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DIONÍSIO O AREOPAGITA — DOS NOMES DIVINOS
Caput 7. Sobre a Sabedoria, a Mente, a Razão, a Verdade, a Fé
- Deus Todo-Poderoso é não apenas superplenamente cheio de sabedoria, de cujo entendimento não há número, mas está fixado acima de toda razão, mente e sabedoria — e é usual entre os teólogos negar a respeito de Deus as coisas de privação em sentido oposto, como quando os Oráculos declaram a Luz omni-luminosa como invisível, e o que é de muitos nomes como inefável e sem nome, e o que está presente a todos como incompreensível e impenetrável.
- Paulo, o Apóstolo divino, ao celebrar como “loucura de Deus” o que aparece inesperado e absurdo, aponta para a verdade inefável e anterior a toda razão; e a frase “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens” significa não apenas que toda inteligência humana é uma espécie de erro quando provada pela estabilidade das concepções divinas perfeições, mas que essa negação é ela própria um modo de celebração da Sabedoria divina
- A mente humana tem o poder do pensamento pelo qual contempla as coisas intelectuais, mas a união pela qual entra em contato com as coisas além de si mesma supera a natureza da mente — devendo-se contemplar as coisas divinas por essa União, não a partir de si mesmo, mas fora de todo o próprio ser e tornando-se todo de Deus
- A Sabedoria irracional e sem-mente e insensata, celebrada em sentido superlativo, é afirmada como Causa de toda mente e razão, de toda sabedoria e entendimento, de todo conselho e conhecimento; e nEla todos os tesouros de sabedoria e conhecimento estão ocultos
- As potências contemplativas e contempladas das Mentes angélicas têm suas concepções simples e bem-aventuradas a partir da Sabedoria divina, coletando seu conhecimento divino não em porções, nem dos sentidos, nem de raciocínios detalhados, mas purificadas de tudo o que é material e múltiplo, contemplam as concepções das coisas divinas intuitivamente, imaterialmente e uniformemente; e as almas têm sua potência racional investigando a verdade das coisas por passos detalhados e de modo rotativo, ficando aquém das mentes singulares em sua variedade dividida e múltipla, mas sendo julgadas dignas, pela coleção de muitas para o Um, de concepções iguais às dos anjos na medida do adequado e alcançável às almas.
- Mesmo a mente dos demônios, enquanto mente, é dela — mas na medida em que é irracional, não sabendo e não desejando atingir o que almeja, deve-se chamá-la mais propriamente uma declensão da sabedoria
- Deus Todo-Poderoso conhece todas as coisas não por um conhecimento das coisas existentes, mas por um conhecimento de Si mesmo — pois como Causa de tudo, precontém e precompreende a noção e o conhecimento e a essência de todas as coisas em um único ato causal, assim como a luz, como causa, pressupõe em si mesma a noção de escuridão, não conhecendo a escuridão senão a partir da luz
- A citação dos Oráculos sobre o conhecimento divino é: “Ele, conhecendo todas as coisas, antes de seu nascimento”
- Deus não é conhecido por Sua própria natureza — que é desconhecida e ultrapassa toda razão e mente — mas a partir da ordenação de todas as coisas existentes projetadas de Si mesmo e contendo imagens e similitudes de Seus exemplares divinos, ascende-se, na medida do possível, ao que está além de tudo, pelo método da abstração e preeminência de todas as coisas e pela causalidade de todas.
- Deus é conhecido mesmo em tudo e separado de tudo; por conhecimento e por agnosia; e há dEle tanto concepção como expressão e ciência e contato e percepção sensível e opinião e imaginação e nome; e Ele não é concebido nem expresso nem nomeado, e não é nenhuma das coisas existentes nem é conhecido em nenhuma das coisas existentes
- O mais divino Conhecimento de Deus é o que se conhece pelo não conhecer — agnosia em transliteração do grego agnosia — durante a união acima da mente, quando a mente, tendo-se afastado de todas as coisas existentes e depois tendo-se dispensado a si mesma, se tornou una com os raios superluminosos, sendo ali iluminada pela profundidade insondável da sabedoria
- Deus é Causa formativa de tudo, sempre harmonizando tudo, Causa da adaptação e ordem indissoluta de tudo, sempre unindo os fins dos primeiros aos começos dos que se seguem, e embelezeando a única sinfonia e harmonia do todo
- Deus é celebrado nos santos Oráculos como Logos — não apenas porque é provedor de razão e mente e sabedoria, mas porque antecipou as causas de tudo solitariamente em Si mesmo e porque passa por tudo, como dizem os Oráculos, até o fim de todas as coisas, e ainda mais porque o Verbo Divino supera toda simplicidade e está liberto de tudo como o Superessencial.
- Este Logos é a verdade simples e verdadeiramente existente, em torno da qual, como conhecimento puro e infalível do todo, está a Fé Divina — o fundamento permanente dos crentes — que os estabelece na verdade e a verdade neles, por uma identidade imutável, tendo eles o conhecimento puro da verdade das coisas cridas
- O conhecimento une o cognoscente e o conhecido, mas a ignorância é sempre para o ignorante causa de mudança e de separação de si mesmo — e nada moverá aquele que crê na verdade do Santuário da Fé verdadeira, sobre o qual terá a firmeza de sua identidade imóvel e imutável
- Os primeiros líderes da divina Teosofia cristã estão morrendo cada dia em favor da verdade, testemunhando por toda palavra e ato ao único conhecimento da verdade dos cristãos — que é de todos o mais simples e mais divino, o único verdadeiro e uno e simples conhecimento de Deus
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