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Senhor, não sou digno...
BOON, N. M. Au coeur de l’Ecriture: méditations d’un prêtre catholique. Paris: Dervy-livres, 1987.
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As palavras do Centurião em Mateus 8, 8 são utilizadas antes da Comunhão e mantidas no ritual em latim de Paulo VI, mas a tradução francesa simplificou a expressão, o que, para o homem moderno, esvazia a dimensão espiritual ao reduzir o ser à formulação do eu, ignorando a ligação simbólica entre a casa e a alma.
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Passagem em latim define: Senhor, não sou digno de que entreis em meu teto, mas dizei uma só palavra e minha alma será curada.
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Versão em francês substitui por: não sou digno de te receber, mas diz uma única palavra e serei curado.
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Redução do termo afeta o nephesh.
A correspondência entre o coração e a casa manifesta-se na estrutura linguística e sagrada, como se observa na primeira letra da Gênese, o beth, que significa casa e contém virtualmente toda a palavra revelada segundo o ensinamento rabínico, relacionando-se também com Binah, que é denominada construção.-
Significado da palavra leb, ou coração, envolve a ideia de envolver.
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Constatação de Monsenhor Devoucoux sobre as três cercas do Templo de Janus, em Autun, designadas como lobiae, sendo lobia equivalente a cerca.
A proteção e o esmero na perfeição da alma—casa encontram-se descritos em Isaías 4, 5, passagem na qual o profeta aborda o resto salvo de Israel que habita em Jerusalém, a Cidade ou Visão da Paz.-
Citação profética estabelece que acima de toda alma haverá um telhado.
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Expressão em hebraico grafada como KI L KoL KaBoD ChuPaH.
O termo kabod possui significados que abrangem honra, glória, riqueza e também espírito ou alma, apresentando um valor numérico idêntico ao de leb, que corresponde a 32.A cura do servo fundamenta-se na dupla acepção das palavras gregas e hebraicas que conectam as ideias de jovem, servo e criança, apontando para o ponto original do ser, que é o nous, o neschamah ou mens, no qual o infinitamente pequeno identifica-se com o infinitamente grande.-
Evangelho de São Mateus e São Luc utilizam o vocábulo grego traduzido como criança e servo.
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Evangelho de São João emprega a expressão meu pequeno filho.
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Liturgia preserva a sentença latina e sanabitur anima mea.
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Idioma francês utiliza o termo garçon para relação análoga.
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Vocábulo hebraico naar indica simultaneamente jovem e servo.
O Arcanjo Mikael, cujo nome secreto é Metatron, compartilha dessa simbologia da infância e da dualidade entre o pequeno e o grande, sendo denominado servo de Deus na sua manifestação jovem e ancião junto ao Trono de Deus em Kether, a Coroa, além de estar associado à Schekinah como a Presença da Glória divina.-
Aplicação eventual dos nomes de Mikael e Metatron ao próprio Cristo, designado no Evangelho como um pequeno menino.
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Atribuição do termo naar a São Miguel como executor das ordens divinas.
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Função macrocósmica de Mikael ao introduzir os seres na Glória de Deus através da Balança, ligada aos aspectos de introdução e de Princípio com as três clarezas do alto: Kether, a Coroa; Chokmah, a Sabedoria; e Binah, a Inteligência.
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Atuação dos anjos da guarda sob uma perspectiva microcósmica.
A proximidade entre a Festa dos Anjos da Guarda, no dia 2 de outubro, e a Festa de São Michel, no dia 29 de setembro, reflete a função central dessas entidades como portadoras da Glória de Deus e reflexos do Verbo no espelho da alma individual, permitindo apreender o estado angélico do homem primordial.-
Ensinamento de um Rabi afirma que Mikael Metatron Na-ar ocupa em cada um um lugar central como reflexo do mais alto grau da existência angélica.
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Definição de kabod como Glória, riqueza, espírito e alma.
A instauration do homem em seu estado de perfeição pressupõe uma continuidade orgânica entre os diferentes estados da existência, contrariando a tendência racional da ciência e da psicanálise de criar sistemas fechados e abismos intransponíveis entre os reinos da criação e entre o ser humano e o anjo.-
Hino sobre o Paraíso de São Ephrem ilustra que na Ressurreição o corpo será revestido da beleza da alma, a alma da beleza do espírito, e o espírito da Glória de Deus.
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Divisão habitual da existência em mundos mineral, vegetal, animal, hominal e angélico.
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Continuidade entre o plano hominal e o anjo fundamentada na alma correspondente a Neshamah.
O mistério do espírito vincula-se à unidade e à vida, onde a multiplicidade possui caráter qualitativo e a transição entre os estados existenciais, inclusive o acesso do anjo ao Espírito Divino, realiza-se por meio do número infinitesimal, revelando a indissociabilidade entre transcendência e immanência.-
Dificuldade do homem ocidental em compreender o valor qualitativo do número.
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Acusações de panteísmo direcionadas a correntes místicas da Tradição judaica.
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Sentença de Santo Agostinho declara que Deus é mais interior ao indivíduo do que o próprio indivíduo a si mesmo.
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Definição da continuidade dos estados como o raio de luz emanado da Sabedoria Divina.
A definição das realidades criadas supra-individuais do mundo angélico requer o abandono de preconceitos filosóficos e da metodologia aristotélica de divisão por gêneros e espécies, fixando-se no termo hebraico min, que não se ajusta perfeitamente aos conceitos de forma ou de categorias sensíveis.-
Vocábulo species surge em traduções do primeiro capítulo da Gênese, vinculando-se originalmente à visão e ao mundo sensível.
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Existência das coisas decorre do fato de Deus as ver, legitimando o uso de species para o inteligível.
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Conceito de forma na escolástica, segundo São Tomás, aponta para o inteligível que confere o ser: dat esse forma.
A análise aprofundada dos termos visa à síntese que conduz em direção ao Un, revelando que a palavra min abriga significados cabalísticos onde suas letras representam os princípios geradores da criação e o retorno às origens.-
Letra inicial mem simboliza Binah, a Mãe Universal, bem como as águas primordiais fecundadas pelo Espírito.
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Letra yod representa o Princípio ou a Sabedoria Chokmah que fecunda a Mãe.
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Letra nun significa o Filho em fenício ou o Peixe em língua semítica.
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Letra nun final assemelha-se ao vav, que corresponde ao Pequeno Rosto, Filho do Grande Rosto, atuando como a Coluna do Meio e o Eixo do Mundo atado ao Princípio Yod.
A multiplicação dos valores numéricos das letras iniciais resulta no número 50, que se associa estreitamente às cinquenta portas da Inteligência de Binah e ao Jubileu, significando o retorno chamado Teshubah para o centro do quadrado formado pela letra mem fechada.-
Termo Jobel ou Jubileu indica o retorno ao Seio Materno.
O simbolismo da letra mem fechada conecta-se ao santuário e à palavra lugar, escrita sem vav como MAKOM, que se estrutura a partir de um elemento aberto e outro fechado com um eixo direcionado ao Polo.-
Letra mem aberta indica a Mãe que procria, enquanto a mem final representa o Seio Materno do Retorno.
O fechamento do ciclo aponta para o Sábado dos Sábados, associando o valor numérico da mem fechada, 600, ao sexto dia da criação do homem, representado pelo vav de valor 6, e à segunda infância ou renascimento espiritual.-
Indicação de Paul Vulliaud sobre a incompreensão de Nicodemos, Doutor em Israel, acerca do renascimento.
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Diálogo no Evangelho de São João 3, 4 e 3, 9 inquire sobre como pode um homem velho nascer e entrar pela segunda vez no seio materno.
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Resposta de Cristo em São João 3, 10 questiona o fato de um Mestre em Israel ignorar tais assuntos.
A palavra min define o constitutivo essencial de cada ser conforme sustentado ontologicamente em seu Princípio, denominado na Tradição Rabínica como Mundo Vindouro.A letra quof, situada entre os dois tipos de mem na palavra Makom, possui valor numérico equivalente a 100, idêntico ao termo min, atuando como símbolo polar associado ao Princípio.A consumação de todas as coisas opera-se pela reintegração do Filho na Mãe representada pela mem final, ocultando o yod no seu centro e manifestando a passagem da forma circular para a quadrada.-
Letra nun final assemelha-se ao quof por sua constituição de um vav alongado e um yod.
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Transposição do círculo, representativo do Paraíso Terrestre e da possibilidade universal, para o quadrado ou cubo, que simboliza a realização dessas possibilidades.
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Raiz rad nas línguas germânicas, rota em latim, rit em sânscrito e o termo roder denotam circularidade.
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Jerusalém Celestial da Apocalipse apresenta formato correspondente à mem final fechada.
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Integração do vav humano de valor 6 na letra quof de valor 100 resulta no produto 600 da mem final.
A enfermidade do filho mencionada pelo Centurião alude ao pecado e à influência das klippoths, as cascas maléficas, que rompem a comunicação entre a alma superior Neshamah, a alma inferior Nephesh e o Ruach.-
Estrutura da casa da alma guarnecida por um teto comparável a um dossel de honra.
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Consequência do afastamento da Schekinah para o alto em Binah cinde o Nome Sagrado, convertendo os influxos de Yah e as letras Vav e He em expressões de desalento.
A restauração da integridade do ser ocorre mediante a palavra que representa o arrependimento e a unificação do Nome fraturado, permitindo o retorno da alma ao seio de Binah.-
Citação dos Atos dos Apóstolos 4, 12 assevera que nenhum outro nome debaixo do céu foi dado aos homens para a salvação.
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Equivalência numérica simples entre o Nome de Jesus, totalizando 17, e o Tetragrama, também totalizando 17, demonstrando que o nome sob o Céu manifesta o nome no Céu.
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Tradição rabínica ensina que pelo arrependimento ocorre a volta ao Mundo Vindouro.
O vocábulo min ocorre dez vezes no capítulo inicial da Gênese, em paralelo às dez palavras da Criação, aplicando-se estritamente aos seres vivos criados no quinto e no sexto dias.A intensidade fulgurante da luz primordial motivou a criação dos luminares no quarto dia, os quais correspondem ao elemento fogo e concentram as emanações das coroas e inteligências superiores.-
Termo luz identificado como AUR.
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Palavra fogo identificada como Ach ou ech.
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Letras alef e chin vinculadas aos três primeiros dias, abrangendo a Coroa, a Sabedoria e a Inteligência, e às três colunas da emanação.
A criação do quinto dia abrangeu os seres alados associados ao Ar e os seres marinhos correspondentes à Água, enquanto o sexto dia destinou-se aos animais terrestres e ao homem.-
Designação hebraica para aves indicada como ouph.
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Correspondência dos elementos Ar, Água e Fogo com as três letras mães: alef, mem e chin.
A determinação da liturgia judaica de inserir um fio azul, ou Tzitzith, baseia-se na explicação de Rabbi Meïr, que conecta a tonalidade azul ao oceano, este ao céu, e o céu ao safira do Trono Celestial.-
Relação das esferas do Oceano, Céu e Trono com a Água, o Ar e o Fogo.
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Atuação da cor Azul como a Sabedoria que articula os três elementos matrizes.
A criação do ser humano distingue-se das demais espécies por não ser designada pelo termo leminô, mas sim pelas expressões que apontam para a imagem e semelhança divinas, substituindo ordens singulares pela constituição de um santuário para a Presença Divine.-
Termo inicial da Criação atua como Bereshit em vez de vaiomer, resumindo a totalidade das letras.
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Expressão para imagem definida como Betzalmenou, onde Tselem assume os sentidos de imagem, sombra e treva.
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Expressão para semelhança grafada como kidmouthenou, sendo que demoth sem a letra vav soma o valor 444.
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Valor numérico 444 coincide com o de MQDS, representativo do santuário da Schekinah.
A designação do homem pelos termos Adão e Ish revela, ao se retirarem as letras yod e daleth que formam a palavra mão, o conjunto das três letras mães e a raiz do ato de conhecer, o qual exige uma elevação análoga ao estado angélique.-
Junção das letras retiradas resulta no yod, base do termo lada, que significa conhecer.
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Vocábulo ouph denota ascensão retilínea pelo vav rumo à Face.
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Presença dos anjos denominados Ophanim diante do Trono.
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Alusão ao mistério encerrado na expressão conhecer a linguagem das aves.
A diferença aritmética entre o valor numérico de Bereschit, que é 913, e a soma das expressões de imagem e semelhança, que é 814, resulta em 99 devido à unidade oculta na criação e à estrutura interna da letra alef.-
Constituição da letra alef formada por dois yodins e um vav.
O processo da criação determinou a descida de Binah até Malkuth, estabelecendo uma relação de reflexo especular entre o yod superior da Sabedoria e o yod inferior do Reino, os quais se ligam pela Coluna do Meio.-
Conexão dos dois yodins gera a letra alef, visto que o nun se constitui de um yod e um vav invertido.
O mistério humano completa-se pelo sinal do Jubileu associado ao número 50, conclamando o yod inferior a retornar e integrar-se à sua habitação original em Binah./home/mccastro/public_html/cristologia/data/pages/theosophos/cabala-crista/boon/dignus.txt · Last modified: by 127.0.0.1
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