===== NOTHOMB CRIAÇÃO RELATO 2 ===== [[estudos:nothomb:start|Paul Nothomb]] — OS RELATOS BÍBLICOS DA CRIAÇÃO === Segundo Versículo do Relato dos Seis Dias — Gn 1,2 === 1,2 O futuro mundo era tohu-bohu: e da obscuridade acima de um um abismo e do vento — “[[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]]” — planando acima das águas. Normalmente em hebreu o [[biblia:figuras:verbo:start|Verbo]] precede o sujeito. Aqui é o inverso e o verbo “ser” está no “finalizado”, o que indica que não se trata da proposição principal que se espera mas de um incidente à subordinada, descrevendo em qual situação a ação que ela anuncia se produziu. É um desmentido ao [[philokalia:philokalia-termos:dogma:start|dogma]] da “Criação ex nihilo”. Antes da Criação afirma aqui a [[biblia:start|Bíblia]], nada havia. Havia o “tohu-bohu” sem formas nem cores e as águas simbolizam a maneira indiferenciada, acima da qual plana um vento, alegoria da energia divina. O texto fala de “terra” 'R(TS) no sentido de “mundo” que traduzo por “futuro mundo” para compensar o imperfeito que substituo pelo mais-que-perfeito virtual do verbo “ser” que chamo seu “finalizado” (completo). Este versículo toma partido na querela moderna sobre a existência, postulada pela Ciência clássica, de um mundo “objetivo”, independente da observação que dele se faça. Para o “construtivismo” um tal mundo, que chamamos a realidade, com suas riquezas, suas formas, suas cores, suas leis, é uma invenção do cérebro humano. Se para a Bíblia, acabamos de ver, existe algo antes da Criação, logo antes do Homem, consideremos que a “matéria eterna” não é um mundo. A Criação é a Criação do mundo, que começa por aquela da Realidade na cabeça do Homem que dá uma ordem, um sentido ao caos primordial que dele não tem nenhum. E mesmo se a “Queda” degradou esta Realidade da origem, é sempre a partir do que lhe resta, que o cérebro humano inventa hoje em dia ainda seu meio, que chamamos erroneamente a realidade, ou o mundo objetivo. O “construtivismo” seria portanto mais “bíblico”... Nothomb em outro livro, Le second récit, força uma tradução do verbo no imperfeito para destruir a tese da creatio ex nihilo, que não é bíblica. Criar, aqui, é dar um sentido ao caos preexistente, é uma operação mental. Este caos é evocado nos termos mais vagos possíveis, em contraste com a clareza dos conceitos que vão decorrer desde o versículo seguinte do princípio de Causalidade expresso no início. Tohu waBohu, ou o clássico Tohu Bohu, são duas palavras que se acompanham e podem ser lidas com expressão de dois verbos significando “surpreendam-se e fiquem de boca aberta”, ou ainda “não tentem compreender”; a coisa é inconhecível sem sujeito conhecedor, que não existe antes da criação. O autor do texto sai aqui do estilo narrativo para se dirigir ao leitor. É a única vez. Assim, neste livro Nothomb opta pela seguinte tradução: “O futuro mundo era. Não tente compreender: da obscuridade acima de um abismo, e do vento — Deus — planando acima das águas”. - Souzenelle Gen I-2 {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}