da escravidão da existência cósmica para a liberdade da vida plerômica. * **JULGAMENTO DOS QUE ESTÃO DENTRO E DOS QUE ESTÃO FORA ([[b>1 Coríntios 5:9-13]])** * Paulo escreveu para não se misturar com “fornicadores”, mas não se referia aos “fornicadores deste cosmos” (os psíquicos culpados de imoralidade), pois então teriam que sair do cosmos. * Os pneumáticos devem julgar “aqueles que estão dentro” da igreja e “limpar o mal” que encontrarem entre os psíquicos. * Paulo, como um dos eleitos, nada tem a ver com julgar aqueles que já transcenderam o cosmos — os eleitos — que são deixados à providência de Deus Pai. * **O JULGAMENTO DO COSMOS PELOS SANTOS ([[b>1 Coríntios 6:1-5]])** * Exegetas valentinianos rejeitam a interpretação literal e afirmam que Paulo mostra novamente que “o pneumático julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém”. * Paulo insiste que “os santos”, os pneumáticos, devem julgar “o cosmos”, incluindo não apenas os seres humanos psíquicos, mas até mesmo os anjos do demiurgo. * **A RENÚNCIA DOS PRERROGATIVOS PNEUMÁTICOS ([[b>1 Coríntios 6:7-9]])** * Embora tenha afirmado que o julgamento pertence propriamente aos pneumáticos, Paulo argumenta que eles não devem insistir em suas prerrogativas. * Ele os aconselha a abrir mão de seus direitos e deferir aos psíquicos, mesmo correndo o risco de serem tratados injustamente ou privados do que lhes pertence. * Aqueles que maltratam os eleitos “não herdarão o reino de Deus”, pois para alcançá-lo os psíquicos devem se tornar justos e retos. * **A AUTORIDADE E A LIBERDADE DO PNEUMÁTICO ([[b>1 Coríntios 6:12]])** * Enquanto os psíquicos estão vinculados à lei, Paulo declara que para ele — como para todos os eleitos — “todas as coisas são autorizadas”, precisamente porque o pneumático “não será submetido à autoridade de ninguém”. * Os valentinianos afirmam que aqueles que recebem o sacramento da “redenção” vêm a “ficar numa altura acima de qualquer poder”, sendo livres para fazer qualquer coisa. * Cada um dos mestres gnósticos (Valentino, Basílides, Simão, Carpócrates) enfatiza a conexão que afirmam que Paulo faz: “todas as coisas são autorizadas” para aqueles que são libertos da autoridade do demiurgo. * **A INDIFERENÇA PNEUMÁTICA EM RELAÇÃO ÀS COISAS CORPORAIS ([[b>1 Coríntios 6:13]])** * Como os pneumáticos têm autoridade sobre o diabo, a região que ele governa (a materialidade) já não tem poder para escravizá-los. * Os seguidores de Valentino, Basílides, Simão e Carpócrates afirmam que são livres para considerar as coisas corporais com indiferença. * O corpo (que inclui tanto o corpo psíquico quanto o material) pertence ao Senhor demiúrgico, mas aqueles que pertencem a Deus pertencem Àquele que tem poder sobre “o Senhor” e sobre “todos os corpos”. * **SIMBOLISMO DO CORPO COMO MEMBROS DE CRISTO ([[b>1 Coríntios 6:14-20]])** * Exegetas valentinianos oferecem uma interpretação simbólica: os “corpos” dos pneumáticos significam aqueles “membros de Cristo” que são, por enquanto, apenas psíquicos. * O que Paulo revela em 6:15 é que os psíquicos (“vossos corpos”) também são “membros de Cristo”. * Os eleitos devem reconhecer que não são seus próprios; foram redimidos não por sua própria causa, mas por causa da redenção dos psíquicos, e devem trazer seu “corpo” (o psíquico) e seu “espírito” para “glorificar a Deus”. * **CONSELHOS SOBRE MATRIMÔNIO E SIMBOLISMO DA UNIÃO ([[b>1 Coríntios 7:1-2]])** * O conselho de Paulo, lido literalmente pelos psíquicos, os encorajaria em seus esforços para observar um código estrito de ética sexual. * Heracleon explica que a mulher caída em fornicação simboliza o eleito pneumático imerso na materialidade, e o casamento humano se torna um símbolo do processo através do qual o pneumático entra em relação com o syzygos divino. * Mais de uma forma do sacramento secreto valentiniano da redenção encena este casamento divino, como nos fragmentos da liturgia marcosiana e do Evangelho de Filipe. * **O PAPEL DO PNEUMÁTICO COMO ESPOSO DA PSÍQUICA ([[b>1 Coríntios 7:2-3]])** * Os valentinianos ensinam que o pneumático, portanto, deve unir-se à sua parceira psíquica para proteger e fortalecer a psíquica contra as tentações corporais. * O simbolismo do casamento pode ser interpretado pneumaticamente em dois níveis: os eleitos são libertados da “fornicação” espiritual unindo-se aos seus syzygoi divinos; e os psíquicos, por sua vez, são libertados da fornicação real unindo-se aos eleitos. * Paulo acrescenta que deseja que todos fossem “como ele” (isto é, pneumáticos), mas concede que “cada um tem seu próprio dom de Deus”. * **CONSELHOS SOBRE DIVÓRCIO E A SALVAÇÃO DO CÔNJUGE NÃO CRENTE ([[b>1 Coríntios 7:10-14]])** * O conselho de Paulo sobre o divórcio poderia ser interpretado simbolicamente de duas maneiras: em referência ao “casamento” do pneumático com o syzygos divino, ou em referência à união do psíquico com seu “esposo” pneumático. * Na relação entre crentes, “o não crente”, o psíquico, pode ser salvo através da associação com o pneumático. * **A ACEITAÇÃO DA PRÓPRIA CONDIÇÃO E A PASSAGEM DO ESQUEMA DESTE COSMO ([[b>1 Coríntios 7:17-31]])** * Paulo aconselha cada pessoa a aceitar sua própria situação, seja designada ao lugar psíquico por “o Senhor”, seja chamada à eleição por “Deus”. * As diferenças entre o psíquico e o pneumático — caracterizadas como macho e fêmea, escravidão e liberdade, circuncisão e incircuncisão — pertencem apenas ao “esquema deste cosmos” e passarão com ele. * Finalmente, os psíquicos que agora são escravos serão transformados em liberdade pneumática; as fêmeas serão transformadas, unidas e identificadas com os machos, e “Deus será tudo em todos”. * **GNOSIS E O CONHECIMENTO DO ÚNICO DEUS ([[b>1 Coríntios 8:1-8]])** * Paulo fala aos eleitos como aqueles que “todos têm gnosis”, lembrando-lhes que aqueles que “conhecem a Deus” também são conhecidos por ele. * Heracleon diz que apenas “os seus” conhecem o “único Deus” como seu Pai, sabendo que dele “são todas as coisas” (isto é, o pleroma divino) “e nós nele”. * Os valentinianos citam esta passagem para mostrar que aqueles que têm gnosis não precisam hesitar em comer carne sacrificada aos ídolos, “pois não podem incorrer em contaminação”. * **A ADVERTÊNCIA PARA NÃO SER TROPEÇO PARA OS FRACOS ([[b>1 Coríntios 8:9-13]])** * Paulo adverte os gnósticos a não permitirem que sua gnosis e sua autoridade se tornem um obstáculo para “os fracos”, isto é, para os psíquicos. * Eles devem ajudar os psíquicos que Cristo veio salvar, mesmo que isso signifique abrir mão da liberdade que sua gnosis lhes proporciona. * Paulo, o apóstolo pneumático, escolhe abrir mão de sua liberdade nesta era para não prejudicar seu “irmão mais fraco” ao afirmá-la. * **PAULO COMO MODELO DE AUTO-RENÚNCIA PNEUMÁTICA ([[b>1 Coríntios 9:1-23]])** * Proclamando-se livre em questões dietéticas e sexuais, Paulo é “livre de todos”, livre da lei psíquica do demiurgo, mas permanece na lei pneumática de Deus Pai e de Cristo, que é a lei do amor. * Paulo descreve como ele, embora pneumático, assumiu um papel psíquico: fez-se “servo de todos”, “como judeu para os judeus”, “como sob a lei para os que estão sob a lei”, até mesmo “fraco para os fracos”. * De todas as maneiras, ele se acomoda para “tornar-me tudo para todos, para que de alguma maneira salvasse alguns”, pois é através do ministério dos pneumáticos que os psíquicos ouvem o evangelho e são salvos. * **TIPOLOGIA DA HISTÓRIA DE ISRAEL COMO ADMOESTAÇÃO ([[b>1 Coríntios 10:1-6]])** * Paulo revela sua própria exegese pneumática, descobrindo o significado simbólico oculto na história de Israel. * Os batizados “em Moisés” tipificam aqueles que são batizados no demiurgo; sair do Egito simboliza a região da materialidade; passar pelo mar simboliza a “imersão na materialidade”. * Heracleon vê em 10:5 evidência de que Deus rejeitou os psíquicos porque eles, como os judeus, “adoram o demiurgo na carne e no erro”. * **ADVERTÊNCIA CONTRA A IDOLATRIA DO DEMIURGO ([[b>1 Coríntios 10:11-15]])** * Paulo demonstra (segundo Ptolomeu) que “a lei, que era exemplar e pneumática, foi transformada pelo salvador do nível perceptível e fenomenal para o nível pneumático e invisível”. * Ele fala especificamente aos que são pneumáticos, “sobre quem têm chegado os últimos dos eons”, seus “amados”, aqueles “que entendem”. * O relato da história de Israel adverte os pneumáticos contra o erro dos psíquicos: a adoração idólatra do demiurgo em vez do verdadeiro Deus. * **INTERPRETAÇÕES VALENTINIANAS DA CEIA DO SENHOR ([[b>1 Coríntios 10:16-19]])** * Mestres valentinianos oferecem várias interpretações da ceia e de seus elementos: um interpreta o pão como símbolo de “seu corpo”, a ecclesia; no sacramento marcosiano, o vinho simboliza a graça; o autor do Evangelho de Filipe oferece outra interpretação: “sua carne é seu logos, e seu sangue o espírito santo”. * Os mestres valentinianos concordam, no entanto, que aqueles que referem o pão e o vinho à paixão sacrificial e morte de Jesus interpretam os elementos apenas psiquicamente. * A participação num tal “sacrifício do altar” psíquico envolveria o pneumático em comer “alimento oferecido a ídolos”, isto é, ao demiurgo e aos arcontes cósmicos. * **CONSELHOS SOBRE PARTICIPAÇÃO EM FESTINS DOS INCÉUS ([[b>1 Coríntios 10:23-29]])** * Paulo lembra aos eleitos que para eles “todas as coisas são permitidas”, embora nem todas sejam vantajosas, e os aconselha a não considerar a si mesmos, mas o bem-estar de seus irmãos psíquicos. * Os convidados a participar na comunhão psíquica devem ir, se quiserem, e comer com os psíquicos. * Se um deles advertir o pneumático de que a festa foi oferecida “a ídolos” (reconhecendo o demiurgo como um ídolo), ele deve se abster por causa do psíquico que o advertiu contra a “idolatria”. * **A GLÓRIA DE DEUS E A NÃO OFENSA A JUDEUS E GREGOS (1Cor 10:29b-33)** * Paulo antecipa que o gnóstico resistirá ao seu conselho: por que deveria ser julgado pela consciência de outro homem, especialmente quando o outro é apenas psíquico? * Paulo responde que o pneumático deve fazer tudo “para a glória de Deus”, visto que tanto os “judeus” psíquicos quanto os “gregos” pneumáticos são membros da “igreja de Deus”. * Irineu indica que, embora os valentinianos participem de bom grado na celebração da comunhão com a “igreja psíquica”, reservam a celebração eucarística pneumática para reuniões privadas entre iniciados. * **SIMBOLISMO DA RELAÇÃO ENTRE HOMEM E MULHER NA COMUNIDADE ([[b>1 Coríntios 11:1-12]])** * O iniciado perceberia que Paulo não mudou de assunto, mas agora escolhe continuá-lo em linguagem simbólica, de modo que somente os eleitos possam seguir seu significado oculto. * O apóstolo fala simbolicamente primeiro da relação entre Cristo e a ecclesia, e em segundo lugar da relação entre o eleito e o chamado: Deus é cabeça de Cristo, Cristo é cabeça do homem (o eleito pneumático), e o homem é cabeça da mulher (a ecclesia psíquica). * Paulo revela aqui a hierarquia da relação divina: Deus, Cristo, os eleitos, os chamados. * **A QUESTÃO DO VÉU E A AUTORIDADE DO DEMIURGO ([[b>1 Coríntios 11:4-10]])** * O véu simboliza autoridade, e Paulo pretende mostrar que o eleito não deve reconhecer qualquer autoridade “sobre sua cabeça”; qualquer “homem” (isto é, qualquer pneumático) que reconheça a autoridade do demiurgo sobre si “envergonha sua cabeça”, que é Cristo. * Toda mulher — toda psíquica — que não reconhecer a autoridade do demiurgo “envergonha sua cabeça”, isto é, seu “homem” (o pneumático). * Paulo explica que o “homem” pneumático traz “a imagem e glória de Deus”; mas a “mulher” psíquica traz apenas sua glória refletida. * **CRIAÇÃO DE SOPHIA E CRIAÇÃO DE ADÃO ([[b>1 Coríntios 11:8-12]])** * O que Paulo pode significar quando diz que “o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem” e declara que “a mulher é do homem, como o homem é através da mulher”? * Exegetas valentinianos poderiam sugerir que estas duas passagens se referem a diferentes estágios do processo de criação: a primeira descreve a criação de Sophia mesma, e a segunda descreve o segundo estágio da criação. * Ptolomeu explica que 11:10 se aplica primeiramente a Sophia e em segundo lugar à ecclesia: quando Sophia, separada da luz, se alegrou ao ver o salvador vindo em sua direção, velou sua cabeça em vergonha “por causa dos anjos” (machos). * **A NECESSIDADE DA CONJUNÇÃO ENTRE PNEUMÁTICOS E PSÍQUICOS ([[b>1 Coríntios 11:11-15]])** * Paulo ensina que, por enquanto — “no Senhor” — psíquicos e pneumáticos pertencem juntos; apenas em conjunção uns com os outros podem ambos obter acesso ao pleroma. * Ele pergunta: é apropriado para um psíquico (isto é, uma “mulher”) orar “a Deus” o Pai separadamente da autoridade do demiurgo (“sem véu”)? * “A própria natureza” de cada um ensina que, para o pneumático, submeter-se à autoridade demiúrgica é “uma desonra”, mas a sujeição do psíquico é “sua glória”. * **A EXISTÊNCIA DE SEITAS PARA REVELAR OS APROVADOS ([[b>1 Coríntios 11:17-21]])** * Paulo admite que “é necessário que haja seitas entre vós, para que os aprovados (isto é, os eleitos) se tornem manifestos entre vós”. * Mesmo quando se reúnem com psíquicos “no mesmo lugar”, os eleitos não vêm “para comer a ceia do Senhor”, pois como podem aqueles que foram libertos de sua autoridade celebrar a festa do “Senhor” demiúrgico? * A diversidade entre os cristãos significa que “cada um (seja psíquico ou pneumático) come sua própria ceia”, assim como “cada um conhece o Senhor à sua maneira”. * **A TRADIÇÃO DA CEIA E O PERIGO DE CONDENAÇÃO PARA OS PSÍQUICOS ([[b>1 Coríntios 11:23-32]])** * O leitor iniciado, reconhecendo esta interpretação da eucaristia como ensinamento psíquico, perceberia que Paulo dirige sua advertência aos psíquicos. * Eles devem temer a participação “indigna”, percebendo que enfrentam o julgamento do “Senhor” e correm o risco de condenação juntamente com “o cosmos”. * **DIFERENTES DOAÇÕES CARISMÁTICAS PARA PNEUMÁTICOS E PSÍQUICOS ([[b>1 Coríntios 12:1-7]])** * Os pneumáticos devem perceber primeiro que nenhum pneumático, falando através do espírito santo, pode desprezar o Jesus psíquico; e em segundo lugar, que nenhum psíquico pode reconhecer o Jesus psíquico “como Senhor” exceto através do espírito santo. * Embora os pneumáticos recebam “diferentes carismas”, o “mesmo espírito” concede todos eles; e embora os psíquicos recebam “diferentes serviços”, o “mesmo Senhor” (demiurgo) designa todos eles. * Paulo insiste que “é o mesmo Deus”, o Pai, que energiza todos eles, dando “a cada um”, seja psíquico ou pneumático, “a manifestação do espírito” que beneficia cada um. * **A DISTINÇÃO VALENTINIANA ENTRE OS DONS SUPERIORES E OS SERVIÇOS ([[b>1 Coríntios 12:8-11]])** * Exegetas valentinianos notariam que, onde Paulo descreve os “dons superiores”, ele diz especificamente que vêm do “mesmo espírito”; mas na segunda cláusula, onde enumera os “serviços”, ele declina atribuí-los ao “mesmo espírito”. * Os valentinianos inferem daí que esses “serviços” são designados por “o Senhor” (o demiurgo). * No entanto, o apóstolo insiste que “um só e mesmo espírito” opera em todos, seja diretamente ou através do demiurgo, “distribuindo a cada um como quer”. * **A METÁFORA DO CORPO DE CRISTO E A NECESSIDADE DOS MEMBROS PSÍQUICOS ([[b>1 Coríntios 12:12-27]])** * Teódoto sugere que os eleitos constituem “um só espírito” encabeçado por Cristo, enquanto os psíquicos constituem “o corpo” de Jesus. * O homilista valentiniano da Interpretação da Gnosis exorta seus irmãos pneumáticos a amarem os psíquicos, pois todos juntos constituem o único “corpo de Cristo”. * Os membros psíquicos são necessários: o “corpo de Cristo” foi constituído por causa deles, e sem eles os eleitos não podem se tornar completos. * **A DIFERENCIAÇÃO DAS FUNÇÕES NA ECLESIA ([[b>1 Coríntios 12:28-31]])** * O iniciado reconhece que Paulo discrimina entre os diferentes níveis de função no “corpo”, encorajando-os a buscar “os maiores carismas”. * **A SUPERIORIDADE DO AMOR SOBRE O CONHECIMENTO E OS MISTÉRIOS ([[b>1 Coríntios 13:1-2]])** * O que é esse “caminho superior”? É o caminho superior ao demiurgo, que confessa que embora fale “com línguas de homens e de anjos”, carece do amor divino. * Ele admite que mesmo que entendesse “todos os mistérios e todo o conhecimento” (o que, segundo Heracleon, ele não entende), ele seria “nada” separado do amor divino do Pai. * **A ADMISSÃO PSÍQUICA DA LIMITAÇÃO DAS PROFECIAS E DO CONHECIMENTO ([[b>1 Coríntios 13:7-10]])** * Uma vez que afirmam que apenas os pneumáticos verdadeiramente têm amor, os valentinianos leem esta passagem como a admissão dos psíquicos de que suas profecias, suas línguas, seu conhecimento são apenas limitados. * O que é psíquico, e portanto apenas parcial, deve dar lugar ao que é pneumático e perfeito. * **O CRESCIMENTO DO PNEUMÁTICO DA INFÂNCIA À MATURIDADE ([[b>1 Coríntios 13:11-13]])** * Paulo revela que o conhecimento do pneumático pode ser limitado temporariamente por sua própria imaturidade: a semente pneumática, semeada “em estado de infância”, deve crescer até a compreensão madura de “um homem”. * No início, o pneumático vê apenas “num espelho, num enigma”; mas gradualmente cresce na intuição (gnosis) e maturidade (teleiosis). * Paulo menciona fé e esperança — qualidades que os psíquicos podem compartilhar com os eleitos — mas louva o amor como o “maior destes”, o “caminho superior” pneumático conhecido apenas pelos eleitos. * **O EVANGELHO KERIGMÁTICO TRANSMITIDO A TODOS ([[b>1 Coríntios 15:1-7]])** * Paulo começa mostrando como sua mensagem pneumática difere da pregação psíquica que ele compartilha com os outros apóstolos. * “Primeiramente”, ele transmitiu o que ele mesmo recebeu — a saber, o kerygma — que “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia”. * Ele promete que a fé dos psíquicos não será “em vão” se a receberem “na palavra” através da qual ele falou. * **A APARIÇÃO DO SALVADOR A PAULO COMO A UM ABORTO ([[b>1 Coríntios 15:8-10]])** * Paulo descreve sua própria experiência única: “por último, apareceu também a mim, como a um abortivo”, aludindo simbolicamente à eleição pneumática para mostrar como o salvador apareceu a Acamote “quando ela estava fora do pleroma, como a um aborto”. * Teódoto diz que “enquanto éramos apenas filhos da fêmea (Sophia), como de uma syzygia vergonhosa, éramos incompletos, infantes, sem mente, fracos, sem forma, gerados como abortos”. * Tomando 15:10 como o relato de Paulo sobre como ele foi “espiritualmente nascido”, os valentinianos explicam que Paulo sozinho recebeu “o mistério de Deus” através do eon plerômico Charis, enquanto os outros apóstolos receberam apenas o que foi transmitido através do demiurgo psíquico. * **A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS COMO RECONHECIMENTO DA VERDADE ([[b>1 Coríntios 15:12]])** * O iniciado gnóstico rejeita a pregação da ressurreição corporal futura como literalismo grosseiro e erro típico da pregação psíquica. * “Os mortos” são os psíquicos, que foram “mortificados nesta existência”, e “a ressurreição dos mortos” é “o reconhecimento da verdade” falado por aqueles que têm gnosis. * Paulo está dizendo que “alguns” estão afirmando que “não há ressurreição dos mortos”, isto é, que os psíquicos não podem ser levantados da “morte desta existência” para a vida espiritual. * **A ARGUMENTAÇÃO DE PAULO PELA RESSURREIÇÃO DOS PSÍQUICOS ([[b>1 Coríntios 15:13-19]])** * Paulo argumenta: se “não há ressurreição dos mortos”, então Cristo, que veio em forma psíquica para salvar o elemento psíquico, não foi levantado para a vida pneumática. * Se os psíquicos, que estão “mortos”, não podem ser “levantados”, então aqueles que “dormiram” (mantidos sob o poder do “espírito de sono profundo”) pereceram. * Paulo até diz que “se é só nesta vida que nós (os eleitos) temos esperança em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens”, pois os eleitos sozinhos veriam a desesperança da situação dos psíquicos. * **CRISTO COMO PRIMÍCIAS DAQUELES QUE DORMIRAM ([[b>1 Coríntios 15:20-23]])** * Enquanto os psíquicos interpretam erroneamente a ressurreição de Cristo como um evento literal passado, os cristãos pneumáticos a entendem simbolicamente: a ressurreição de Cristo significa a “ressurreição da ecclesia”. * Cristo e os eleitos são as “primícias” através das quais os psíquicos (“aqueles que dormiram”) serão “levantados e salvos”. * Cada um recebe vida “em sua própria ordem”: “Cristo, as primícias” (isto é, os eleitos); e segundo, “os que são de Cristo na sua vinda”, os psíquicos que o recebem através de sua aparição cósmica. * **O FIM DO REINO DO DEMIURGO E A SUJEIÇÃO FINAL ([[b>1 Coríntios 15:24-28]])** * Na consumação desta era, Cristo entrega “o reino” do demiurgo “a Deus o Pai”, após destruir “todo arconte, toda autoridade e todo poder”, até mesmo “o último inimigo, a morte”. * Os valentinianos explicam que Cristo reina “à direita” do demiurgo durante a presente era “até a consumação final”. * Então Cristo sujeitará todas as coisas ao Pai — até mesmo a si mesmo — para que “Deus seja tudo em todos”. * **O BATISMO EM PROL DOS MORTOS E O PAPEL DOS PNEUMÁTICOS ([[b>1 Coríntios 15:29]])** * Segundo sua própria prática sacramental, os eleitos pneumáticos recebem o batismo para “os mortos”, isto é, para os psíquicos. * O propósito deste batismo por procuração é assegurar que os psíquicos recebam o poder para transcender a região do demiurgo e entrar no pleroma. * Os eleitos recebem a “imposição de mãos” para a “redenção angélica” em nome dos psíquicos, para que os psíquicos recebam a redenção efetuada através do nome divino. * **A RISCO DE MORRER PELA SALVAÇÃO DOS PSÍQUICOS ([[b>1 Coríntios 15:30-34]])** * Paulo continua: se os psíquicos não podem ser levantados, por que ele está correndo riscos para evangelizá-los? Por que ele está “morrendo”, participando da existência psíquica, por causa deles? * Ele adverte os psíquicos a “tornarem-se sóbrios”, superando a embriaguez de seu esquecimento, e a serem justos e não pecar. * Como eles ainda são ignorantes de Deus, a salvação dos psíquicos depende de suas próprias obras. * **A RESPOSTA DE PAULO AOS TOLOS QUE PERGUNTAM PELO CORPO DA RESSURREIÇÃO ([[b>1 Coríntios 15:35-40]])** * Paulo castiga como “tolos” aqueles que perguntam “como os mortos ressuscitam” ou “com que corpo vêm”, pois tais questões literais traem a crença ingênua na ressurreição corporal. * Ele oferece uma interpretação pneumática (isto é, simbólica) da ressurreição, começando com a metáfora das sementes: “o que semeias não é o corpo que há de vir”. * Os valentinianos explicam que estas são os dois tipos diferentes de semente produzidos por Sophia — a semente pneumática dos eleitos e a semente psíquica dos chamados. * **O MISTÉRIO DA TRANSFORMAÇÃO DO PSÍQUICO EM PNEUMÁTICO ([[b>1 Coríntios 15:42-49]])** * Paulo revela o grande “mistério”: embora o psíquico tenha sido semeado na “corrupção, desonra e fraqueza”, na “morte e no cosmos”, ele será levantado na “incorrupção, glória e poder”. * “Semeado corpo psíquico, será levantado corpo pneumático; pois se há corpo psíquico, há também corpo pneumático”. * Teódoto explica que elementos da semente pneumática foram semeados até mesmo nos psíquicos, e que “aquele a quem Cristo regenera é transferido para a vida na Ogdóade”. * **A IMPOSSIBILIDADE DA RESSURREIÇÃO DA CARNE E DO SANGUE ([[b>1 Coríntios 15:50-52]])** * Os valentinianos afirmam que Paulo mostra claramente em 15:50 que “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção”, considerando esta como evidência decisiva contra a alegação da igreja de ressurreição corporal. * Nada que é psíquico, nada que vem do demiurgo, pode entrar no reino de Deus Pai. * Em vez disso, “o que é corruptível deve revestir-se da incorrupção” e “o que é mortal deve revestir-se da imortalidade”. * **A TRANSFORMAÇÃO FINAL E A VITÓRIA SOBRE A MORTE ([[b>1 Coríntios 15:53-56]])** * Heracleon e Teódoto explicam que o psíquico deve “despir” as vestimentas do corpo e da alma quando o “reinado de morte” do demiurgo terminar e for “tragado pela vitória”. * O autor de Filipe cita 15:54 para refutar o erro “daqueles que desejam ressuscitar na carne”, dizendo que eles têm medo de ficar “nus” sem o corpo, mas falham em perceber que, enquanto “vestidos” no corpo, estão “nus” das vestimentas espirituais. * Então, “os elementos psíquicos são levantados e salvos” e, despojando-se de suas antigas vestimentas, compartilham da “nudez” daqueles que entram na câmara nupcial plerômica. * **EXORTAÇÃO FINAL AO TRABALHO EM PROL DOS PSÍQUICOS ([[b>1 Coríntios 15:57-58]])** * Paulo louva a Deus Pai que dá a vitória através de “nosso Senhor Jesus Cristo”, a quem Teódoto chama de “o grande campeão, que recebeu para si a igreja, os eleitos e os chamados”. * Tendo revelado este grande mistério — a ressurreição dos mortos, que aqueles que estão “mortos” (os psíquicos) devem ser “levantados” — Paulo assegura aos eleitos que seu trabalho presente junto aos psíquicos “no Senhor” não é em vão.