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Dionísio o Areopagita — Hierarquia Celestial
Caput 13. Por Que Razão o Profeta Isaías É Dito Ter Sido Purificado pelos Serafins
- A questão a examinar é por que um Serafim — inscrito entre os Seres mais veneráveis — é dito ter sido enviado para purificar o Teólogo, e não um dos Anjos inferiores.
- Alguns afirmam que o Logion não nomeia um dos mais elevados ao redor de Deus como tendo vindo para a purificação do Teólogo, mas que certo Anjo, colocado sobre os seres humanos como Ministro sagrado da purificação do Profeta, é chamado pelo mesmo nome dos Serafins por razão de que a remoção das faltas mencionadas e a restauração do purificado para a missão divina foi pelo fogo — e dizem que o Logion fala simplesmente de um dos Serafins, não um dos estabelecidos ao redor de Deus, mas um dos Poderes colocados sobre os seres humanos para fins de purificação.
- Outro intérprete apresentou uma defesa de modo algum insensata da posição presente, afirmando que o grande Anjo — quem quer que fosse — que formou essa visão para ensinar ao Teólogo as coisas divinas referiu sua própria função purificante a Deus e, após Deus, à primeira Hierarquia operante — pois o supremamente divino Poder ao visitar todos avança e penetra tudo irresistivelmente mas é invisível a todos, não apenas por ser superessencialmente elevado acima de todos, mas por transmitir secretamente suas energias providenciais a todos.
- A distribuição do raio solar passa com fácil distribuição à matéria mais transparente e através dela ilumina seus próprios esplendores com maior clareza; mas ao atingir materiais mais densos, seu brilho distribuído torna-se mais obscuro pela inaptidão dos materiais para transmitir o dom da Luz — do mesmo modo o calor do fogo transmite-se principalmente às coisas mais receptivas e condutoras à assimilação a si mesmo
- Por essa mesma regra da ordem natural, a regulamentação de toda boa ordem — visível e invisível — manifesta sobrenaturalmente o brilho de seu próprio dom de Luz em primeira manifestação aos Seres mais exaltados em abundantes correntes, e por meio destes os Seres que vêm depois participam do raio Divino
- Há para todos os iluminados uma Fonte de iluminação — Deus, por natureza e propriamente, como Essência de Luz e Causa do Ser e da própria Visão; e por ordenança e para imitação divina, o relativamente superior é fonte para cada um que vem depois, pelo fato de que os raios divinos são derramados por meio dele para esse
- Todos os Seres angélicos restantes consideram naturalmente a Ordem mais elevada das Mentes Celestiais como fonte — após Deus — de todo conhecimento e imitação de Deus, pois por meio deles a supremamente divina iluminação é distribuída a todos e a nós; e por isso atribuem toda santa energia da imitação divina a Deus como Causa, mas às primeiras Mentes deiformes como primeiros agentes e mestres das coisas divinas
- A visão foi mostrada ao Teólogo por meio de um dos santos e bem-aventurados Anjos colocados sobre os seres humanos, e por sua direção iluminante o Teólogo foi elevado à contemplação intelectual na qual viu os Seres mais exaltados sentados — para falar simbolicamente — sob Deus, com Deus e ao redor de Deus, e a Eminência supraprincipesca elevada acima deles e de todos, sentada no alto no meio das Potências superiores.
- O Teólogo aprendeu a partir do visto que o Ser Divino está sentado incomparavelmente acima de todo poder visível e invisível em comparação com toda preeminência superessencial, e que é Fonte e Causa essenciante e Fixidez inalterável da continuidade indissoluta de todas as coisas, da qual procedem o ser e o bem-estar das próprias Potências mais exaltadas
- A descrição da elevação séxtupla das asas dos santíssimos Serafins em concepções primeiras, medianas e últimas — as asas sob seus pés e sobre suas faces e o movimento perpétuo das asas medianas — trouxe ao Teólogo o conhecimento inteligível das coisas vistas: o poder das Mentes mais exaltadas para penetração e contemplação profundas, a reverência sagrada que possuem supramundanamente ante o escrutínio ousado e corajoso dos mistérios mais elevados e profundos, e o perpétuo movimento divino de suas energias em devida proporção
- O Anjo que formou a visão ensinou ao Teólogo que a participação, na medida do alcançável, na pureza supremamente divina e radiante é uma purificação para os puros por mais puros que sejam; e que sendo realizada da própria Divindade por causas mais exaltadas para todas as Mentes sagradas por uma obscuridade superessencial, manifesta-se e distribui-se de modo mais claro e em grau mais elevado às Potências mais elevadas ao redor dEla, mas com relação às segundas ou às Mentes mais baixas, na medida em que cada uma é distante da semelhança divina, Ela contrai sua iluminação luminosa ao único incognoscível de sua própria obscuridade
- Assim como o Hierarca humano, ao purificar ou iluminar por meio de seus Leitourgoi ou Sacerdotes, é dito ele mesmo purificar e iluminar — pois as Ordens consagradas por meio dele atribuem a ele suas próprias operações sagradas — do mesmo modo o Anjo que efetuou a purificação do Teólogo atribui sua própria ciência e poder purificantes a Deus como Causa e ao Serafim como Hierarca primeiro-operante
- A afirmação ensinada pelo Anjo ao que era purificado é: “Há uma Fonte e Essência e Agente e Causa preeminentes da purificação operada sobre ti a partir de mim — Ele Que traz os primeiros Seres ao Ser e os mantém por sua fixidez ao redor de Si mesmo, movendo-os às primeiras participações de Suas próprias energias providenciais; e como Hierarca e Líder após Deus, o Marechal dos Seres mais exaltados, de quem aprendi a purificar segundo o exemplo de Deus — esse é quem te purifica por meio de mim, por meio de quem a Causa e Criador de toda purificação trouxe para fora do Oculto até nós Suas próprias energias providenciais”
- Ao fim, o autor convida o destinatário a usar sua habilidade intelectual e discriminatória para absolver cada uma das causas assinaladas de objeção, ou para encontrar por si mesmo algo mais próximo da real verdade, ou para aprender de outro — Deus dando expressão e os Anjos suprindo-a — e para revelar uma visão mais luminosa se assim for, especialmente bem-vinda ao autor
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