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Atividade hierárquica
ROQUES, René. L’ Univers dionysien: structure hiérarchique du monde selon le Pseudo-Denys. Paris: Éditions du Cerf, 1983.
- A hierarquia e as inteligências compartilham uma atividade essencial caracterizada por três aspectos fundamentais e inseparáveis: a purificação, que elimina o que torna a inteligência dessemelhante a Deus; a iluminação, que revela Deus à inteligência purificada e a eleva à capacidade contemplativa; e o aperfeiçoamento ou unificação, que culmina na posse de uma ciência unificante e divinizante, centrada na visão de Deus como foco de toda perspectiva e exigindo adesão constante da vontade.
- A distribuição das funções de purificação, iluminação e aperfeiçoamento entre os diferentes graus hierárquicos é estabelecida de modo que os ordens superiores realizam o aperfeiçoamento, os médios a iluminação e os inferiores a purificação, refletindo a ação da própria Tearquia, embora na hierarquia eclesiástica cada ordem possua uma função predominante, enquanto na hierarquia celeste todas as funções se encontram em cada inteligência, ainda que em graus diversos.
- A aparente exclusividade na atribuição de funções a ordens particulares deve ser compreendida como uma característica predominante, pois cada ordem superior detém também as funções das inferiores, não havendo compartimentos estanques; a atividade divina, sendo una, é transmitida integralmente a cada ordem, embora recebida segundo a capacidade própria de cada uma, garantindo assim a mobilidade e a intercomunicação entre os diversos graus.
- A atividade hierárquica opera por uma dupla mediação: uma descendente, que é a transmissão progressiva do dom divino desde a Tearquia até os últimos graus, e uma ascendente, que é o retorno das inteligências a Deus; esses dois movimentos são simultâneos e interdependentes, sendo a mediação descendente regulada pela proximidade de cada ordem ao divino e expressa por metáforas solares, nas quais a luz se atenua conforme encontra matérias mais espessas, e a ascendente exige a mediação dos ordens superiores para que os inferiores possam elevar-se a Deus.
- A mediação descendente e ascendente obedecem às mesmas leis, nas quais cada ordem é simultaneamente receptora e transmissora, e a intensidade das operações divinas varia conforme a capacidade espiritual determinada pelo grau hierárquico, sendo que a lei fundamental da transmissão é a necessidade de parentesco e afinidade entre as naturezas que se comunicam, e a capacidade de receber o divino não se mede espacialmente, mas pela aptidão interior de cada inteligência.
- Apesar das diferenças nas participações, existe uma única e mesma atividade em toda a hierarquia, que é a própria atividade da Tearquia, e essa unidade é confirmada pela doutrina do amor, que se identifica com a atividade hierárquica de purificação, iluminação e união, constituindo-se em uma força única e simples que procede de Deus, retorna a Ele e possibilita a todas as inteligências, segundo sua natureza e dignidade, a participação na vida divina.
- As participações na atividade divina única diferenciam-se segundo a analogia e a simetria próprias de cada grau, e também pela dessemelhança que separa as inteligências criadas do Bem supremo, mas permanecem sempre como verdadeiras participações, que se assemelham entre si pela sua natureza participada, embora guardem uma dessemelhança necessária, expressa pela ideia de uma “semelhança dessemelhante” em relação à atividade divina, o que constitui o caráter analógico de toda a atividade hierárquica.
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