===== Amigo Importuno ===== Marcion — Amigo Importuno Antonio Orbe, [[..:..:..:orbe:aoasi:start|Parábolas Evangélicas em São Irineu]] Marcião — segundo observava Irineu — fez uso do relato de Lucas. Isso é confirmado por Santo Epifânio e, antes dele, com relativa amplitude, por Tertuliano. O africano permite reconstruir, a partir do contrário, a exegese de Marcião. A parábola exalta a benignidade do Deus (do NT), a quem, por ser inacessível à ira, recomenda-se recorrer sem escrúpulos quanto ao tempo. Dirigia-se também contra o deus (do AT). Para o novo Deus, todos são amigos; não assim para o antigo. A «meia-noite» ([[b>Lucas 11:5]]) indicava a plenitude dos tempos. Em hebraico, tarde («sero»); depois que os dias de YHWH|Yahvé passaram. Aquele que bate à porta — sempre a julgar pelas notícias tertulianas — simbolizava as «nationes», os gentios, em oposição aos judeus, os quais nunca haviam batido à porta do Deus bom, mas apenas à de seu deus Yahvé. Eis, segundo isso, a exegese marcionita de [[b>Lucas 11:5-8]]: os gentios, famintos do pão celestial (ou seja, do conhecimento trinitário), origem da verdadeira vida, recorrem ao Deus bom. Foi preciso que chegasse a plenitude dos tempos — “à meia-noite” — para que se apresentasse de repente, desçendo do céu, o Filho de Deus. Animadas por ele, as pessoas não hesitam em bater com insistência às portas do Pai. O verdadeiro Deus não se irrita, como Yahvé, diante da atitude daqueles que até então o ignoravam. Será que os méritos contam diante dele?