====== GÊNESIS 2,24 ====== //LEGUM ALLEGORIAE. Excertos da tradução em espanhol de JOSÉ MARÍA TRIVIÑO// 49. XIV. “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne.” (Gênesis II, 24.) Por causa da sensibilidade, a inteligência, quando se torna escrava dela, abandona Deus, Pai do universo, e a virtude e sabedoria de Deus, Mãe de todas as coisas; e se mistura e se torna uma só coisa com a sensibilidade, e se dilui dentro dela, de modo que os dois se tornam uma só “carne” e uma só experiência. 50. Observe que não é a mulher que se une ao homem, mas, ao contrário, é o homem que se une à mulher, ou seja, a inteligência à sensibilidade. De fato, quando o superior, ou seja, a inteligência, se une ao inferior, ou seja, a sensibilidade, dilui-se na ordem da “carne”, que é inferior; na causa das paixões, ou seja, a sensibilidade. Quando, ao contrário, é o inferior, a sensibilidade, que se une ao superior, a inteligência, já não será carne, mas ambos serão inteligência. Tal é este homem, aquele que prefere o amor das paixões ao amor de Deus. 51. Mas existe também o outro, aquele que escolheu o contrário, personificado em Levi, aquele “que diz a seu pai e a sua mãe: ‘Não te vi’; e não reconheceu seus irmãos e desconheceu seus filhos” (Deuteronômio LXXIII, 9). Este homem abandona seu pai e sua mãe, ou seja, sua inteligência e sua matéria corpórea, desejoso de ter como sua porção o Deus único. “O próprio Senhor”, na verdade, “é sua porção” (Deuteronômio X, 9). 52. A paixão é, portanto, a parte daquele que ama as paixões; Deus, a parte de Levi, ou seja, daquele que ama a Deus. Não vê também que se prescreve levar no décimo dia do sétimo mês dois bodes, “uma porção para o Senhor e uma porção para aquele que afasta os males”? (Lev. XVI, 8.) E, de fato, a porção daquele que ama as paixões não é outra coisa senão uma paixão que deve ser “afastada”.