====== SABÁ — REPOUSO ====== //DE CHERUBIM. Excertos da tradução em espanhol de JOSÉ MARÍA TRIVIÑO// 87. XXVI. Por isso Moisés, em muitos trechos de sua legislação, diz que o “sábado”, que significa “descanso”, é “de Deus” (Êxodo XX, 10) e não dos homens, com o que ele destaca uma característica essencial da natureza das coisas, pois entre os seres, a rigor, só há um em descanso, e esse é Deus. Mas não é a mera inatividade que Moisés entende por repouso, já que, por natureza, a Causa de todas as coisas é ativa e nunca cessa de produzir as máximas excelências; mas dá esse nome à atividade caracterizada por uma imensa placidez e pela ausência de todo sofrimento ou esforço. 88. É, de fato, correto dizer que o sol, a lua, o céu e todo o universo experimentam sofrimento, pois não são donos de si mesmos e se movem e se deslocam sem interrupção, sendo as estações do ano um testemunho muito claro de seus esforços. De fato, tanto os corpos celestes mais importantes, ao mudarem seus cursos voltando-se ora para o norte, ora para o sul, ora para outro lado; quanto o ar, aquecendo-se, esfriando-se e experimentando todo tipo de mudanças em suas próprias condições; provam claramente seu cansaço, pois o cansaço é a causa de maior importância da mudança. 89. Seria tolice nos alongarmos em referências sobre as criaturas aéreas e aquáticas, parando para enumerar suas mudanças gerais e particulares, pois estas, por participarem ao máximo da mais baixa das substâncias, a terrestre, carregam em si, como é lógico, uma doença muito maior do que as criaturas do mundo superior. 90. Consequentemente, uma vez que a causa natural da mudança nas coisas que mudam é o cansaço, Deus, que não muda nem se transforma, deve necessariamente ser incansável. Por outro lado, o ser que está livre de fraqueza, mesmo que faça todas as coisas, não deixará de estar em repouso por toda a eternidade; de modo que só a Deus, e como algo absolutamente próprio, cabe estar em repouso.