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tnpl:estados:gloria

ESTADO DE GLÓRIA

Ananda Coomaraswamy: O QUE É CIVILIZAÇÃO?

A interpretação que Filão faz da “glória” tem um equivalente exato na Índia, onde os poderes da alma são “glórias” (sriyah) e, coletivamente, “o reino, o poder e a glória” (sri) de seus verdadeiros detentores; e, consequentemente, toda a ciência do governo é a ciência do controle desses poderes (Arthasastra I.6); ver meu . Trata-se inteiramente de uma relação de lealdade feudal, em que os súditos trazem o tributo e recebem a generosidade — “Tu és nosso e nós somos teus” (Rig Veda Samhita VIII.92.32), “Sejamos teus para que tu nos dês o tesouro”.

DA PERTINÊNCIA DA FILOSOFIA

…“as coisas que pertencem ao estado de glória não estão sob o sol” (Santo Tomás de Aquino em Sum. Theol. III, Supl. q.I, a.I), isto é, não estão em nenhum modo do tempo ou do espaço; podemos melhor dizer que “é através do meio do Sol que se escapa inteiramente” (atimucyate, Jaiminiya Upanixade Brahmana 1.3), donde o sol é “a porta dos mundos” (loka-dvara), (Chandogya Upanixade, VIII.6.6), a “porta através da qual todas as coisas voltam perefeitamente livres a sua felicidade suprema (purnananda). . . livres como a Divindade Suprema na sua não-existência” (asat), de Mestre Eckhart, a “Porta” de São João X, a “porta do Céu que Agni abre” ou svargasya lokasya dvaram avrnot Aitareya Brahmana, III.42) (nenhum ecleticismo aqui). É certo que aqui nos encontraremos de novo inevitavelmente com uma distinção que de modo algum podemos passar por alto, entre a formulação religiosa e a formulação metafísica. Como já vimos, o conceito religioso da felicidade suprema culmina na assimilação da alma à Divindade em ato, posto que o ato próprio da alma é um ato de adoração mais do que um ato de união. Assim mesmo, e sem incongruência, posto que se assume que a alma individual permanece numericamente distinta igualmente de Deus e de outras substâncias, a religião oferece à consciência mortal a promessa consolatória de encontrar lá no Céu não somente a Deus senão aqueles a quem amava na terra, e de poder recordar e reconhecer.

Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 5

A glória do Senhor é segundo se afirma, a luz que está diante de sua face ([17:15]), aquela que o saltério se refere quando confirma ainda em [4:6]. Na versão grega e na Vulgata se traduz este texto como « A Luz de tua face está selada em nós », selo que não é outro — se diz — que a imagem da face de Deus impressa, mediante a ação daquela luz no homem pneumático, espiritual, criado por Deus à sua imagem.

Dito de outra maneira: o homem leva impresso em seu espírito ou essência a face de Deus, porque o homem pneumático é (está feito a) imagem de Deus. Inspirado, ou conduzido pelo débil, longínquo, resplendor desta imagem de Deus, o homem de abaixo, o Adão Psíquico, busca a face de Deus: [27:8]; [105:4]; [24:6]. Como explica Paulo: [13:12]. O que o Apóstolo pretende alcançar é uma contemplação face a face, quer dizer, desde a face em imagem que somos enquanto homem pneumático, frente à face original do Ser, de Deus. O que ocorre é que tal contemplação só é possível quando esse “mistério” que leva ao nascimento em água e espírito tenha sido culminado. Tal nascimento é o selo batismal que converte manifestamente em um filho da luz, em luz da Vida, ao homem em Cristo: [16:8]; [8:12]; [5:5].

Evangelho de Tomé - Logion 40

E de que outra maneira poderia ser visto o Filho do homem senão como glória? Na teofania da Transfiguração, quando Moisés e Elias aparecem em glória com Jesus, é descrita a Glória pelos evangelistas como uma brancura fulgurante (Lc), resplandecente (Mc), ou bem, segundo diz Mateus em uma tentativa de distinguir o Ser da vestimenta do Ser, a luz de seu resplendor: “sua face brilhante como o sol e seus vestidos brancos como a luz” (Mateus 17:2)

A presença de Moisés e Elias no alto monte, na glória inseparável com Jesus, quer dizer, em glória que não admite ser separada em tendas individuais, diferenciadas, é um testemunho da unicidade do Filho do homem em sua desnudez pura de ser Glória, de ser o manto de luz no qual o Pai se veste [Tu que te cobres de luz como de um manto, que estendes os céus como uma cortina. (Salmos 104:2)]

Também os profetas Ezequiel e Daniel revelarão, no Dia de sua teofania, ao Filho do homem, enquanto seu ser verdadeiro, a essência desnuda da mortal condição humana. Nesse Dia ambos viram a Glória que descrevem em suas escrituras respectivas como o “fulgor do electro”, como um “rio de fogo” (Daniel 7:11-13).

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