===== OVELHA PERDIDA ===== PARÁBOLAS DE JESUS — A Ovelha Perdida (Mt XVIII, 10-14; Lc XV, 3-7) Evangelho de Jesus: Mt 18:10-14; Lc 15:3-7 Orígenes: CONTRA CELSO 17 ¿Acaso no parecerán estas cosas, señaladamente si se entienden de la manera que se debe, mucho más sagradas que lo que se cuenta de Dioniso, engañado por los titanes, derribado del trono de Zeus, desgarrado por aquéllos, vuelto luego a componer, gozando así de una especie de resurrección, y subido por fin al cielo? " ¿O es que es lícito a los griegos aplicar mitos como ése a dar razón del alma y explicarlos figuradamente, y se nos cerrará a nosotros la puerta para dar una explicación congruente, en todo de acuerdo y armonía con las Escrituras, obra que son del Espíritu Divino, que habitó en almas puras? Por donde se ve que Celso no entendió para nada el sentido de nuestras letras; de ahí que desacredite su propia interpretación, no la de las Escrituras mismas. De haber entendido lo que conviene a un alma que ha de vivir la Vida Eterna y qué deba pensarse de su naturaleza y de sus principios, no se hubiera así burlado de que el Inmortal haya venido a un cuerpo mortal, no a la manera de la reencarnación platónica, sino según otra teoría más alta. Y hubiera visto un con el fin de convertir a las ovejas perdidas de la casa de [[tnpl:Israel:]] (Mt 15,24), como dice misteriosamente la Escritura, y que bajaron de los montes; a ellas se dice en algunas Parábolas (Mt 18,12-13; Le 15,4ss) haber bajado el pastor, que dejó en los montes las que no se habían descarriado. Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 107; Evangelho de Tomé - Logion 93 Mas quem são essas ovelhas perdidas que a Jesus preocupa? Mateus dá alguma informação sobre elas e convém revisá-la, pois Jesus se refere à ovelha perdida “entre cem”, e explica o satisfação pela ovelha “encontrada”, pois não é vontade do Pai celestial que se perca um destes “pequeninos”. Que as ovelhas são os "pequeninos", resulta evidente segundo o texto de Mateus. Os "pequeninos" são, segundo isto, uma classe particular de seres humanos, e não todos os Judeus, se é que se fala de ovelhas de [[tnpl:Israel:]], nem todos os denominados cristãos, se a referência a dizer "ovelhas". Mas ocorre que, por sua vez, resulta bastante claro que os “pequeninos”, as “crianças”, são o espelho no qual devem se olhar todos aqueles que pretendem entrar no Reino dos céus, posto que para entrar no Reino é preciso se fazer “como” essas “crianças”, “como” esses “pequeninos”. Isto é como se se dissesse que há que nascer do Espírito para ser “como” o Espírito. O ensinamento se completa quando explica Jesus nessa passagem das “crianças” que os anjos destes “pequeninos”, não só que se fizeram “como” pequeninos, senão o espelho de si mesmos em que se olharam para se fazer “como” pequeninos, quer dizer, os anjos nos céus, pois eles são o espelho, “veem continuamente o rosto de meu Pai que está nos céus”. Pois bem, fica claro que esses anjos, essas partículas de luz que são o verdadeiro Ser de cada qual, são os pequeninos, as ovelhas. Se compreende então o gozo celestial pela ovelha que estava perdida e foi encontrada, porque a ovelha é a pérola, o tesouro, a pedra, o homem pneumático, a semente de Deus, da qual se diz que está perdida quando vive cativa, enterrada, sob o peso da ignorância da alma. A ovelha, a pérola, é o único Ser real e verdadeiro que há no homem, pois é o homem em si mesmo, o eterno, e todo o mais são envolturas adventícias, transitórias, que não subsistem para a Vida verdadeira. É esta ovelha a pérola que há que preservar do ignorante que a mantém revolta com a imundície que agrega, por insensato, a seu puro si mesmo, e que não a vê nem a conhece: Jesus veio, enviado, para resgatar essas ovelhas de seu cativeiro e devolver-lhes sua liberdade perdida (v. Cura da Filha da Cananeia). Atos de Tomé * Fala uma jovem símbolo da alma, dando conta das penas infernais que contemplou em visão: * Aquele que se assemelha me tomou e me consignou a ti, com estas palavras: "Tome-a, porque é uma das ovelhas perdidas". Tu me acolheste e agora estou aqui em tua presença. Suplico-te, pois, (ajuda-me) para que vá a aqueles lugares de sofrimento que vi. * Articulação com o Bom Pastor em João: * Ó pastor bom, que te entregaste pelas próprias ovelhas e venceste o lobo e redimiste aos cordeiros teus e os conduziste a um pasto bom! Te louvamos e entoamos hinos a ti, e a teu invisível Pai, e a teu Espírito Santo, e à Mãe de toda a criação (= a sophia). Antonio Orbe: Parábolas Evangélicas em São Irineu A primeiríssima antiguidade descuidou das diferenças entre Mt e Lc. Suspeito que algumas, no entanto, se valeram de pronto, por. ex., o lugar em que a ovelha se perdeu: “nos montes” em Mt e “no deserto” em Lc. Orígenes não se descuida uma única vez em eleger a versão de Lucas em suas referências. Vê também diferença entre a ovelha “perdida” (gr. apololos) e a “desvairada (gr. planomenon). Entre os escritos apostólicos há algum vestígio, como por exemplo o Pastor de Hermas. A parábola teve um trato excepcional pelos gnósticos, a começar por Simão Mago, segundo São Irineu. Marcion a interpretou segundo Tertuliano apresenta em seu Adv. Marc. IV 32,1. Marcion destaca a expressão alegórica da misericórdia de Deus, pelo que se pode entender das notícias tertulianas sobre seu discípulo Apeles. No entanto, examinando as citações a Apeles em Tertuliano se conclui que a ovelha perdida de Apeles não alude à metanoia de Gen 6,6 nem ao sentimento dos Arcontes ante a profecia de Adão (Gen 2,23), senão à metanoia, enquanto mudança de ignorância (= Erro) na aceitação da economia superior. Taciano é outra exegese a mencionar, através do Diatessaron e por sua exegese pessoal. Alude de forma mítica à ovelha, símbolo da alma ou homem (essencial). No princípio alma feliz e contente com o Espírito Divino. Indócil a Ele, viu-se um dia abandonada do Espírito, caiu em Erro ([[tnpl:plane:]]) e com ele na idolatria. Os Simonianos têm algumas referências à parábola, apontadas por Irineu de Lião, servindo-lhes para o esquema do mito da salvação. A alma (= primeira ideia de Deus) sai do reino do Espírito, se multiplica em contato com a matéria e se torna múltipla ao princípio da origem. O tema é abordado em articulação com a economia de Ennoia, Primeiro Pensamento do Deus Ignoto. O símbolo Ennoia = ovelha perdida se reduz facilmente ao Anthropos espiritual) = ovelha perdida. Valentino e seus seguidores têm orientações distintas, talvez complementares. Uma, aritmética — a qual pertencem Marcos e o Evangelho da Verdade — que especulam sobre a perda do número perfeito 100, com a ovelha perdida: 99 + 1; e outra diretamente doutrinal — a de Ptolomeu e Heracleon, as duas místicas. A exegese de orientação doutrinal é seguida também pelo Evangelho de Tomé. Entre os eclesiásticos, Tertuliano merece lugar relevante. Cipriano em suas cartas também referencia a parábola; Clemente de Alexandria se refere a ela no tocante a Lei Mosaica. Orígenes é aquele com mais referências e análises. Por último, Irineu de Lião omite a alegoria numérica, repugnando a exegese gnóstica assim como origeniana: o homem é o plasma; formado por Deus, caiu no pecado, morte, cativeiro, exílio; eis aí o Adão, o homem “feito de barro” “à imagem e semelhança de Deus”, que falta a seu Criador e sem perder sua amizade — inicia uma existência errante, fora do Paraíso, com o prenúncio do Redentor. Ambrósio de Milão: OVELHA PERDIDA Jerônimo: OVELHA PERDIDA Tomás de Aquino: CATENA AUREA: Mateus; Lucas Maurice Nicoll: UM EM MUITOS