===== SABEDORIA (2) ===== //Pierre Deghaye. La Naissance de Dieu ou la Doctrine de Jacob Boehme. Paris: A. Michel, 1985.// * A luz brota no quarto grau do ciclo, sendo simbolizada pelo relâmpago que rasga as trevas e abrangendo tanto o aspecto da escuridão quanto o da luminosidade na revelação divina. * Entendimento da gnose como o conhecimento do bem e do mal, sem que ambos se confundam, visto que a manifestação divina busca a separação deles. * Realização do grande trabalho na natureza primordial por meio do ciclo de sete formas. * Definição da alquimia como a arte da separação por excelência, denominada Scheidekunst, na qual a Sabedoria atua como a artista. * Irradiação da Sabedoria na substância preciosa isolada, que constitui o santo elemento. * Posicionamento da visão do abismo no espelho da Virgem das trevas no quarto grau da natureza eterna. * Configuração desse olhar como o fundamento da fé a partir da perspectiva da criatura. * Necessidade do olhar para o despertar do verdadeiro desejo, assemelhando-se a visão do abismo à descida ao inferno exemplificada por Cristo ao assumir as provações impostas pelo diabo, considerado um auxiliar da justiça divina. * Exigência de que o fiel supere as mesmas provações, sendo a descida ao próprio abismo a penitência que inicia a conversão. * Caráter positivo da visão do abismo por comprovar a atuação da Sabedoria sob a aparência das trevas. * Justificação da primeira fase da manifestação divina como a obra em negro, que serve de prelúdio para o cumprimento. * Acréscimo da visão da luz que surge à visão do abismo. * Representação do inferno e do céu pelo quarto grau da natureza eterna. * A luz constitui primeiramente a visão, residindo inicialmente no olho que tudo vê. * Identificação desse olho com a alma renovada, de modo que a alma luminosa se torna um olho novo. * Manifestação de duas almas no quarto grau da natureza eterna apresentadas como dois olhos, sendo um tenebroso à esquerda e outro luminoso à direita. * Associação do olho esquerdo ao espelho da Virgem das trevas e do olho luminoso ao espelho da Sabedoria. * Condição do olho como seu próprio espelho, fundindo as ações de ver e ser visto, assim como conhecer e ser conhecido. * Figura isolada da luz no quinto grau do ciclo primordial. * Definição da luz como o fogo que brota da pedra e que se liberta das trevas com as quais se identificava. * Caracterização do fogo como liberto de si mesmo, ocorrendo a morte de um fogo para que outro possa nascer. * Atuação da água como elemento que aplaca a impetuosidade do fogo, cuja principal marca é a violência. * Simbolismo da água associado à doçura e à humildade, enquanto o fogo violento, personificado por Marte, se manifesta no orgulho de Lúcifer. * Atribuição da humildade da água à própria Sabedoria. * Representação da Sabedoria por Vênus no quinto grau da natureza eterna, sendo ela a doçura do amor. * Configuração de Vênus como a água que se derrama. * Constituição da luz pelo fogo que perdeu a violência na doçura da água, elemento que extingue o fogo e desarma a violência. * Triunfo de Cristo sobre o inferno por meio da doçura. * Compreensão da água também como o óleo que alimenta a chama para fazê-la brilhar eternamente. * Simbolismo da claridade da chama no quinto grau da natureza como a vida eterna, diferindo do fogo anterior que representava apenas um simulacro de vida. * Fornecimento de substância à chama pela água untuosa, visto que o fogo violento carece de substância. * Definição do fogo violento como o espírito que não se encarna, residindo a substância na doçura. * Necessidade da força do fogo para que a doçura ganhe vida, pois a água faz o fogo morrer, mas absorve a sua força. * Vitória sobre a violência e nascimento da verdadeira força que vivifica a doçura, transformando-a em água viva. * Personificação da água viva pela Sabedoria, definida como o Espírito atuante em uma substância perfeita. * Coloração da água quando o fogo se reflete em um espelho. * A luz se define como o fogo na água, cabendo à Sabedoria matizar essa água e atuar como a tintura universal. * Definição do brilho da luz como a coloração da água vivificada pelo fogo, contrastando com a claridade do Ungrund, que consistia apenas em uma brancura sem brilho. * Manifestação da Sabedoria como o brilho da luz. * Identificação da água tingida pelo fogo purificado com o sangue, existindo para Boehme um sangue da alma de caráter luminoso, relacionado à carne mística que constitui a carne da alma. * Associação desse sangue àquele derramado por Cristo após o golpe de lança para a renovação da terra. * Atuação do sangue como o veículo da Sabedoria e como o óleo no qual queima a vida eterna. * Associação do som manifesto no sexto grau da natureza eterna à luz, de modo que o esplendor divino também se apresenta como uma música. * Configuração de Deus na Sabedoria como um olho e uma visão, mas também como uma voz. * Presença da mesma substância viva tanto no olho quanto na voz. * Comunicação dessa substância a Maria pela voz do anjo Gabriel, transmitindo-se a verdadeira vida pela voz de Deus. * Cumprimento da maternidade da Sabedoria pela voz do anjo, que figura a Face de Deus. * Visibilidade e fala de Deus para se manifestar, sendo a Sabedoria a visibilidade e o olho divino. * Manifestação da Face de Deus segundo o amor, sendo essa Face também uma voz. * Definição da Sabedoria como a voz de Deus segundo o amor simbolizado pelo nome de Jesus dado ao filho de Maria. * Animação do Verbo pela Sabedoria, sendo o Verbo o eterno locutor e a fala do coração de Deus. * Definição do Verbo como o coração vibrante de Deus. * Ação de falar do Verbo antes de se tornar a Palavra, a qual é primeiramente formada na boca de Deus e depois emanada. * Caracterização do Verbo não apenas como o Espírito que fala, mas também como a Palavra pronunciada, que virá a ser a letra. * Definição da alma de Deus como a primeira emanação, sendo por excelência a Palavra proferida. * Compreensão da alma eterna como o Verbo expresso. * Configuração da alma primordial como uma energia saída da boca de Deus, que se condensa, se diversifica e depois se reunifica. * Atuação da Sabedoria como o princípio e a causa final desse processo. * Identificação da Sabedoria com o Verbo que fala em uma eternidade transcendente à natureza. * Aparição do Verbo como algo distinto de seu princípio em um momento posterior. * Reunião da Sabedoria e do Verbo quando o ciclo se encerra. * A Palavra proferida constitui tanto a letra do Verbe quanto a energia que a compõe, permanecendo como energia mesmo após ser pronunciada. * Manifestação negativa dessa energia quando ela estreita o corpo da Palavra para transformá-la na letra que aprisiona o espírito. * Reexpressão da Palavra pela energia ao romper a letra. * Caracterização da alma como uma energia e uma palavra, sendo ela própria a força que comprime a alma e a transforma, no nascimento, no arquétipo de todos os corpos. * Definição dessa força negativa como um demiurgo que prefigura aquele da Gênese no nível da alma eterna. * Nomeação desse demiurgo no vocabulário de Boehme como verbum fiat, associando o Verbo à entidade saturniana do primeiro grau da natureza. * Atuação do verbum fiat como o Verbo que faz existir la natureza primordial, confundindo-se com a natureza tenebrosa. * Identificação do verbum fiat da Gênese com o mundo criado, tornando-se um Verbe criado. * Denominação do nosso mundo como um Verbo formado, ou Geformt, gebildet, significando a materialização em formas que são corpos. * Presença da Sabedoria como o princípio incriado sob a aparência desse Verbo criado, mantendo-se absolutamente transcendente a ele. * Compreensão do Verbo proferido na natureza primordial como a letra que se estreita e encarcera o espírito. * Definição da letra não apenas como um corpo estático, mas como aquilo que imobiliza. * Caracterização da letra como uma potência de morte, em que o espírito vivifica e a letra mata. * Confusão do Verbo manifesto no limiar da natureza eterna com essa potência de morte, enquanto a Sabedoria representa a vida eterna. * Definição da Sabedoria como a vida, embora ela não crie no nível da natureza tenebrosa. * Aplicação da maternidade da Sabedoria, manifestada no símbolo da água viva, exclusivamente no plano de uma segunda criação. * Geração e criação pela Sabedoria operadas apenas segundo o Espírito, tal como ocorreu no ventre de Maria. * Recriação da Palavra ao se libertar da letra, ocorrendo tanto a sua imobilização quanto a sua reexpressão. * Configuração da Palavra recriada como o espelho da Sabedoria e o corpo perfeito do Espírito. * Atuação da Palavra como a energia que anima esse corpo. * Concepção de Boehme de que todo corpo é uma energia, seja imobilizada e obscurecida, seja em ato e percebida como uma luz. * A Palavra se transforma em um espelho quando se torna luminosa e liberta das trevas da letra, pois toda luz funciona como um espelho. * Identificação do Verbo com a parte preciosa da alma que ele manifesta no sexto grau da natureza eterna. * Caráter luminoso do Verbo, sendo o mesmo que operará a segunda criação pela qual se acede a uma vida nova. * Unidade entre esse Verbo e a Sabedoria, definindo-se ele como a inteligência divina, ou Verstand, e a voz de Deus. * Definição do Verbo como o discurso divino que se grava na substância da alma regenerada. * Caracterização do Verbo como a Palavra que se reexpressa eternamente, sendo simultaneamente Palavra falada e Palavra que fala. * Identificação da Sabedoria com esse próprio discurso divino. * Percepção da Palavra divina manifestada no sexto grau da natureza — a Palavra de Vida — como uma música. * Despertar da audição e dos outros sentidos na primeira fase da natureza eterna. * Condição da audição ainda como um órgão rudimentar que percebe o que está à sua imagem. * Definição da alma como o ouvido que escuta e também como o que é escutado. * Redução da alma ao ruído nesse estágio, refletindo a condição da criatura não liberta no mundo. * Configuração da alma como uma harmonia e uma música quando a luz passa a reinar. * Atribuição da verdadeira alegria a essa harmonia, também simbolizada no sexto grau da natureza eterna. * Presença da unidade derradeira na harmonia representada pelo som nesse grau. * Distinção dessa unidade em relação à simplicidade primeira do Ungrund. * Visão de Boehme de que o Um não se manifestaria se permanecesse apenas o Um, realizando-se toda revelação por meio de uma divisão. * Cessação da divisão quando a revelação se cumpre verdadeiramente, manifestando uma unidade que é consonância. * Configuração dessa unidade como uma vitória sobre a dissonância. * Caráter dissonante do fogo obscuro e do desejo que ele representa. * Definição da luz como a consonância e como o amor que une as vozes. * Identificação da dissonância com o tormento da alma entregue às angústias expressas pela palavra Angst. * Nascimento da alegria manifestada nesse ponto dentro do cadinho da aflição. * Caracterização dessa alegria como substancial e como a causa final do sofrimento. * Identificação da Sabedoria com essa causa final. * Atuação da sétima forma do ciclo setenário como o espelho da Sabedoria plenamente manifestada. * Definição da sétima forma como o corpo de todas as outras ou o corpo do Espírito. * O corpo gerado no início do ciclo, arquétipo de todos os corpos grosseiros, constitui apenas dissonância, enquanto o corpo novo se caracteriza essencialmente como uma consonância. * Fusão mútua de todas as qualidades sensíveis que tecem o corpo novo, em vez de se oporem como o frio e o calor. * Expressão da unidade dessas qualidades, formas ou espíritos no corpus que elas compõem. * manifestação ou imagem suprema dessa unidade. * Concentração de toda a imaginação da alma eterna nessa imagem harmoniosa ligada à Sabedoria. * Transmutação e sublimação de cada qualidade, perdendo o seu caráter agressivo e tenebroso. * Supressão das trevas na manifestação final. * Presença da plenitude na luz exclusiva cuja alma é la Sabedoria. * Sinonímia entre plenitude e acabamento, sendo a unidade derradeira o repouso que marca a consumação do tempo. * Cessação do devir e representação do sabá pela sétima forma. * Definição da alegria manifestada nesse estágio como a felicidade do repouso, sinal da perfeição conquistada sobre o devir. * Distinção desse repouso frente à imobilidade do Ungrund, pois ele ainda configura um movimento, mas tão perfeito que é percebido como repouso. * Sugestão desse repouso pelo movimento circular dos astres. * Concepção do movimento do céu eterno no término do ciclo septiforme por analogia com o céu terrestre. * Existência da roda das sete formas na natureza primordial como o arquétipo da roda planetária. * Correspondência de um planeta para cada forma. * Aparição simultânea de todas as qualidades devido ao movimento perfeito do círculo em relação ao centro onde irradia a luz. * Configuração da eternidade manifestada nessa esfera superior como uma perfeita simultaneidade. * Fim da sucessão das formas uma a uma devido à cessação do devir. * Atividade de todas as formas em uma só, que serve de morada para elas. * Conversão do tempo na simultaneidade do espaço. * Presença do repouso nessa plenitude que constitui uma unidade viva. * Caracterização do Un primordial como uma unidade sem vida, dado que o Ungrund não conhece a vida. * Definição da verdadeira alegria como aquela da vida perfeitamente compassada. * Personificação da alegria do repouso pela Sabedoria, que também atua como a alma do movimento perfeitamente controlado. * Atribuição da bem-aventurança à perfeição desse movimento. * Tradução da alegria, que é efeito e alma desse movimento cumprido, pela expressão webende Lust. * Percepção dessa alegria pelos anjos que escutam o concerto divino. * Identificação da música divina com o movimento perfeito. * Configuração do corpo que manifesta la Sabedoria como o repouso das formas e também como esse movimento. * Definição desse corpo como um corpo de luz e como a vibração da luz. * Transformação da claridade do Ungrund — que não era luz nem trevas — em algo luminoso graças ao movimento. * Caracterização do movimento do sétimo dia como o do desejo em perfeito repouso por estar eternamente satisfeito. * Expressão do desejo de amor pelo movimento do sétimo dia. * Definição do outro desejo como um movimento furioso pertencente à alma entenebrecida. * Encontro da alma consigo mesma ao desabrochar na paz, sendo o encontro de si a descoberta do repouso. * Presença da plenitude possível da alma no repouso. * Identificação do Deus do sétimo dia com o Deus que encontrou a si mesmo. * Personificação desse Deus que se encontrou no término de seus caminhos pela Sabedoria. * Presença do repouso na fixidez da matéria preciosa que resulta do ciclo septiforme. * Caracterização do movimento como o eterno derramamento dessa matéria. * Representação da perfeição convertida em substância por meio dessa matéria. * Reunião das propriedades sólida e fluida no mar de cristal. * Associação desse símbolo extraído do Apocalipse à Sabedoria no término da natureza eterna. * Representação da natureza perfeita transformada no corpo da Sabedoria por esse símbolo. * Significado do cristal como a transparência perfeita, que difere da claridade do Ungrund. * Atribuição da transparência apenas a um corpo atravessado pela luz, sendo sinônimo de pureza. * Expressão da comunicabilidade da luz pela transparência. * Caracterização da Sabedoria como a pureza do corpo precioso no qual ela irradia. * Identificação da Sabedoria com a virgindade desse corpo. * Definição da Sabedoria como a alma da luz que o penetra por todos os lados. * Personificação do Deus que se comunica pela Sabedoria, cuja virgindade é eminentemente fecunda. * Identificação da Sabedoria com o dom de Deus. * Aparição da Sabedoria como o amor de Deus que irradiará na criação ao término da emanação primordial. * Presença da Sabedoria como a graça de Deus que habitará a criatura quando esta adquirir o privilégio do segundo nascimento. * Atuação da Sabedoria como a causa desse novo nascimento sob a veste da graça. * Configuração do corpo preenchido pela Sabedoria divina no término da natureza eterna como um segundo mysterium magnum. * Contenção antecipada de todas as obras divinas que se cumprirão nas almas singulares por esse corpo. * Inclusão indistinta das obras nesse mysterium magnum, razão pela qual ele também é chamado de caos. * Paradoxal denominação de mistério para um corpo manifestado na luz. * Representação efetiva de um mistério pelo fato de as destinações contidas ainda não serem conhecidas. * Ausência de formação das destinações segundo a singularidade de cada uma. * Permanência do segundo mysterium magnum como mistério na expectativa de uma última manifestação que o explicitará. * Caracterização do mistério como a flor que se abrirá no homem. * Adequação do mysterium magnum do término da emanação septiforme à Sabedoria, assemelhando-se àquele que o precedeu fora da natureza. * Distinção de que as obras nele implicadas não são mais pensamentos abstratos. * Transformação dessas obras em verdadeiras sementes que se comunicarão e se desenvolverão na criação. * Posicionamento no limiar da criação, cujas primeiras criaturas são os anjos. * Definição do céu dos anjos como a sua própria carne. * Identificação desse céu supremo com a substância perfeita manifestada no corpus da natureza eterna. * Caracterização desse céu como substância e ao mesmo tempo como um movimento cumprido. * Identificação do céu dos anjos com o paraíso e com a terra ideal. * Definição dessa terra como uma carne. * Identificação da substância perfeita em que irradia a Sabedoria com a carne dos anjos que será dada ao filho de Maria. * Realização dessa doação segundo a maternidade virginal da Sabedoria, da qual a carne se tornará o trono. * Denominação dessa substância como a carne de Cristo, descrita como carne celeste que não se confunde com a carne vil do filho de Maria. * Configuração do céu primordial como um corpo de luz formado por todos os anjos reunidos. * Existência de diferentes coros de anjos. * Caracterização de cada coro como um corpo glorioso que recebe o nome de seu chefe. * Ocupação por um dos coros do lugar destinado ao nosso mundo. * Nomeação do anjo que é a cabeça e o próprio corpo desse coro como Lúcifer. * Beleza de Lúcifer ajustada à medida que rege toda a perfeição criada. * Desejo de Lúcifer de ser ainda mais belo. * Pretensão de Lúcifer de avivar o brilho de seu corpo de luz. * Necessidade de recriar o próprio corpo para atingir esse fim. * Reativação do fogo primordial por Lúcifer, resultando em uma catástrofe. * Ateamento do incêndio por Lúcifer. * Perda do céu por Lúcifer — que antes o representava em sua carne — e seu sepultamento no abismo. * Devastação do lugar que deveria ser o nosso universo por Lúcifer. * Necessidade de recriação do lugar devastado. * Chegada à Gênese, compreendida na verdade como uma restauração. * Foco na criação do nosso macrocosmo, descrita como uma restauração imperfeita, mas incluída no conselho eterno de Deus. * Intenção de evocar posteriormente a criação do homem. * Aparição das duas fases da natureza eterna como duas formas específicas de existência, sendo uma tenebrosa e outra luminosa. * Geração e reprodução dessas duas formas de existência. * Denominação dessas formas como princípios por Boehme. * Definição das trevas como o primeiro princípio e da luz como o segundo. * Existência de um terceiro princípio no sistema de Boehme, correspondente ao nosso mundo e macrocosmo. * Caracterização do terceiro princípio pela dualidade entre a luz e as trevas. * Impossibilidade de escapar dessa contradição por qualquer criatura feita à imagem desse mundo. * Condição do homem não regenerado como alguém dilacerado entre o bem e o mal enquanto permanecer à semelhança desse mundo. * Definição do terceiro princípio como a dualidade entre os dois primeiros. * Presença simultânea das trevas e da luz no nosso mundo, que representa esse terceiro princípio. * Necessidade de abandonar esse mundo para encontrar realmente a luz. * Caráter perpetuamente tenebroso da dualidade. * Constatação de que o nosso mundo não é necessariamente o inferno, embora frequentemente se confunda com a geena. * Ocultamento da luz pelas trevas no seio do mundo. * Indistinção entre as trevas e o inferno. * Sinonímia entre dualidade e trevas. * Incapacidade do homem terrestre, sujeito à dualidade, de alcançar a luz por recursos próprios. * Desespero do homem se for abandonado a si mesmo. * Fornecimento do modelo de desespero pela primeira fase do ciclo da natureza eterna. * Representação de outra natureza pelo céu do nosso mundo em comparação com o céu dos anjos. * Definição do céu dos anjos como a matéria perfeita resultante do ciclo da emanação septiforme. * Identificação dessa matéria com a substância que Boehme denomina terra do paraíso. * Unidade entre essa terra virginal e o empíreo, sendo chamada de o elemento. * Oposição do termo no singular ao plural dos quatro elementos. * Atuação do simbolismo do ciclo primordial sobre os quatro elementos: o fogo, o ar, a água e a terra. * Unidade dos quatro elementos quando a natureza eterna está plenamente manifestada. * O elemento, empregado no singular, constitui uma terra e também um fogo transformado em luz, definindo-se como único e indivisível. * Caracterização do elemento como o ar que nasce do fogo e o ativa. * Identificação do elemento com a água viva. * Presença da unidade última na indivisão do elemento. * Definição dele como o elemento puro, cuja virgindade equivale à integridade. * Caracterização do nosso mundo pela pluralidade dos quatro elementos. * Recusa em ver a quaternidade como um símbolo de perfeição ou plenitude no pensamento de Boehme. * Interpretação da quaternidade como o sinal de uma natureza inferior. * Ocultamento da Sabedoria pela quaternidade, estando aquela presente em cada um dos quatro elementos, mas de forma inacessível. * Significado do número quatro como a unidade perdida e fora de alcance. * Contraponto com a hermenêutica de C.G. Jung, para quem a quaternidade representa a totalidade perfeita. * Visão de Boehme de que a quaternidade configurava apenas a totalidade despedaçada. * Configuração do nosso mundo à imagem da quaternidade. * Existência de um Deus para o nosso mundo, do qual este é espelho e vice-versa. * Identificação desse Deus com o Deus dos quatro elementos e o Deus dos astros. * Definição desse Deus como o Espírito do macrocosmo. * Compreensão do Espírito do macrocosmo, ou spiritus mundi, como uma forma do Verbo proferido. * Identificação do espírito com o nosso macrocosmo, do qual ele é o demiurgo. * Distinção entre esse Verbo criado e a Sabedoria, a qual se une apenas ao Verbo incriado, apesar da analogia existente entre eles. * Atuação do spiritus mundi como o demiurgo. * Caracterização do espírito como o artista que separa e esculpe as formas para fazê-las existir conforme as realidades singulares do nosso mundo. * Definição do espírito como o Verbo separador. * Atuação do espírito como o espelho no qual as formas surgem para ser criadas. * Semelhança da alma do mundo, chamada spiritus mundi, com a Sabedoria por ser o mysterium magnum no qual as coisas futuras estão guardadas. * Apresentação da versão exteriorizada do mistério por essa alma do mundo. * Definição do Espírito do macrocosmo como o mysterium magnum no terceiro grau. * Aparição das formas no último mistério tais como serão quando forem extraídas dele. * Distinção mútua entre as formas. * Atuação da alma do mundo como o princípio de individuação que faz cada ser existir por si mesmo. * Caracterização da alma do mundo como a Mãe segundo a nossa natureza terrestre. * Identificação da alma do mundo com o Espírito dos astros, correspondente ao astrum de Paracelso. * Personificação do nosso céu visível pela alma do mundo. * Condição dela também como o Deus da nossa terra. * Denominação dada por Boehme como um Deus terrestre. * Identificação da alma do mundo com o Espírito deste mundo. * Distinção entre a alma do mundo e a Sabedoria. * Representação do mysterium magnum pela alma do mundo em um plano diferente. * Distinção entre a alma do mundo e o diabo. * Caracterização dela como o Espírito deste mundo que provocou a perda de Adão. * Atribuição da falta de Adão à projeção de seus pensamentos no espelho do spiritus mundi, abandonando a contemplação do espelho da Sabedoria. * Revestimento do Espírito do macrocosmo com a aparência do diabo que por ele se expressa. * Atribuição do castigo de Adão ao spiritus mundi e não a Deus. * Afirmação de que o verdadeiro Deus não puniu Adão. * Definição do verdadeiro Deus exclusivamente como o Deus de amor. * Aparição da Divindade sob o aspecto de sua ira antes de se manifestar como o verdadeiro Deus. * Revelação de Deus segundo o seu amor apenas para aqueles em quem a sua caridade se derramou substancialmente. * Redução de Deus à ira para os demais indivíduos. * Identificação do Deus da ira com o Deus do mundo do qual esses indivíduos são prisioneiros, correspondendo ao terceiro princípio. * Identificação do Deus deles com o spiritus mundi. * Tomada do spiritus mundi como o verdadeiro Deus por aqueles que só o conhecem. * Representação da ira pela Lei dada a Moisés. * Identificação do spiritus mundi como o mesmo Deus que pune Adão e entrega a Lei a Moisés. * Manifestação da ira pela alma do mundo, enquanto a Sabedoria personifica a misericórdia. * Definição do puro elemento — substância da graça divina — como o corpo da Sabedoria. * Formação de uma natureza que não constitui a morada de Deus pelos quatro elementos. * Caracterização da alma do mundo como o Deus da criatura não liberta das trevas. * Identificação dela com o Deus da Antiga Aliança. * Significado do advento da Sabedoria no ventre de Maria, mãe de Cristo, como o fim dessa Aliança. * Permanência do homem nascido após Cristo sob a Antiga Aliança caso ele não seja habitado pela Sabedoria. * Contemporaneidade de Cristo para todos os homens unidos à Sabedoria. * Contemporaneidade de Moisés para os demais homens. * Identificação do Deus deles com o Deus da Lei, o spiritus mundi. * Definição do Espírito do macrocosmo como o espelho do nosso mundo e simultaneamente seu criador. * Constatação de que nem tudo é negativo no nosso universo. * Possibilidade de imaginar outro céu manifestado segundo a natureza eterna a partir do movimento do nosso céu que parecia um repouso. * Existência de uma analogia entre os dois céus, sem a qual o desejo do homem não seria despertado. * Finalidade da criação do nosso mundo voltada para a manifestação das obras divinas. * Inclusão dessa criação no plano eterno personificado pela Sabedoria. * Integração da criação do nosso mundo na revelação. * Configuração do demiurgo e Espírito do macrocosmo também como o instrumento da bondade divina, e não apenas como cúmplice do diabo. * Atuação dele como espelho deste mundo e também do mundo superior. * Incomparabilidade entre o espelho do spiritus mundi e o da Sabedoria. * Oferecimento de apenas um reflexo das coisas pelo espelho do espírito, em vez de manifestá-las segundo a realidade substancial. * Devolução a uma realidade situada em outro lugar, à semelhança dos espelhos terrestres. * Caracterização das formas vistas nele apenas como simulacros. * Utilidade transitória desse espelho. * Caráter perecível do espelho, assemelhando-se ao nosso corpo mortal que é o espelho do macrocosmo. * Necessidade de quebrar o espelho após o uso e direcionar o olhar para o outro espelho ao qual ele remete. * Identificação desse outro espelho com o da Sabedoria. * Representação de uma perfeição relativa pelos astros. * Sensibilidade de Boehme à beleza do nosso céu, a qual é por ele louvada. * Necessidade de saber de qual natureza se fala e em qual nível se situa o propósito quando se afirma que toda revelação está contida no livro da natureza. * Definição do verdadeiro livro como o da Sabedoria manifestada no seio da natureza eterna. * Redução da nossa natureza à condição de letra do livro. * Necessidade de se libertar da letra para ler o verdadeiro texto. * Início de toda leitura obrigatoriamente pela letra. * Descoberta de outra escrita graças ao espírito que se oculta sob a letra. * Reconstituição dessa outra escrita pela alma que lê. * Orientação da leitura exercida por essa mesma escrita oculta. * Presença da Sabedoria nesse texto místico que constitui a fonte e o fruto dos pensamentos. * Formação do céu supremo pelas letras desse texto, cuja substância se incorpora à nossa carne nova para ser o pensamento vivo ou a imaginação. * Transformação do indivíduo em seu pensamento encarnado, sua imaginação e seu amor. * Identificação com o céu, com a ressalva de que se deve saber qual céu. * Definição do Espírito do macrocosmo como o espírito dos astros que ilumina a razão humana. * Procedência e nutrição dessa razão — chamada Vernunft e não Verstand — a partir do spiritus majoris mundi. * Distinção dessa razão frente à inteligência denominada Verstand por Boehme, que se identifica com a parte superior da alma. * Simbolismo dessa inteligência divina no sexto grau da natureza eterna juntamente com o discurso divino. * Vinculação da inteligência à Sabedoria eterna. * Incapacidade da razão humana de se elevar a Deus por si mesma. * Apreensão exclusiva do astrum que a gera por parte da razão. * Configuração da razão à imagem da criatura sujeita à alma do mundo. * Redução da apreensão da razão à letra, visto que o céu do qual ela procede constitui a letra da criação. * Distinção entre a luz dispensada pelo astrum e a luz divina. * Distinção também entre a luz do astrum e aquela que o sol espalha no universo. * Superioridade da luz do sol em relação à luz do astrum. * Definição do sol como o coração e a alma dos astros, sendo aquilo que lhes confere vida. * Superioridade do sol sobre o Espírito dos astros, que é a alma do mundo ou spiritus mundi. * Caracterização do sol como outro Deus da nossa natureza, superando o astrum, que é Deus terrestre e príncipe do nosso céu. * Irradiação do sol no astrum e no mundo a este relacionado. * Redução do astrum a um fogo tenebroso caso carecesse da luz solar, à semelhança do fogo da primeira fase do ciclo da natureza eterna. * Aniquilamento de toda vida nos quatro elementos sem a presença do sol. * Identificação do astrum com o inferno na ausência do sol. * Distinção entre a luz do nosso sol e a luz manifestada no ciclo primordial. * Procedência da luz solar a partir daquela do ciclo primordial. * Conservação das virtudes daquela luz na luz solar, embora de forma enfraquecida. * Harmonização das qualidades na natureza exercida pela luz solar, assemelhando-se à luz divina em menor grau. * Atuação da luz solar como um princípio de crescimento harmonioso. * Presença na luz solar da tintura apropriada à Sabedoria que sublima o fogo da natureza. * Irradiação da Sabedoria no macrocosmo graças à luz do nosso sol. * Atuação do sol como o mediador que permite ao Deus transcendente exercer a sua presença no universo. * Configuração dessa presença como causa de alegria e perfeição. * Limitação da vivificação da luz solar apenas à parte mortal da natureza criada. * Ausência de transformação da natureza pela luz solar, não a fazendo conhecer segundo o seu princípio mesmo que a luz divina esteja presente sob sua aparência. * Caracterização da presença de Deus no mundo terrestre — excluindo a graça na alma transformada — como uma presença de imensidão. * Distinção dessa presença frente àquela particular e substancial que se manifesta apenas no homem desperto para a verdadeira vida. * A luz do sol se comunica ao astrum e atenua os seus rigores, constituindo uma fonte de vida e de alegria que faz crescer os metais na terra e frutificar as árvores. * Representação da fatalidade que rege o nosso mundo pelo astrum. * Definição da alma do mundo como o fatum em contraposição à liberdade simbolizada pela Sabedoria, que se manifesta verdadeiramente apenas no homem. * Sujeição do homem a essa fatalidade na medida em que ele se identifica com o macrocosmo do qual é espelho. * Libertação do homem quando ele escapa ao terceiro princípio segundo outra dimensão de seu ser. * Atuação da fatalidade dos astros nos quatro elementos que determinam as complexições do corpo humano e a vida do corpo do mundo. * Presença da fatalidade na alternância entre o dia e a noite, assim como entre a vida e a morte, que constitui a regra do tempo. * Identificação do espírito do macrocosmo com o Tempo, figurado por um relógio cósmico que consiste em uma roda cuja rotação explicita o mysterium magnum. * Definição desse relógio como o mistério em devir, contendo todas as destinações. * Chamado dos seres à existência de maneira sucessiva por meio do movimento do relógio. * Realização da criação por meio desse movimento. * Separação e implantação dos seres no tempo ideal por meio da sucessão, cada qual com sua singularidade demarcada. * Continuidade da criação em todos os momentos do devir. * Atuação do Espírito do macrocosmo como o criador e o separador. * Configuração do tempo ideal do ciclo da natureza eterna como o arquétipo do nosso tempo figurado pelo spiritus mundi. * Substituição do devir primordial por uma eternidade relativa após a sua consumação. * Representação dessa eternidade por um movimento circular cuja perfeição torna simultâneos todos os aspectos do devir. * Identificação dessa simultaneidade com a imagem da eternidade perfeita. * Realização da simultaneidade no espaço circunscrito pelo corpo da Sabedoria no sétimo grau do ciclo primordial. * Imitação do ciclo da natureza eterna pelo ciclo sideral regido pelo spiritus majoris mundi. * Cumprimento do ciclo da natureza eterna no corpo da Sabedoria segundo a sua perfeição. * Simbolização de cada uma das sete formas por um planeta em ambos os ciclos. * Desenvolvimento do ciclo sideral estritamente nos limites do tempo. * Sucessão dos graus um a um no ciclo sideral, isolando as qualidades de cada um. * Determinação das essências das coisas por essas qualidades. * Predomínio de uma determinada qualidade sobre as outras em um momento dado. * Posição da qualidade dominante no topo da roda cósmica. * Oposição das qualidades quando se manifestam separadamente. * Transformação de cada qualidade em algo excessivo, afirmando-se como vontade própria e lutando pelo predomínio. * Intensificação dos aspectos negativos devido a essa oposição. * Retorno da amargura à condição de veneno quando aparece isolada, em contraste com sua integração no concerto divino no mistério da Sabedoria, onde perdera a violência sob o efeito da doçura para se tornar virtude vivificante. * Atenuação dos excessos pela doçura da nossa luz. * Possibilidade de a vida prevalecer sobre a morte graças a essa doçura. * Caráter sempre efêmero dessa vitória. * Identificação do sol com o amor, amando todas as plantas sem distinção. * Extinção do fogo da ira que ferve nos elementos por meio do sol. * Ação de adoçar e conciliar exercida pela luz solar. * Incapacidade da luz solar de colocar um fim definitivo à discórdia. * Posse das virtudes da luz divina pela luz do sol, da qual procede. * Exercício dessas virtudes em menor grau pela luz solar. * Incapacidade de impedir catástrofes como a guerra, o assassinato e a peste. * Permanência da fatalidade representada pelo spiritus mundi. * Simbolização do antagonismo entre as qualidades pelo próprio espírito do macrocosmo, opondo-se como o quente e o frio. * Luta entre os elementos que, enquanto forem quatro, permanecem inimigos como o fogo e a água. * Condição do nosso sol como único símbolo de concórdia no céu, embora sua luz não preencha todo o universo. * Configuração do sol como a imagem da Sabedoria que irradia em uma natureza perfeita, possuindo parentesco real com ela. * Manifestação da luz da Sabedoria no quarto grau da natureza eterna. * Brilho da luz do sol no quarto dia da Gênese. * Significado do paralelismo entre as duas luzes. * Necessidade do desaparecimento do nosso sol para que se passe de uma luz à outra. * Irradiação da Sabedoria no nosso mundo graças à nossa luz. * Ocultamento da Sabedoria sob a aparência do sol visível, que diminui os seus efeitos. * Ausência de sol na nova Jerusalém, apesar do reino da luz em todas as suas partes. * Caráter eminentemente positivo do sol. * A rotação da roda cósmica gera uma infinidade de movimentos desordenados e contraditórios, mas se realiza ao redor de um ponto fixo que é o sol. * Heliocentrismo resoluto de Boehme. * Posição do sol como o centro do mundo para Boehme. * Rotação das planetas — que representam as qualidades de onde decorre a realidade das coisas criadas — ao redor desse centro imóvel. * Definição do sol como o coração do mundo e como um símbolo de repouso diante do movimento perpétuo da nossa natureza. * Imobilidade do sol e da luz. * Propagação da luz sem aparência de movimento. * Presença da vida e do brilho na luz. * Produção desse brilho pela tintura. * Identificação da tintura com a vida e o movimento na luz que parece imóvel. * Orientação de toda vida para um centro que constitui o seu coração. * Residência da suprema perfeição nesse centro. * Presença da finalidade de toda vida nessa perfeição, que representa a sua plena medida. * Desabrochar verdadeiro da vida apenas a partir desse centro. * Configuração da vida como perfeitamente ordenada e igual em todos os seus aspectos após esse desabrochar. * Sinonímia entre essa igualdade e o repouso no pensamento de Boehme. * Identificação do desabrochar da vida com o seu próprio movimento. * Voltado de toda vida para o sol por ser ele o seu centro. * Transcendência desse centro em relação à vida, embora esteja no seu fundo. * Presença da transcendência na profundidade das coisas. * Associação do distanciamento à profundidade. * Existência de uma profundidade que é apenas abismo e que engole o indivíduo. * Existência de outra profundidade de caráter substancial que se penetra para a ascensão. * Condição do sol como o coração do céu e da terra, mantendo-se transcendente a eles. * Caráter relativo dessa transcendência em comparação com a da Sabedoria. * Transcendência do sol em relação ao nosso céu visível na dimensão da profundidade. * Ocupação de um lugar metafísico pelo sol em relação ao céu e à terra. * Identificação desse lugar com aquele onde fora colocado Lúcifer, o anjo radiante. * Irradiação da Sabedoria nesse lugar, que constitui o coração de Deus. * Permanência do lugar mesmo após o afastamento de Lúcifer, constatando-se que foi ele quem se retirou quando a Sabedoria o deixou. * Ocupação posterior desse lugar por Adão, que também o desertará ao se desviar da Sabedoria. * Transformação do lugar na morada de Cristo. * Unidade de lugar entre o coração de Deus e o coração do nosso mundo. * Presença do verdadeiro fundo de toda vida nesse local comum. * Permanência de diferenças de natureza apesar desse homocentrisme. * Distinção entre o coração do nosso mundo e o coração de Deus. * Definição do coração de Deus como o coração eterno, sendo o outro apenas a aparência exterior. * Orientação da nossa natureza para o sol. * Identificação do objeto de desejo da natureza com o coração eterno. * Manifestação do coração eterno apenas no fim do mundo, quando o nosso sol desaparecer. * Semelhança entre o corpo do mundo no qual o sol brilha e o corpo do homem em sua condição mortal. * Presença de um coração nesse corpo, atuando como centro a partir do qual a vida irradia. * Imperfeição dessa vida, caracterizada como a forma mais exterior e alheada da vida universal. * Necessidade de conduzir essa vida de volta à vida profunda que nela se esconde. * Exigência de uma verdadeira ruptura de nível para passar de uma vida à outra. * Necessidade de abolição da vida mortal em vez de sua afirmação com a fúria do desespero. * Realização desse reviramento no homem com o concurso da criatura. * Realização do processo no macrocosmo pela única vontade de Deus e no fim do mundo. * Retorno do mysterium magnum à unidade do primeiro elemento — o elemento puro — quando este mundo passar. * Permanência dessa unidade no fundo das coisas. * Atuação da unidade como o fator de coesão da vida apesar de todas as contradições. * Presença da unidade como o elo oculto entre todas as existências. * Sustentação conjunta do céu e da terra graças a essa unidade, a despeito da separação deles. * Ausência de manifestação da unidade em um período intermediário. * Condição do sol como o espelho da Sabedoria. * Necessidade de quebra também desse espelho solar. * Subsistência exclusiva do espelho que representa a Sabedoria em pessoa. * Definição desse espelho final como sem mancha, próprio da atividade de Deus e imagem de sua excelência. * Evocação do espírito do macrocosmo, da criação de seu universo e de seu devir. * Intenção de falar sobre a criação de Adão e o futuro de sua posteridade. * Criação de Adão com dois corpos. * Definição de um dos corpos como de luz, imagem perfeita da forma humana figurada eternamente pela Sabedoria e também dada a Lúcifer. * Definição do outro corpo como tenebroso, feito à semelhança do spiritus mundi. * O corpo de luz se apresenta inicialmente como o único visível, mas Adão o perde em seguida, fazendo com que o corpo vil e grosseiro apareça como imagem de seus pensamentos pervertidos. * Representação da Sabedoria pelo corpo de luz, também denominado corpo de cristal. * Afastamento da Sabedoria quando Adão perde esse corpo luminoso. * Relação do outro corpo com o Deus deste mundo, o spiritus mundi. * Submissão de Adão a esse mestre que governa o mundo segundo a ira de Deus após a perda da esplendidez. * Percepção inicial da voz da ira por Adão ao ouvir passos no jardim após a consumação do pecado. * Medo de Adão ao descobrir a própria nudez, que reflete a imagem do Deus deste mundo. * Citação da frase correspondente ao temor de Adão: — Jurei ter medo porque estou nu. * Simbolismo do corpo nu de Adão associado à dualidade que caracteriza o terceiro princípio personificado pelo spiritus mutoris mundi. * Condição de Adão como virgem antes da queda. * Significado da virgindade como sinal de uma unidade perfeita, sendo o corpo glorioso feito do único elemento. * Transformação de Adão em homem e mulher após o pecado, ocorrido durante o sono. * Projeção da imaginação pervertida sobre a aparência dos animais, levando à descoberta do próprio corpo animal. * Manifestação do corpo animal exclusivamente sob o aspecto de dois corpos separados. * Definição da dualidade dos sexos — sinônimo de discórdia — como a fatalidade que sobrecarrega Adão ao perder a Sabedoria. * Extensão dessa fatalidade à posteridade de Adão. * Ausência de manifestação do Deus do jardim apenas segundo a ira. * Presença também do Deus de amor, simbolizado pelo nome de Jesus. * Audição posterior da voz da misericórdia. * Atuação do Deus de amor quando a voz promete a Eva a vitória de sua posteridade sobre a serpente. * Identificação dessa posteridade com o Christo filho de Maria. * Esmagamento da cabeça da serpente por uma semente, conforme a Vulgata imitada por Lutero. * Condução dessa semente pela voz de Deus no pensamento de Boehme. * Penetração da semente no ventre de Eva no momento em que a voz ecoa no jardim. * Prefiguração da Anunciação por esse evento. * Identificação da semente com o santo elemento que alimentará e gerará o homem novo. * Retorno da habitação da Sabedoria em Adão quando a semente germinar. * Renovação da pessoa de Adão operada apenas em sua posteridade. * Ocultamento inicial da semente nas profundezas da criatura, permanecendo como morta. * Condição da humanidade nascida de Adão como adormecida no túmulo enquanto a semente não despertar. * Identificação da alma pervertida com o túmulo. * Identificação da semente depositada no ventre de Eva com o tesouro enterrado no campo. * Configuração da alma não regenerada como a terra grosseira e o campo. * Identificação da Sabedoria com o tesouro escondido. * Compreensão da semente transmitida pela voz — mas que ainda não frutifica — como o espírito aprisionado na letra da Palavra divina. * Caracterização da criatura que a recebe como o homem caído que ouve o passo de Deus, mas não consegue ver Deus. * Início da revelação pela letra, que se apresenta como uma promessa. * Realização da promessa dependente da saída da alma de seu estado de sono. * Identificação da vida tenebrosa da criatura não regenerada com o sono de Adão, que se assemelha à morte. * Produção exclusiva da imagem da morte por essa vida. * Regeneração da vida operada apenas segundo essa mesma imagem. * Nascimento da alma humana para si mesma somente quando o tempo for consumado. * Simbolização desse cumprimento por Maria, mãe de Cristo, que marca o término da Aliança concluída segundo o tempo deste mundo. * Produção do despertar pela voz do anjo Gabriel que penetra em seu ventre. * Transformação de Maria em templo da Sabedoria após receber a Palavra viva em total obediência. * Condição de Maria como filha de homem concebida segundo a humanidade terrestre. * Parto de Cristo como homem terrestre por Maria, na condição de filha de Adão. * Geração de Cristo segundo a humanidade celeste pela Sabedoria, da qual Maria se tornou o trono. * Ocorrência de um duplo nascimento, sendo um terrestre e outro celeste. * Presença da divindade de Cristo em sua carne celeste recebida da Sabedoria. * Formação dessa carne na alma de Maria transformada em uma matriz de água viva. * Configuração do corpo celeste de Cristo como a perfeita imagem de Deus. * Transformação de Deus em pessoa apenas dentro dessa imagem. * Afirmação de Boehme de que Deus só constitui uma pessoa em Cristo. * Definição de Cristo como o homem perfeito e o Homem eterno no qual Deus se revela e se cumpre. * Definição do cumprimento para Boehme como o tornar-se uma pessoa segundo a Sabedoria divina. * Nascimento de Deus já ocorrido no seio da natureza eterna levada à sua perfeição. * Configuração de Cristo como outro espelho do nascimento divino. * Objectivação verdadeira do nascimento de Deus nesse espelho cristológico. * Condição do próprio Verbo como pessoa apenas na humanidade celeste de Cristo. * Encarnação do Verbo em sua plenitude pelo filho da Sabedoria nascido do ventre de Maria. * Definição de Cristo como a plenitude e a totalidade do coração de Deus. * A totalidade reside no ponto, assemelhando-se o reino de Deus ao conteúdo integral de um único grão de mostarda, o que torna cada homem nascido duas vezes a própria totalidade do coração divino. * Representação dessa totalidade para os irmãos exercida por Cristo, o primogênito. * Identificação da carne que os alimenta com la carne celeste de Cristo. * Definição dessa carne como o santo elemento manifesto em Cristo, filho da Sabedoria. * Incorporação dessa carne por todos os crentes que a comerem. * Formação de um único corpo com Cristo por meio dessa incorporação. * União de todos os filhos da Sabedoria em um só corpo que representa a plenitude do coração de Deus. * Identificação de Cristo com esse corpo. * Simbolização da totalidade do gênero humano unido a Deus em sua Sabedoria por meio desse corpo. * Abolição do tempo no corpo do Cristo. * Reconhecimento de que o segundo nascimento — pelo qual o fiel se torna membro desse corpo — resulta do tempo. * Obtenção do nascimento condicionada à consumação do tempo. * Posicionamento do segundo nascimento além do tempo. * Contemporaneidade de todos os homens no corpo de Cristo, desconsiderando a cronologia histórica. * Definição da eternidade representada por esse corpo como uma perfeita contemporaneidade. * Contemporaneidade com Cristo mantida por todos os homens ao se tornarem filhos da Sabedoria, mesmo que continuem na cronologia histórica em sua existência terrestre. * Conversão do tempo em espaço para esses homens. * Definição do corpo de Cristo como o espaço substancial simbolizado pelo elemento puro espalhado em todos os lugares e que abrange a totalidade das gerações humanas. * Configuração do espaço divino — implantado cada vez que um homem é gerado pela Sabedoria — como a plenitude do coração de Deus. * Definição desse pleroma como o templo preenchido perfeitamente pela Glória de Deus. * Unidade de toda a humanidade renovada em um único templo. * Manifestação da Sabedoria pela Glória de Deus que o ilumina. * Unidade indissolúvel entre o templo e a Glória, correspondendo à Chekhina. * Identificação dessa unidade com a Jerusalém celeste e a Virgem eterna. * Habitação da Sabedoria no homem por meio do santo elemento que se transforma em sua carne. * Definição dessa substância preciosa como a graça divina que se faz carne. * Afirmação de que a verdadeira encarnação, fruto da Sabedoria, não consiste naquela que faz nascer o Cristo no nosso corpo mortal. * Cumprimento do processo dentro dos limites desse corpo mortal. * Distinção de que o corpo mortal constitui apenas o lugar material, e não o lugar próprio da encarnação. * Realização da verdadeira encarnação em um espaço que corresponde à substância da alma renovada. * Definição do processo como o desdobramento desse espaço que forma um corpo de luz. * Condição exclusiva desse corpo de luz como o templo de Deus e o trono da Sabedoria. * Personificação da presença divina pela Sabedoria na graça que, infundida no homem, se torna sua carne celeste. * Concepção de Boehme de que a graça não constitui apenas um favor expresso em uma sentença de absolvição. * Definição da graça como uma substância. * Identificação dela com a natureza divina da qual o fiel se torna participante. * Configuração da graça como a nossa natureza nova quando se nasce do alto. * Unidade entre a graça encarnada na substância da alma e a nossa fé. * Identificação do nosso nascimento segundo a Sabedoria com a encarnação da nossa fé. * Transformação substancial do indivíduo em seu próprio amor após essa encarnação da fé. * Identificação com a plenitude dos pensamentos movidos pelo desejo de amor. * Identificação com toda a imaginação na imagem radiante que dela resulta e que manifesta a presença de Deus na criatura renovada. * Identificação da natureza divina recebida em partilha com a natureza eterna transformada em terra do paraíso. * Distinção dessa natureza frente à Divindade tomada como Absoluto. * Definição dela como a majestade de Deus comunicada ao homem na luz. * Caracterização dela como Deus na medida em que Deus se doa ao homem. * Viabilidade desse dom restrita ao interior da Sabedoria e por meio dela. * Identificação da Sabedoria com o dom de Deus. * Definição da Sabedoria como a graça de Deus, equivalente à sua misericórdia. * Iluminação da nossa inteligência pela Sabedoria quando nos tornamos participantes dela. * Conhecimento de que a misericórdia de Deus não se opõe à sua justiça. * Capacidade adquirida de confessar o Deus Un, em contraste com a percepção exclusiva da dissonância universal antes dessa iluminação. * Necessidade de que a justiça abra caminho ao suprimir tudo o que não é Deus para que a caridade se derrame substancialmente na criatura. * Surgimento da misericórdia como o fruto da justiça. * Criação dos seres singulares por Deus com o objetivo de se manifestar neles. * Constituição e consolidação de cada ser em seu eu conforme o desígnio divino. * Exigência de Deus, segundo a sua justiça, de que esse eu se renuncie ao se transformar em uma vontade própria afastada de sua Sabedoria. * Necessidade do renúncio para permitir a penetração de Deus no indivíduo. * Ação da Sabedoria de bater à porta sem entrar enquanto não houver o renúncio. * Desejo do projeto divino de manifestar o Nada em alguma coisa. * Condição da criatura como essa alguma coisa. * Cessação da condição de alguma coisa quando um ser se resume ao dom de si. * Transformação desse ser na morada de Sabedoria. * Acolhimento da Sabedoria viabilizado pela recuperação da pureza original, que transforma o ser em um perfeito espelho. * Configuração do ser como uma pura transparência. * Definição da virgindade como o estado de não ser mais alguma coisa. * Perda de Lúcifer motivada pela transformação de seu eu em um absoluto. * Contraponto com o processo pelo qual Deus se torna tudo em todos ao sair de si mesmo e se doar. * Transformação de Deus em pessoa na plenitude de Cristo por meio de seu derramamento. * Saída de Deus de sua solidão absoluta para se tornar o Si universal. * Aquisição dessa universalidade e transformação em pessoa pelo homem ao abolir o seu ser singular. * Identificação do homem com a totalidade do coração de Deus nesse estágio. * Definição do homem como o Verbo encarnado segundo a Sabedoria, representando a última manifestação da Divindade que se revela. * Ausência da Sabedoria de Boehme no princípio de individuação. * Manifestação da Sabedoria no abandono da vontade própria, enquanto o Verbo separador acentua a diferença entre os seres. * Tradução desse abandono pelo termo Gelassenheit, retomado por Boehme em eco aos místicos alemães do século XIV. * Associação da ideia de abandono à de temperamento, no sentido antigo de equilíbrio. * Sinonímia entre a palavra temperamento e a igualdade. * Definição da vida perfeita como aquela cujos aspectos são todos iguais porque nenhum busca prevalecer sobre o outro. * Perda desse temperamento por Lúcifer — considerado a primeira encarnação de Deus segundo a Sabedoria — devido à recusa em se abandonar. * Perda idêntica sofrida por Adão quando a Sabedoria se separou dele. * Exaltação da qualidade sensível dominante do desejo em detrimento das outras quando o homem exerce a sua vontade própria. * Exercício da vontade própria sempre direcionado a um desejo particular. * Definição de cada qualidade sensível como um desejo singular para Boehme. * Oposição entre o desejo de amor que desabrocha na Sabedoria e a vontade própria. * Fecundação das qualidades que frutificam no pleroma da natureza eterna por esse desejo de amor. * As qualidades exaltam-se mutuamente no pleroma em vez de se preferirem individualmente, fazendo com que os elementos associados cessem a rivalidade por passarem a desejar apenas o outro. * Fusão de cada termo na totalidade e alcance da plenitude por meio dessa abertura. * Realização da perfeita igualdade definida como a totalidade dos aspectos da vida reunida em cada um deles. * Sinonímia entre essa igualdade e a simultaneidade. * Fim da passagem de uma qualidade para outra segundo uma lógica de mais ou de menos. * Inclusão das formas futuras ou passadas em cada forma de ser devido à contenção da totalidade em cada uma delas. * Caráter imperecível da vida na Sabedoria decorrente da igualdade perfeita de todos os seus aspectos. * Ausência de submissão ao tempo. * Condição de acabamento em qualquer momento do devir terrestre. * Imortalidade de Adão enquanto possuía essa vida, ao menos na dimensão de seu corpo glorioso. * Transformação de Adão em mortal quando o seu corpo grosseiro prevaleceu. * Tendência de toda vida de se voltar para o seu centro a fim de se cumprir segundo a sua plena medida. * Identificação desse centro com o coração e com o verdadeiro fundo ou Grund. * Necessidade de que a vida recue em si mesma e se imobilize para alcançar esse centro. * Encontro da vida consigo mesma em outro nível ao se abandonar nesse centro. * Rebatismo e desdobramento da vida sublimada segundo uma verdadeira plenitude. * Distinção desse coração em relação àquele de onde procede a vida no nosso corpo mortal. * Ocultamento do coração verdadeiro em profundidade sob o coração mortal. * Definição dele como o verdadeiro coração do homem e seu lugar natural segundo a eleição, em uma intimidade inacessível sem introdução prévia. * Identificação dele também com o coração de Deus. * Transformação da criatura que se abre nesse lugar na totalidade do coração de Deus, que se define como a plenitude da esfera divina e não apenas como um ponto geométrico. * Encontro entre Deus e o homem nessa esfera, cada qual segundo o seu desejo de amor. * Personificação desse encontro pela Sabedoria que nela habita. * Aproximação do homem a Deus por meio da união com a Sabedoria nesse espaço bento que constitui o santuário da alma. * Exigência de que o homem morra para si mesmo para aceder a esse espaço. * Identificação da vontade própria que se renuncia com Marte desarmado por Vênus e tomando-a por esposa. * Representação da fúria guerreira por Marte. * Identificação de Marte com o fogo violento simbolizado na fase tenebrosa da natureza eterna. * Definição de Marte como o princípio de individuação que se exalta como vontade de potência na loucura de Lúcifer. * Identificação de Vênus com la doçura do homem que triunfa sobre a violência. * Sublimação da violência de Marte quando o seu fogo cessa. * Transformação da violência em uma verdadeira força e em virtude vivificante. * Identificação da verdadeira força unida à doçura com a vida eterna. * Posicionamento da verdadeira potência no óleo que alimenta a chama eternamente, e não no fogo que se enfurece. * Caracterização da Sabedoria como a esposa na pessoa do homem desperto para a verdadeira vida. * Ausência de identificação literal com a noiva do Cântico pelo fato de o esposo não ser Deus. * Representação de Deus na criatura exercida pela Sabedoria, mantendo a condição de esposa. * Identificação do esposo com o fogo da alma personificado como Feuer-Seele. * Atuação da Sabedoria como a esposa que transforma esse fogo em luz. * Condição dela simultaneamente como mãe e esposa. * Definição do fogo sublimado como seu filho e seu esposo. * Posição da alma como o esposo da Sabedoria sob o aspecto do fogo viril. * Exigência de uma transmutação para a consumação da união entre a alma e a Sabedoria. * Necessidade de transformação da alma para se tornar o santuário da Sabedoria. * Exigência de que a alma constitua o templo no qual entra a Virgem eterna para se unir a ela. * Transformação da alma na câmara nupcial onde as próprias núpcias se celebrarão, configurando o espaço sagrado do cumprimento espiritual. * União da alma renovada com a Sabedoria que não cessará de frutificar nela. * Condição da alma como a terra paradisíaca em que a árvore da vida se enraíza, sendo ela própria a árvore e o fruto. * Identificação dessa árvore da vida com a árvore da Sabedoria, conforme o crescimento espiritual. * Definição da nossa natureza nova — que constitui a nossa sobrenatureza — como esse crescimento que se concebe apenas fora do tempo, apesar da semelhança com um devir. * Caracterização do processo como um desabrochar incessante, à imagem do desejo de amor eternamente renovado e preenchido. * Perfeita união entre a Sabedoria e o Verbo na alma renovada. * Ausência de aparição do Verbo sob o aspecto da ira após essa união. * Afirmação de que Deus é unicamente o Deus de amor. * Presença da verdadeira unidade de Deus nessa união perfeita. * A unidade de Deus não corresponde à simplicidade abstrata do primeiríssimo começo, mas manifesta-se quando se encerra o projeto divino do qual a Sabedoria constitui a causa eficiente e a causa final. * Posicionamento no término dos dois capítulos dedicados à Sabedoria. * Questionamento sobre o significado essencial da Sabedoria na teosofia de Boehme. * Transformação da Sabedoria na chave de abóbada de todo o edifício após a primeira obra de Boehme intitulada A Aurora Nascente. * Questionamento sobre como resumir a função da Sabedoria. * Significado da Sabedoria como a permanência da transcendência divina através da odisseia do Espírito e do Verbo. * Presença da única transcendência na Aurora como aquela do Deus oculto que Boehme chama de Pai no início do ciclo septiforme. * Distinção desse Deus oculto frente a um símbolo de claridade primeira, sendo definido como um Deus tenebroso que consiste em um fogo devorador. * Concepção do Pai imaginado sem o Filho, assemelhando-se a uma sombria fenda. * Ausência de preexistência visível às trevas, levantando a questão do motivo pelo qual a luz brotará na noite. * Resposta tardia que aponta a Sabedoria como a causa ideal de toda a manifestação divina. * Personificação do projeto divino estabelecido anteriormente ao ciclo septiforme pela Sabedoria. * Presidência da Sabedoria na manifestação divina, sem que ela se aliene em nenhum grau durante o processo. * Personificação de um desígnio que se cumpre por parte da Sabedoria, atuando como a sua inteligência soberana e não como executora. * Ocultamento da Sabedoria e sua aparente prisão nas trevas, sem que estas jamais tenham poder sobre ela. * Comunicação da Sabedoria sob a veste da natureza geradora das trevas, mantendo-se perfeitamente pura. * Identificação de sua virgindade com a sua integridade. * Significado de que a Sabedoria não se confunde com a substância perfeita mesmo quando passa a habitá-la. * Identificação da pureza ou virgindade da Sabedoria com a sua transcendência. * Permanência da transcendência da Sabedoria mesmo quando a criatura a recebe em seu fundo. * União com a natureza perfeita realizada sem qualquer confusão. * Representação de Deus se manifestando na natureza sem jamais se confundir com ela, independentemente de sua perfeição. * A transcendência corresponde àquela de um Deus que se faz imanente, estabelecendo-se primeiramente em sua própria esfera antes da natureza eterna. * Imanência de Deus em relação à alma eterna que dele emana. * Presença de Deus na alma humana. * Personificação dessa imanência ou presença divina exercida pela Sabedoria, definida como a comunicabilidade de Deus. * Ausência de comunicação do Ungrund se fosse tomado apenas por si mesmo como o Absoluto. * Afirmação de que a pura Divindade não constitui sequer o Espírito na ausência da Sabedoria. * Aparição da Sabedoria no momento em que a Divindade se encontra em seu Verbo e em seu Espírito. * Representação por parte da Sabedoria dessa Divindade que se encontrou e que se transformou em Deus por esse fato. * Presença do pensamento único de se manifestar após a Divindade ter tomado posse de si mesma. * Identificação da Sabedoria com esse pensamento de Deus. * Atuação do Espírito e do Verbo como os atores da manifestação divina, permanecendo a Sabedoria como princípio e finalidade. * Caráter insaisissável do Espírito em si mesmo, definido como pura volatilidade. * Necessidade de fixação e encarnação do Espírito para se comunicar. * Caracterização da Sabedoria como a alma dessa encarnação. * Ausência de afetação da Sabedoria pelo drama que decorre desse processo. * Aparição do Espírito ora como fogo obscuro, ora como fogo claro, enquanto a Sabedoria permanece eternamente apenas como claridade. * Diversificação do Verbo segundo os planos que se sucedem, sendo primeiramente o Verbo eterno. * União do Verbo com a Sabedoria nessa altura. * Transformação posterior no Verbo emanado e depois no Verbo criado. * Encontro final com a transcendência e nova união do Verbo com a Sabedoria. * Acompanhamento das fases do devir por parte do Verbo, enquanto a Sabedoria eterna permanece imutável. * Caracterização da Sabedoria como a alma das transmutações, mantendo-se absolutamente idêntica a si mesma. * Ausência total na Sabedoria da ambiguidade do mercúrio, que se apresenta ora como veneno, ora como elixir. * Distinção da vida eterna da qual ela é fonte frente à vida que alterna com a morte. * Brotar dessa vida imperecível operado apenas além da morte, situando-se a transcendência nesse além. * Entrega da recompensa suprema por Sophia — a pérola ou a coroa do cavaleiro vencedor da morte — somente quando o fiel deixa realmente esta terra. * Entrada e estabelecimento da Sabedoria no santuário da alma desde a conversão. * Antecipação do além como traço próprio da experiência mística. * Constatação de que a própria Maria só se junta verdadeiramente à Sabedoria após deixar a sua morada terrestre, apesar de ter sido o seu trono em vida. * Impossibilidade de divisão da vida imperecível segundo uma alternância. * Testemunho dessa integridade dado pela virgindade da Sabedoria. * Configuração da virgindade como um símbolo de transcendência que significa a simplicidade do Deus transcendente. * Sinonímia entre simplicidade e plenitude, existindo em Boehme apenas a totalidade do dia. * Representação de uma plenitude pela virgindade da Sabedoria, manifestando-se apenas quando as trevas são totalmente suprimidas. * Caráter absolutamente exclusivo da pureza da virgindade de Sophia. * Presença da transcendência em seu reino sem partilha. * Recomendação de não ler Boehme buscando uma integração que somasse a luz e as trevas. * Recusa em ver Sophia como o monstro hermafrodita no qual os contrários se reuniriam. * Afirmação de que a totalidade representada por ela não consiste na reunião do dia e da noite. * Aparição da plenitude da Virgem eterna apenas quando a luz e as trevas estão definitivamente separadas. * Presença dessa separação como a finalidade do grande trabalho, cujo simbolismo Boehme transpõe para o nível da realização universal. * Inclusão da alternância entre a luz e as trevas no projeto divino personificado pela Sabedoria. * Permanência da Virgem eterna acima de qualquer vicissitude. * Inclusão da dualidade dos sexos no desígnio de Deus, assim como a falta da qual ela decorre. * Permanência da pureza da Sabedoria. * Ausência de gênero masculino ou feminino na Sabedoria em si mesma, embora seja apresentada como esposa ao se unir ao fogo viril da alma. * Comando do projeto divino exercido pela Sabedoria, representando a sua objectivação perfeita sem sofrer afetação por seu desenrolar. * Afirmação de Boehme de que nenhuma virgem mortal é pura, referindo-se a Maria mãe de Cristo. * Significado de que nenhuma criatura mortal é verdadeiramente virgem. * Ausência de virgindade na mulher segundo a condição terrestre e ausência de pureza no homem nos limites da vida terrena. * Posicionamento da verdadeira virgindade além da morte. * Concepção de Maria como um de nós, tornando-se virgem apenas no momento em que, abençoada pelo anjo, se apresenta como Maria cheia de graça. * O tempo do segundo nascimento anuncia-se pela primeira vez em uma criatura humana quando a voz do anjo penetra no ventre de Maria, onde a Sabedoria estabelece o seu trono. * Distinção do ventre bento de Maria em relação ao seu ventre de mulher mortal. * Definição desse ventre como um céu que se abre em seu fundo enquanto ela ainda se encontra na terra. * Representação de um além segundo o seu lugar próprio, definido como um estado do Ser, apesar de sua imanência com o corpo terrestre. * Exigência de uma passagem que implica ruptura total de nível para alcançar esse além. * Localização do céu interior habitado pela Sabedoria dentro dos limites do corpo grosseiro. * Distinção absoluta entre esse céu e a carne mortal. * Transcendência da Sabedoria em relação à substância desse céu que ela habita. * Permanência da transcendência da Sabedoria face à preciosa substância na qual se envolve para se comunicar e que constitui o seu corpo. * União com esse corpo realizada sem confusão, assemelhando-se à relação entre a alma e o corpo. * Ausência de confusão entre a Sabedoria e a natureza perfeita da qual é a alma. * Reconhecimento de que o linguajar de Boehme às vezes faz esquecer essa distinção. * Aparente identificação do corpo manifesto no término da natureza eterna com la Sabedoria que nele irradia. * Caráter apenas aparente dessa identidade, visto que Boehme sublinha a diferença entre Sophia e o corpo precioso de que se reveste. * Afirmação de que a substância ou Wesen nada seria por si mesma. * Representação da Sabedoria pela luz, sendo a Sabedoria a alma da luz. * Condição da luz, mesmo divina, apenas como o corpo da Sabedoria. * Relatividade das noções de corpo e espírito. * Identificação da Sabedoria como o corpo de Deus. * Identificação da luz como o corpo da Sabedoria. * Condição da Sabedoria apenas como um corpo em relação a Deus. * Condição dela como espírito em relação à luz. * Definição de todo espírito como um corpo em relação a outro espírito ao qual está subordinado e que manifesta. * Condição desse mesmo corpo como espírito para outro corpo que ele comanda e que o manifesta. * Posição da Sabedoria como um corpo em relação a Deus, mas com caráter transcendente face a outro corpo do qual é o espírito e que tem a luz por substância. * Permanência da Sabedoria como o corpo de Deus, atuando contudo como o espírito das obras divinas que ela anima. * Aparição dessas obras como o seu próprio corpo quando atingem a perfeição última. * Objectivação das obras em um corpo de luz que constitui o corpo da Sabedoria. * Posição da Sabedoria como Deus em relação a esse corpo. * Definição da Sabedoria como o duplo de Deus. * Caracterização dela como Deus na medida em que a Divindade se oferece ao nosso conhecimento e conhece a si mesma. * Identificação da Sabedoria com a plenitude da gnose. * Afirmação de que só existe gnose na Sabedoria, apesar de toda a sua humildade. * Perda de Lúcifer motivada pelo desprezo a ela. * Impossibilidade de apreender o Infinito sem essa preciosa mediadora. * Representação de um Deus situado entre o Absoluto e nós por meio da Sabedoria. * Permanência da transcendência desse Deus, sendo contudo conhecido e conhecendo a si mesmo por suas obras manifestadas em nós. * Definição da Sabedoria como a Face conhecida de Deus. * Ausência de rosto no Deus desconhecido. * Configuração da Sabedoria como a única Face de Deus. * Identificação dela com a Face de Deus que Moisés não podia ver, mas que se revela à humanidade renovada. * Inacessibilidade da Face para aqueles que não são por ela habitados. * Condição desses indivíduos como contemporâneos de Moisés, mesmo tendo nascido após Cristo na cronologia histórica. * União da Sabedoria com os fiéis que alcançaram a consumação do tempo nos limites de suas existências singulares. * Fim da história do mundo para essas almas, situando-se no além. * Caráter luminoso e doce da transcendência para esses justos, sendo sinônimo de bem-aventurança. * Redução da transcendência ao terror para os demais indivíduos. * Vivência da transcendência apenas como o temor das penas eternas. * Vivência dela como o inferno por parte das almas que a Sabedoria ainda não habita. * Transformação do Deus que habita uma luz inacessível em Emmanuel — Deus conosco — para as almas unidas à Sabedoria. * Realização dessa união desde o estado terreno. * Condição do fiel como ressuscitado mesmo sem ter morrido. * Fruição das alegrias celestes mesmo vivendo no corpo perecível. * Viabilidade do processo decorrente da separação absoluta entre os dois estados do seu ser, um obscuro e outro luminoso. * Presença da transcendência nessa separação. * Habitação da Sabedoria no homem restrita à sua pessoa transcendente, desvinculada da individualidade tenebrosa. * Transformação de Deus em uma pessoa verdadeira nesse lugar privilegiado. * Condição de Deus como pessoa em Cristo, sendo Cristo todos os fiéis cuja fé se encarnou segundo a Sabedoria. * Transformação de cada um deles no templo de Deus habitado pela Sabedoria em sua carne celeste.