===== VÉU DO SANTUÁRIO RASGOU ===== [[evangelho-de-jesus:paixao:calvario:start|CALVÁRIO]] — [[evangelho-de-jesus:paixao:calvario:veu-do-santuario-rasgou:start|VÉU DO SANTUÁRIO RASGOU]] (Mt XXVII, 51-53; Mc XV, 38; Lc XXIII, 44-45) Então o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo. (Mc 15:38) E eis que o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo; a terra tremeu, as pedras se fenderam, os sepulcros se abriram, e muitos corpos de santos que tinham dormido foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos. (Mt 27:51-53) Era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até a hora nona, pois o sol se escurecera; e rasgou-se ao meio o véu do santuário. (Lc 23:44-45) --- PERENIALISTAS Marco Pallis: VÉU DO TEMPLO Roberto Pla: [[gnosticismo:bnh:evangelho-de-tome:start|Evangelho de Tomé]] - [[gnosticismo:bnh:evangelho-de-tome:logion-68:start|Logion 68]] O desígnio do Caminho previsto para a alma deve culminar nesse lugar do Calvário onde ao final se eleva a Cruz que a alma tomou sobre si, e onde a elevou voluntariamente. Nessa morte ou crucificação da alma que se negou a si mesma, está a verdade da Boa Nova, esse não ser mais que um lugar vazio, que pede o logion. Desta humildade ou negação (vide [[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:renuncia:start|Renuncia]]) da alma que faz possível o nome [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]] (vide Nome) e com ele o resgate do Espírito, até então cativo ao outro lado da consciência, fala o Magnificat entoado por [[biblia:figuras:nt-personagens:maria:start|Maria]] : “Engrandece minha alma ao Senhor, e se regozija meu Espírito em [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]], meu Salvador (vide [[evangelho-de-jesus:evangelho-personagens:maria:miriam:start|Miriam]]). As passagens do evangelho onde se narram os acontecimentos “manifestos” da morte de Jesus são, em muitos pontos, figura “oculta” do ato bem-aventurado da morte voluntária da alma e da ressurreição imediata do [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]] interior. Uma vez consumada a morte de Jesus, que pode ser entendida ademais como figura “oculta” da cessação da alma, quando esta fica limpa de conteúdos impuros, graças à negação insistente de si mesma, relatam, [[evangelho-de-jesus:evangelho-personagens:discipulos-de-jesus:mateus:start|Mateus]] e Marcos que: “o véu do Santuário se rasgou em dois, de cima abaixo”. Isto quer dizer que no íntimo desse corpo que é qualificado de templo do espírito, é onde se rompe a tênue lâmina de ignorância, que impede a comunicação das duas esferas, terra e céu, em que aparece dividido o cenário gnoseológico do universo. De baixo para cima não pode romper o véu — nem se romperá jamais nessa direção apesar dos esforços que possam fazer muitos por consegui-lo — porque a alma, nascida de abaixo, tem que chegar antes de tudo, segundo o relato “oculto”, à vacuidade (nadidade) da humildade perfeita. Os componentes psíquicos salvos depois da intensa [[philokalia:philokalia-termos:katharsis:start|katharsis]], estarão então já como virgens com sua lâmpada acesa, em passiva expectativa da vinda do esposo. O véu, que como um firmamento de bronze cinge entorno ao interior do homem os limites da alma e a impede contemplar a luz eterna, se rasga ao final; mas sua ruptura total não é obra que deva ser encomendada à alma, senão que é ao Espírito, o qual com sua chuva de fogo conhecimento) faz possível a purificação da alma, a quem corresponde deixar cair o véu sutil que separa a luz do conhecer, do reino da sombra. Desde sua mansão de “acima” desce o espírito sobre a alma, desbordada de si mesma, estática em sua cessação, em seu “não ser nada” e o Espírito toma sobre si, como butim para o [[biblia:figuras:pai-mae-filho:filho:start|Filho]] de Deus, o Resto purificado, convertido em outro provado, no último gesto da alma que foi alma e agora é “alma da alma”, quer dizer, Espírito de Deus. Daí vem a [[medievo:tomas-de-aquino:aquino-resurrectio:start|ressurreição dos mortos]] que se opera no espírito cativo, isto é, ignorado, e que o leva à liberdade depois de celebrar as [[evangelho-de-jesus:milagres-de-jesus:bodas:start|Bodas]] sagradas com a alma; daí vem para a alma do homem prudente que confronta com fé, conhecimento e virtude o ódio e a perseguição do mundo por causa do Filho do Homem, a redenção que em cumprimento do evangelho que explicou Jesus, a conduz à última e definitiva bem-aventurança, seu verdadeiro lar eterno (vide [[evangelho-de-jesus:sermao-da-montanha:bem-aventurados:bem-aventurados-quando-vos-injuriarem:start|Bem-aventurados quando vos injuriarem]]). Evangelho de [[evangelho-de-jesus:evangelho-personagens:discipulos-de-jesus:tome:start|Tomé]] - [[gnosticismo:bnh:evangelho-de-tome:logion-81:start|Logion 81]] No evangelho joanico a “túnica sem costura” de Jesus, da qual só no último momento é despojado Cristo, túnica inconsútil, tênue, leve, pura, substitui ao Véu do Santuário que se menciona nos sinópticos. É possível que o evangelista João pretendesse descarregar seu texto da tradição sagrada judaica que supunha a ruptura do Véu do Santuário, mas o rastro do relato sinóptico é perceptível na sobrevivência da locução “de cima a baixo” empregada ao descrever a túnica. Verdade de Deus protegida pelo Véu, Filho do Homem só visível pela túnica de linho, o Cristo manifesto em sua realeza espiritual que cavalga sobre um jumentinho incontaminado ([[evangelho-de-jesus:atos-de-jesus:domingo-de-ramos:start|Domingo de Ramos]]), são três formas testamentárias de descrever a “Vinda”, a entrada sagrada, solene e triunfal em Sião do Rei da Glória [[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:vinda-do-filho-do-homem:start|Vinda do Filho do Homem]]). De qualquer forma, quando o Véu do Santuário se rasgou de cima a baixo, quer dizer, desde a Glória de Cristo até o templo terrestre, para que os homens pudessem contemplar o fulgor de seu Eu Sou, o centurião e os que com ele estavam, que jamais haviam visto o véu, não souberam que se havia rasgado, porque era impossível vê-lo ao pé da cruz, algo devem ter pressentido, posto que disseram: “Verdadeiramente este era Filho de Deus”. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}