===== MILAGRES DE JESUS ===== [[.:start|Evangelho de Jesus]] — Milagres de Jesus VIDE: [[tnpl:semeion:|semeion]]; [[tnpl:soteria:|soteria]]; [[tnpl:salvador:start|SALVADOR]] [[http://lesvoies.free.fr/spip|Citações dos Padres — nosso site francês]] Juan Mateos e Juan Barreto: VOCABULÁRIO TEOLÓGICO DO EVANGELHO DE SÃO JOÃO I. Significado. Em Jo, "sinal" é ação realizada por Jesus que, sendo visível [não obrigatoriamente pelos olhos corporais], leva por si ao conhecimento de realidade superior. Supõe a presença de espectadores ([[b>João 12,37]]) e à sua visibilidade corresponde neles a visão do sinal ([[b>João 2,23]]). II. Os sinais de Jesus. Nos sinais de Jesus percebe-se uma força que manifesta, pelo menos, a assistência de Deus ([[b>João 3,2]]); um pecador, por estar separado de Deus, não poderia realizá-los ([[b>João 9,31-33]]). O Messias renovaria os sinais do êxodo, e daí vem que, diante do gesto messiânico de Jesus no templo, "os Judeus" lhe pedem um sinal ([[b>João 2,18]]); em consequência, a declaração dos dirigentes ao final da atividade de Jesus ([[b>João 11,47]]; este homem realiza muitos sinais) os acusa a eles próprios (cf. [[b>João 7,31]]; 9,16; 12,37). Em Cafarnaum, a multidão que compreende a pretensão messiânica de Jesus lhe pede também um sinal, com menção explícita de Moisés e do êxodo ([[b>João 6,30]]). O sinal messiânico que Jesus propõe aos dirigentes no templo é o de sua ressurreição ([[b>João 2,19]]: Suprimi este santuário e em três dias o levantarei), que manifestará sua vitória sobre a morte infligida por eles e a presença do amor de Deus (a glória) acessível nele ao homem (Ressurreição VI). À multidão que lhe pede um sinal messiânico ([[b>João 6,30]]) Jesus responde que ele já ocorreu: foi sua própria entrega a eles no dom do pão. O próprio Jesus é o pão da vida ([[b>João 6,35]]) e é o sinal: o novo maná ([[b>João 6,32]]s). Este sinal antecipa sua entrega na cruz, onde dará sua carne e seu sangue, os do Cordeiro da nova Páscoa, para a vida do mundo ([[b>João 6,51]]). João Batista, que não é o Messias ([[b>João 1,20]]), não realiza nenhum sinal ([[b>João 10,41]]), o que mostra o caráter messiânico dos sinais de Jesus. III. Os sinais programáticos. No decorrer de sua atividade, Jesus realiza dois sinais programáticos, que dão chaves para interpretar a atividade que segue. O primeiro é o das bodas de Caná ([[b>João 2,1-11]]), que apresenta o objetivo de sua missão no âmbito de Israel com o motivo teológico da substituição da aliança: Jesus substituirá a antiga aliança baseada na Lei, pela nova baseada no Espírito/amor leal ([[b>João 1,17]]) (Bodas II; Água II). É "o princípio dos sinais" e nele Jesus manifesta sua glória ([[b>João 2,11]]), o seu amor leal para com o homem ([[b>João 1,14]]; Glória II, IV). Por ser princípio, começo e origem de todos os outros, oferece sua chave de interpretação: em cada sinal é preciso descobrir a manifestação de sua glória-amor (cf. 11,4.40). A suprema manifestação de sua glória será sua morte na cruz ([[b>João 17,1]]), à qual já alude em Caná ([[b>João 2,4]]: a minha hora): em cada sinal antecipa-se o amor até ao extremo ([[b>João 13,1]]) que Jesus vai demonstrar na sua morte. O sinal de Caná apresenta assim o programa de toda a vida de Jesus. O seu aspecto teológico, porém, a substituição da aliança, desenrola-se no primeiro ciclo ([[b>João 2,1-4]],46a: o ciclo das instituições). Nele irão sendo expostas as diversas substituições que comporta a da aliança: substituição do templo ([[b>João 2,13]]ss-22), da Lei ([[b>João 3,1-21]]), dos mediadores de antiga aliança ([[b>João 3,22-4]],3), do culto ritual ([[b>João 4,4-42]]). O segundo sinal programático é a cura do filho do funcionário real ([[b>João 4,46]]b-54). O "segundo sinal" continua o "princípio dos sinais": é explicação deste, em chave antropológica. De fato, realiza-se também desde Caná, mas o seu efeito não se produz no círculo da aliança-bodas, mas fora, na humanidade, sem nenhuma alusão a religião ou raça (Cafarnaum, lugar de povoação mestiça); por isso não requer presença física de Jesus (descer a Cafarnaum), basta a sua mensagem de vida ([[b>João 4,50]]: logos). Neste sinal, Jesus explicita o efeito do amor manifestado em todos: dar vida ao homem enfermo e a ponto de morrer ([[b>João 4,46]]). Por outro lado, assim como 2,1-11 dava chave positiva para interpretar os sinais (a manifestação da glória), em 4,48 Jesus exclui outra chave de interpretação que falsearia o seu messianismo: a sua glória não se manifestará por meio dos sinais portentosos. João orienta assim o leitor sobre a verdadeira índole do que se narra nos episódios seguintes. Jean Borella: SEMEION {{page>gnosticismo:orbe:aocg:cristologia-milagres}}