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 +===== CROUZEL =====
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 +Henri Crouzel
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 +Patrólogo, professor em Roma na Universidade Gregoriana, no Instituto Agustiniano e na Universidade do Latrão, professor honorário no Instituo católico de Toulouse, é autor de inúmeras obras sobre a Igreja primitiva e em particular sobre Orígenes.
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 +----
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 +//CROUZEL, Henri. Origène et Plotin: comparaisons doctrinales. Paris: P. Téqui, 1992.//
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 +  * O Problema Historiográfico: Um ou Dois Orígenes?
 +    * Testemunho controverso de Porfírio: afirma que Orígenes, o teólogo cristão, foi ouvinte de Amônio Sacas, mestre de Plotino.
 +    * Implicação: dois maiores pensadores gregos do século III teriam o mesmo mestre.
 +    * Contestação moderna iniciada por Henri de Valois (século XVII): o Orígenes discípulo de Amônio não seria o cristão, mas um homônimo pagão.
 +    * Exposição completa dos argumentos por Karl Otto Weber.
 +    * Conclusão de alguns: existência de dois Orígenes, um cristão e outro pagão.
 +    * Insatisfação com esta solução, pois em qualquer perspectiva Porfírio teria cometido equívoco.
 +
 +  * Posições Radicais Recentes: Negação do Vínculo e Crítica a Porfírio
 +    * Posição de R. Goulet e H. R. Schwyzer: Orígenes cristão nunca foi aluno de Amônio Sacas; Porfírio confundiu Sacas com outro Amônio.
 +    * Refutação implícita: improbabilidade de Porfírio, discípulo íntimo de Plotino e suposto conhecedor pessoal do Orígenes cristão, cometer tal erro de identificação.
 +    * Posição intermediária de F. M. Schroeder: defende existência de dois Orígenes, mas de um só Amônio.
 +
 +  * Objetivo e Limites da Comparação Proposta
 +    * Objetivo do estudo não é resolver o problema historiográfico da identidade do discípulo.
 +    * Admissão de que mesmo doutrinas comuns exclusivas (ex: astros como signos, não agentes, do destino) não provariam conclusivamente um mestre comum.
 +    * Razão: conhecimento fragmentário dos filósofos do Médio Platonismo (exceto Plutarco) e de outros pensadores gregos, impossibilitando afirmar originalidade de uma doutrina.
 +    * Menção do problema apenas como introdução contextual.
 +
 +  * Interesse Central: Comparação de Dois Grandes Pensamentos a Partir de Base Comum
 +    * Foco na comparação entre duas grandes pensas com ponto de partida filosófico próximo.
 +    * Base comum: Platão e o platonismo eclético do Médio Platonismo, mesclado com estoicismo e aristotelismo.
 +    * Questão investigada: como um cristão e um pagão utilizarão esse mesmo bagagem de partida, sendo que o cristão possui ainda as Escrituras e sua tradição.
 +
 +  * Estado da Questão e Crítica às Comparações Anteriores
 +    * Reconhecimento de que a comparação não é inédita.
 +    * Crítica aos estudos anteriores: baseavam-se em concepção-clichê de Orígenes, caricatura derivada do origenismo posterior e de historiadores do início do século XX, que conheciam pouco Orígenes.
 +    * Exceção parcial: breve estudo de K. H. E. De Jong, que apenas cita textos sem comentá-los ou inseri-los em sistema.
 +    * Não endosso à tese fundamental de De Jong (Amônio Sacas como fundador real do neoplatonismo).
 +
 +  * Outro Objetivo da Comparação: Expor os Dados Filosóficos em Orígenes
 +    * Intenção de expor de modo mais completo os dados filosóficos presentes na obra de Orígenes.
 +    * Resposta a crítica recebida durante defesa de tese: necessidade de estudar não apenas a ideia explícita que Orígenes tinha da filosofia, mas sua utilização concreta e as doutrinas exploradas.
 +    * Reconhecimento da amplitude dessa tarefa, que ultrapassaria uma tese complementar.
 +    * Justificativa do passo anterior: concepção do uso da filosofia pelos cristãos em Orígenes era pré-requisito necessário.
 +    * Propósito do livro presente: cumprir parcialmente essa tarefa, usando Plotino como ferramenta para detectar fontes filosóficas em Orígenes.
 +
 +  * Estrutura da Comparação: Precedência Cronológica versus Ordem de Análise
 +    * No título, Orígenes citado antes de Plotino por direito de ancestralidade (cerca de vinte anos mais velho).
 +    * Nos capítulos, Plotino será estudado antes de Orígenes em cada tópico.
 +
 +  * Diferenças Fundamentais de Objetivo e Perspectiva: Filósofo vs. Teólogo
 +    * Diferença notável entre o filósofo Plotino e o teólogo Orígenes (nos sentidos atuais dos termos).
 +    * Objetivo de Plotino: examinar profundamente a natureza de Deus, do mundo e do homem, com auxílio da experiência interior, intuições e raciocínio, situado na tradição platônica, complementada com estoicismo e aristotelismo.
 +    * Método de Plotino: pode contradizer a tradição veladamente (ex: questão da eternidade da criação), fazendo uma //interpretatio benigna//.
 +    * Primazia em Orígenes: a tradição judaico-cristã das Escrituras é a verdade primordial a ser explicada para dar respostas aos intelectuais de seu tempo.
 +    * Elementos na interpretação de Orígenes: experiência espiritual, raciocínio e tradição do Médio Platonismo, mas com peso relativo diferente de Plotino.
 +    * Caráter das doutrinas: em Plotino, doutrinas filosóficas; em Orígenes, frequentemente expressões ou interpretações filosóficas dadas a ensinamentos de origem bíblica.
 +    * Traço comum: ambos são //pesquisadores//, com ardor na investigação (teologia em exercício em Orígenes, exame minucioso em Plotino).
 +
 +  * Papel Auxiliar da Filosofia em Orígenes
 +    * Objeto essencial de Orígenes: explicar a palavra de Deus conforme a //pregação apostólica// ou //eclesiástica//.
 +    * Função da filosofia: papel auxiliar, fornecendo parte do vocabulário e ajudando a desenvolver o esboço da Revelação de modo compatível com essa pregação.
 +    * Finalidade: dar aos cristãos meio de racionalizar sua fé e não recorrer aos hereges.
 +    * Influência da filosofia: atua principalmente na maneira como Orígenes representa as realidades teológicas, para expressar e desenvolver dados da Revelação aplicando-os aos problemas da elite intelectual.
 +
 +  * Natureza Assimétrica da Comparação
 +    * Advertência: comparar Orígenes a Plotino não é comparar dois filósofos, mas confrontar uma teologia com o pensamento filosófico que está em parte em sua base.
 +    * Os pontos estudados representam a doutrina total de Plotino, mas apenas uma parte da imensa doutrina de Orígenes (ex: tema da Encarnação praticamente ausente).
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 +  * Impossibilidade de Influência Direta Mútua
 +    * Diferença etária: Orígenes (n. c. 185) é cerca de vinte anos mais velho que Plotino (n. 205).
 +    * Impossibilidade de frequentarem juntos a escola de Amônio: Plotino entra em 233, quando Orígenes já tinha obra escrita (incluindo **Tratado dos Princípios**) e havia deixado Alexandria.
 +    * Início da escrita de Plotino (254, segundo Porfírio) após a provável morte de Orígenes (c. 254).
 +    * Publicação dos tratados plotinianos por Porfírio muito mais tarde.
 +    * Conclusão: influência direta de Plotino sobre Orígenes é insustentável.
 +    * Influência inversa (Orígenes sobre Plotino) também improvável: da leitura de Plotino não é possível saber se ele conhecia o cristianismo, ortodoxo ou herético.