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primal:gregorio-palamas:hesychia

Hesychia

Philokalia

  1. A defesa da vida de quietude parte da confiança nos santos como testemunhas da verdade, pois rejeitar os santos equivale a rejeitar o próprio Deus dos santos, e por isso as objeções dos que se dedicam à erudição profana contra o recolhimento do intelecto no corpo devem ser examinadas à luz da experiência espiritual.
    • Os críticos afirmam que seria errado encerrar o intelecto no corpo e que seria preciso afastá-lo dele por todos os meios.
    • Eles zombam daqueles que aconselham os iniciantes a voltar o olhar para si mesmos e a recolher o intelecto por meio da respiração.
    • A acusação de que a graça divina seria introduzida pelas narinas é uma deturpação maliciosa da prática hesicasta.
  2. O corpo não é mau nem indigno de abrigar o intelecto, pois São Paulo o chama de templo do Espírito Santo e morada de Deus, e o mal não consiste em o intelecto estar no corpo, mas em prender-se a pensamentos materiais.
    • A crítica à presença do intelecto no corpo aproxima-se da heresia que considera o corpo mau ou obra do diabo.
    • Davi e Isaías testemunham que também a carne, o coração, o ventre e as entranhas podem desejar, alegrar-se e ressoar diante de Deus.
    • Quando São Paulo fala do “corpo desta morte”, não condena a carne como natureza, mas a lei do pecado que nela se infiltrou pela queda.
  3. A lei do pecado deve ser combatida no corpo pela vigilância do intelecto, que ordena as faculdades da alma e os membros do corpo mediante autocontrole, amor, sobriedade e oração purificadora.
    • O autocontrole regula os sentidos.
    • O amor orienta a parte passível da alma.
    • A sobriedade remove o que impede a ascensão da mente a Deus.
    • O intelecto purificado pela oração recebe no coração a luz do conhecimento da glória de Deus na pessoa de Jesus Cristo.
  4. O intelecto utiliza o coração como seu órgão principal, pois os pensamentos saem do coração e, segundo São Macário, ali residem o intelecto e todos os pensamentos da alma.
    • A alma é uma só entidade com muitas potências e utiliza o corpo como órgão natural.
    • O intelecto não está no corpo como em recipiente material, pois é incorpóreo, mas está unido ao homem e atua pelo coração.
    • A vigilância rigorosa exige recolher o intelecto disperso pelos sentidos e reconduzi-lo ao coração, santuário dos pensamentos.
  5. A vida espiritual exige que o intelecto retorne ao interior do corpo e do coração, pois a glória da alma está dentro, o Espírito clama no coração e o Reino dos céus está no interior do homem.
    • Resistir ao pecado, adquirir virtude e alcançar a percepção inteligível requerem a volta do intelecto a si mesmo.
    • Extrair o intelecto do corpo, e não apenas dos pensamentos materiais, é ilusão profana, raiz de heresia e invenção demoníaca.
    • O caminho correto instala o intelecto no corpo, no coração e em si mesmo.
  6. A distinção entre essência e energia do intelecto permite compreender que ele pode retornar a si mesmo, pois sua atividade direta contempla as coisas exteriores, enquanto sua atividade circular volta-se para si e por si ascende a Deus.
    • São Dionísio distingue o movimento direto e o movimento circular do intelecto.
    • São Basílio ensina que o intelecto, quando não se dispersa exteriormente, retorna a si e por si sobe a Deus.
    • O movimento circular é a atividade mais elevada, mais própria e livre de ilusão do intelecto.
  7. A tradição hesicasta é confirmada por São João Clímaco, que define o hesicasta como aquele que procura encerrar o incorpóreo no corpo, e por isso a oração verdadeira não mantém o intelecto fora do corpo, mas o recolhe no interior.
    • A tentativa de manter o intelecto fora do corpo favorece delusões espirituais.
    • O hesicasta deve possuir dentro de si aquele que assumiu corpo e penetra toda matéria organizada.
    • O corpo material só pode abrigar o intelecto quando vive de modo adequado à união com ele.
  8. O ensino dado aos iniciantes para olhar para dentro de si e recolher o intelecto com auxílio da respiração é legítimo, pois o intelecto inexperiente se dispersa continuamente e precisa ser reconduzido até alcançar concentração unificada.
    • A atenção à inspiração e à expiração ajuda a conter a mobilidade do intelecto.
    • O controle da respiração acompanha espontaneamente a concentração intensa.
    • Os que praticam a quietude corporal e mental repousam espiritualmente de toda atividade pessoal e transitória.
  9. A experiência espiritual confirma a utilidade da postura corporal e do recolhimento interior, pois o corpo curvado, o olhar fixo no peito ou no umbigo e a atenção ao centro interior ajudam a reconduzir ao coração a potência do intelecto dispersa pelos sentidos.
    • O progresso na quietude torna espontâneas práticas que para os iniciantes exigem esforço.
    • A paciência nasce do amor e conduz ao próprio amor.
    • A postura corporal pode cooperar com o movimento circular do intelecto.
    • O estabelecimento da lei do intelecto no lugar onde atua a lei do pecado impede o retorno agravado do espírito mau expulso pelo batismo.
  10. A ordem mosaica de estar atento a si mesmo exige vigilância integral da alma e do corpo pelo intelecto, para subjugar o homem não regenerado ao Espírito e impedir que alguma iniquidade secreta permaneça no coração.
    • A atenção a si mesmo liberta das paixões corporais e anímicas.
    • Quem examina a si mesmo não será condenado pelo juízo divino.
    • Quando o desejo corporal retorna à alma e por ela se eleva a Deus, também a carne se transforma e se torna morada de Deus.
  11. A carne deve ser cuidadosamente vigiada porque nela se levanta o espírito mau contra o homem, e por isso até os perfeitos adotaram posturas corporais de oração que auxiliam o recolhimento interior.
    • Elias inclinou a cabeça sobre os joelhos, recolheu o intelecto em si e em Deus, e pôs fim à longa seca.
    • Os críticos da oração recolhida agem como fariseus, preocupados com o exterior e alheios à purificação do coração.
    • A postura do publicano, que não ousava levantar os olhos ao céu, confirma a legitimidade de voltar o olhar para si na oração.
  12. Os adversários da quietude caluniam os hesicastas, pois atacam símbolos corporais usados para expressar realidades inteligíveis e espirituais, mas seus ataques aumentam a recompensa dos santos e os deixam fora da contemplação da verdade.
    • Eles escrevem por autoadulação, não por amor à verdade.
    • Eles procuram afastar os homens da vigilância espiritual.
    • Eles ridicularizariam até expressões bíblicas sobre a lei de Deus no centro do ventre e as entranhas restauradas por Deus.
  13. A tradição de recolher o intelecto em si mesmo é transmitida por santos reconhecidos, como Simeão, o Novo Teólogo, Nicéforo, Teolepto de Filadélfia, Atanásio, Nilo da Itália, Seliotes, Elias, Gabriel e outros homens dotados de experiência e graça.
    • Simeão, o Novo Teólogo, viveu uma existência milagrosa e deixou escritos de vida.
    • Nicéforo transmitiu textos dos santos padres sobre a vigilância.
    • Teolepto de Filadélfia iluminou o mundo como verdadeiro teólogo e visionário dos mistérios divinos.
    • A obediência deve ser dada aos que ensinam por experiência e graça, não aos que ensinam por vaidade, disputa e raciocínio espúrio.
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