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MISTÉRIOS

Ambrósio de Milão — Dos Mistérios

Ambos os tratados, “De Mysteriis” e “De Sacramentis” tratam dos sacramentos da iniciação cristã: batismo, confirmação, Eucaristia. Estes sermões endereçam-se aos novos batizados e desenvolvem uma catequese pascal sobre o simbolismo dos ritos e da Escritura. Testemunham do cuidado extremo no cristianismo dos primeiros séculos, que o pastor tomava em comentar as celebrações batismais, verdadeiras iniciações.


Sobre os Mistérios

  • As instruções morais cotidianas, ministradas através da história dos patriarcas e das máximas dos Provérbios, preparavam para que se seguisse o caminho dos antepassados e se obedecesse aos oráculos divinos, mantendo após o batismo o gênero de vida correspondente à purificação recebida
  • A explicação dos mistérios e dos sacramentos somente agora se torna oportuna, pois revelada antes do batismo configuraria traição em vez de tradição, e a luz dos mistérios penetra melhor naqueles que nada esperavam
    • referência ao mandamento “Effetha, isto é, abre-te” (Marcos 7:34), pronunciado na abertura dos mistérios
  • A cura do surdo-mudo realizada por Cristo no Evangelho constitui a celebração antecipada deste mistério
    • o toque na boca visava abrir o som da palavra, gesto conveniente a um homem mas não a uma mulher
  • O ingresso no Santo dos Santos e no santuário da regeneração implica lembrança das renúncias proferidas — ao diabo, às suas obras, ao mundo, à luxúria e aos prazeres — palavra que permanece guardada não no túmulo dos mortos, mas no livro dos vivos
  • A presença do levita, do sacerdote e do sumo sacerdote deve ser avaliada não pela aparência exterior, mas pela graça do ministério e pela função exercida
    • citação de Malaquias: “Os lábios do sacerdote são guardiães da ciência e de sua boca procura-se a lei, porque ele é o anjo do Senhor todo-poderoso” (Malaquias 2:7)
  • A volta para o oriente, ao discernir o inimigo a quem se renuncia frontalmente, corresponde ao voltar-se para Cristo e olhá-lo diretamente na face
  • A água vista no batismo remete ao ensinamento apostólico de que não se deve olhar o que é visível, mas o que é invisível e eterno
    • citação de Paulo: “não é preciso olhar o que se vê, mas o que não se vê, pois o que se vê é temporal, enquanto o que não se vê é eterno” (2 Coríntios 4:18)
    • citação aos Romanos: “as coisas invisíveis de Deus desde a criação do mundo são compreendidas por meio daquelas que foram feitas” (Romanos 1:20)
    • citação de Jesus: “Se não credes em mim, crede ao menos nas obras” (João 10:38)
  • A antiguidade do mistério remonta à origem do mundo, quando o Espírito pairava sobre as águas, agindo nessa criação
    • citação do Salmo: “Os céus foram firmados pela palavra do Senhor, e todo o poder deles pelo sopro de sua boca” (Salmos 32:6)
    • Moisés testemunha que o Espírito pairava, e Davi testemunha que ele agia
  • A corrupção da carne afastou a graça espiritual, levando ao dilúvio e à entrada de Noé na arca, donde se soltaram o corvo que não voltou e a pomba que retornou com o ramo de oliveira
    • citação do Gênesis: “O meu Espírito não permanecerá nos homens, porque eles são carne” (Gênesis 6:3)
    • a água sepulta o pecado carnal, o madeiro figura a cruz onde Jesus sofreu, a pomba figura o Espírito Santo, o corvo figura o pecado que sai e não retorna
  • A passagem dos hebreus pelo mar, sob a nuvem, prefigura o batismo, no qual o egípcio perece e o hebreu escapa intacto
    • citação de Paulo: “Nossos pais ficaram todos sob a nuvem, todos eles atravessaram o mar e todos eles foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar” (1 Coríntios 10:1-2)
    • citação do cântico de Moisés: “Enviaste o teu Espírito, e o mar os engoliu” (Êxodo 15:10)
  • A boa nuvem que resfriava as paixões carnais protegia aqueles visitados pelo Espírito Santo, assim como o poder do Altíssimo cobriu com sua sombra a virgem Maria
    • citação de Lucas: “A lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Lucas 1:35)
  • A fonte amarga de Mara, adoçada pela madeira lançada por Moisés, figura a água que somente pela menção da cruz do Senhor se torna apta ao banho espiritual e à taça salutar
  • A confiança não deve limitar-se aos olhos do corpo, pois aquilo que não se vê, discernido pelo espírito e pela mente, é o que verdadeiramente importa
  • A história de Naamã, o sírio leproso, conduzido por Eliseu a mergulhar sete vezes no Jordão, ilustra a purificação que não depende do próprio sujeito, mas da graça
    • mencionados: Naamã, o rei de Israel, Eliseu, a menina escrava
    • a água do Jordão, apesar de inferior às águas da Síria segundo o julgamento do próprio Naamã, operou a cura que os rios sírios jamais operaram
  • A jovem cativa que indicou o profeta a Naamã figura a Igreja, jovem assembleia entre as nações, antes oprimida pelo cativeiro do pecado e depois liberta pela graça
  • A insistência em crer não apenas no que é visto remete ao mistério oculto que nem o olho viu nem o ouvido ouviu
    • citação de Paulo: “Este é o grande mistério que 'o olho não viu, nem o ouvido ouviu, nem tem acesso ao coração do homem'?” (1 Coríntios 2:9)
  • Os três testemunhos do batismo — a água, o sangue e o Espírito — formam um só sacramento, de modo que a ausência de qualquer um invalida a regeneração
    • citação da primeira epístola de João: “a não ser que tenha renascido da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus” (1 João 5:8)
  • O batismo recebido na Trindade, com a confissão do Pai, do Filho e do Espírito, corresponde a morrer para o mundo e ressuscitar para Deus, sepultado e depois elevado à vida eterna
    • contraste com o sírio que mergulhou sete vezes na Lei
  • A piscina de Jerusalém, agitada pela descida do anjo e capaz de curar apenas um enfermo por ano, prefigura o batismo cristão, no qual todos são curados pela ação do Espírito Santo
    • citação de João: “Em certo momento, um anjo do Senhor descia na piscina, a água se agitava e aquele que descesse na piscina depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que o retinha” (João 5:4)
    • para os incrédulos havia sinal, anjo e criatura agitada; para os fiéis há fé, Espírito Santo e o próprio Cristo agindo
  • O batismo dos infiéis não cura nem purifica, mas polui, distinguindo-se da prática judaica de batizar vasos e copos insensíveis
    • referência a Jeremias quanto à “água mentirosa” (Jeremias 15:18)
  • O paralítico que esperava um homem na piscina figura a espera da vinda do Senhor Jesus, nascido da virgem, cuja verdade cura a todos juntos, não mais apenas um a um pela sombra
    • testemunho de João Batista sobre aquele “sobre o qual vires o Espírito descer do céu e pousar sobre ele, este é aquele que batiza no Espírito Santo
    • citação de João: “viu o Espírito descer do céu como uma pomba e pousar sobre ele” (João 1:32-33)
    • a pomba soltada por Noé da arca prefigurava esta pomba do batismo de Cristo
  • A objeção quanto à diferença entre a pomba verdadeira enviada e a aparência de pomba sob a qual desceu o Espírito é resolvida pela permanência eterna da divindade, superior a qualquer realidade criada
    • citação de Lucas: o Espírito desceu “em imagem de pomba” (Lucas 3:22)
    • citação de Mateus: “Sede astutos como as serpentes e simples como as pombas” (Mateus 10:16)
    • citação sobre Cristo: “E na aparência ele foi encontrado como homem” (Fl 2,7)
    • citação sobre o Pai: “Não vistes sequer a sua aparência” (João 5:37)
  • A dúvida sobre a presença divina no batismo dissolve-se diante das múltiplas proclamações: o Pai proclamando o Filho, o Espírito mostrando-se como pomba, e os testemunhos escriturísticos do poder divino sobre as águas
    • citação de Mateus: “Este é o meu Filho, no qual pus a minha complacência” (Mateus 3:17)
    • citação do Salmo: “A voz do Senhor sobre as águas, o Senhor de Majestade trovejou, o Senhor sobre muitas águas” (Salmos 28:3)
    • referência a Jerobaal (Gedeão) e a Elias, por cujas orações desceu fogo do céu
  • A eficácia dos sacramentos depende não dos méritos das pessoas, mas das funções dos sacerdotes, conforme o exemplo de Pedro e de Paulo, que transmitiram o mistério recebido do Senhor Jesus
    • o fogo visível de Elias era enviado para que cressem; para os que já creem, age um fogo invisível
    • citação de Mateus quanto à presença de Cristo: “Onde dois ou três estiverem, aí também eu estou” (Mateus 18:20)
  • A profissão de fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo exige crença igualitária nas três pessoas, sem hierarquia entre maior, menor e último, ressalvando-se apenas que a crença na cruz refere-se exclusivamente ao Senhor Jesus
  • A subida ao sacerdote após o batismo corresponde à unção figurada pelo unguento que desce sobre a cabeça e a barba de Aarão
    • citação do Salmo: “Como unguento na cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Aarão” (Salmos 132:2)
    • citação do Cântico dos Cânticos: “Teu nome é unguento que se espalha, e por isso as jovens te amaram e foram atraídas por ti” (Cantares 1:2)
    • citação do Cântico: “Arrasta-nos atrás de ti; nós corremos atrás dos odores de tua veste” (Cantares 1:3)
  • A unção desce sobre a barba, isto é, na graça da juventude, transformando os ungidos em raça eleita, sacerdotal e preciosa
    • citação do Eclesiástico: “os olhos dos sábios estão em sua cabeça” (Eclo 2,14)
  • A subida da fonte remete ao lavatório dos pés narrado no Evangelho, quando Pedro inicialmente recusou o gesto de Jesus por não compreender o mistério
    • mencionados: Simão Pedro, o Senhor Jesus
    • citação de João: “Nunca lavarás meus pés” / “Se eu não te lavar os pés, não terás parte comigo” / “Senhor, não só os pés, mas também as mãos e a cabeça” / “Quem está lavado, precisa apenas lavar os pés, mas está inteiramente puro” (João 13:8-10)
  • Pedro, embora já puro, precisava lavar os pés por causa do pecado hereditário transmitido desde o primeiro homem pela ação da serpente, assim como os próprios pecados foram perdoados pelo batismo
  • O ministério da humildade realiza o próprio mistério, segundo a exortação a que os servos lavem os pés uns dos outros à imagem do Senhor e Mestre
    • citação de João: “Se eu, que sou Senhor e Mestre, lavei os vossos pés… deveis também vós lavar os pés um do outro” (João 13:14)
  • As vestes brancas recebidas após o batismo significam o despojamento dos pecados e o revestimento com a inocência, conforme a Lei e o Evangelho
    • citação do Salmo: “Asperge-me com o hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve” (Salmos 50:9)
    • referência à aspersão do sangue do cordeiro com hissopo segundo Moisés, e às vestes brancas como neve de Cristo na ressurreição
    • citação de Isaías: “Se os vossos pecados forem como a púrpura eu os tornarei brancos como neve” (Isaías 1:18)
  • A Igreja, vestida pelo banho da regeneração, declara-se negra pela fragilidade humana e bela pela graça, segundo o Cântico dos Cânticos
    • citação: “Sou negra e bela, filhas de Jerusalém” (Cantares 1:4)
    • citação: “Quem é esta que sobe toda alvejada” (Cantares 8:5)
  • A dúvida dos anjos diante da ascensão da carne de Cristo ressoa na pergunta repetida sobre a identidade do rei da glória
    • citação do Salmo: “Levantai as portas, príncipes; levantai-vos, portas eternas, e o rei da glória entrará” / “Quem é este rei da glória?” (Salmos 23:7-8)
    • citação de Isaías: “Quem é aquele que sobe de Edom? A cor vermelha de suas vestes é de Bosor, e ele é belo em sua veste branca” (Isaías 63:1)
  • Cristo, contemplando sua Igreja vestida de branco, dirige-lhe palavras de louvor extraídas do Cântico dos Cânticos
    • referência ao livro de Zacarias, no qual o próprio Cristo havia tomado vestes sórdidas
    • citação: “Como és bela, minha amiga, como és bela. Teus olhos são como os da pomba” (Cantares 4:1)
  • O louvor prossegue com a comparação dos dentes a um rebanho de cabras tosquiadas, figurando as virtudes das almas que, pelo banho, depõem os pecados supérfluos
    • citação: “Teus dentes são como um rebanho de cabras tosquiadas que sobem do banho. Elas todas têm gêmeos, e nenhuma delas é estéril. Teus lábios são como filete de púrpura” (Cantares 4:2-3)
  • A formosura da Igreja, isenta de qualquer defeito, é celebrada pelo Verbo de Deus em sucessivas declarações do Cântico dos Cânticos
    • citação: “Tu és toda formosa, minha amiga, e em ti não há nenhum defeito” (Cantares 4:7)
    • citação: “Vens do Líbano, minha esposa, vens do Líbano; tu passarás e transitarás desde o início da fé” (Cantares 4:8)
    • citação: “Quão bela e suave te tornaste, o amor está entre os teus prazeres. A tua estatura se tornou semelhante à da palmeira e teus seios são os cachos” (Cantares 7:6-7)
  • A resposta da Igreja exprime o desejo de penetrar os mistérios escondidos e consagrar a Cristo todos os seus sentimentos, convocando as filhas de Jerusalém a despertar o amor do esposo
    • citação: “Quem te daria, meu irmão, sugar os seios de minha mãe? Encontrando-te fora eu te beijaria e ninguém me desprezaria. Eu te tomaria e te introduziria na casa de minha mãe, no quarto daquela que me concebeu. Tu me instruirias” (Cantares 8:1-2)
  • O Senhor Jesus, atraído pela beleza e graça daqueles que foram lavados, propõe à Igreja que se torne selo permanente, símbolo da fé resplandecente e das obras luminosas
    • citação: “Coloca-me como um selo em teu coração, como um selo em teu braço” (Cantares 8:6)
  • O selo espiritual recebido consiste nos dons enumerados por Isaías, confirmados pelo Pai, pelo Cristo e infundidos pelo Espírito como penhor no coração
    • citação de Isaías: “o Espírito de sabedoria e inteligência, o Espírito de conselho e de força, o Espírito de conhecimento e de piedade, o Espírito de temor santo” (Isaías 11:2-3)
  • O avanço do povo lavado e ornamentado até os altares de Cristo corresponde à entrada no banquete celeste anunciado pelos Salmos
    • citação: “Entrarei até o altar de Deus, ao Deus que alegra a minha juventude” (Salmos 42:4)
    • mencionado: Davi
    • citação: “O Senhor me apascenta e nada me faltará… Preparaste diante de mim uma mesa bem à frente dos que me afligem. Ungiste a minha cabeça com óleo, e como é excelente a tua taça inebriante!” (Salmos 22:1-2.4-5)
  • A superioridade dos sacramentos da Igreja sobre os da Sinagoga e sobre o maná exige demonstração, contra a possível objeção de que apenas aos judeus foram concedidos maná e codornizes
    • citação de Paulo: “O que o olho não viu, o que o ouvido não ouviu, nem subiu ao coração do homem, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (1 Coríntios 2:9)
  • A anterioridade dos sacramentos cristãos remonta a Abraão, anterior à lei de Moisés, e ao encontro com Melquisedeque após sua vitória sobre os inimigos
    • mencionados: Abraão, Melquisedeque
    • descrição de Melquisedeque conforme Paulo aos Hebreus: “sem pai, sem mãe, sem ter início ou fim de dias, mas semelhante ao Filho de Deus”, “permanece sacerdote para sempre”, cujo nome significa “rei de justiça, rei de paz” (Hebreus 7:2-3)
  • A identidade de Melquisedeque remete a Cristo, sem mãe segundo a divindade por ser gerado pelo Pai de mesma substância, e sem pai segundo a encarnação por nascer de uma virgem, início e fim de todas as coisas
  • A superioridade dos sacramentos sobre o maná evidencia-se porque os que comeram o pão dos anjos morreram no deserto, ao passo que o pão vivo descido do céu confere vida eterna a quem dele come
  • A comparação entre o maná e a carne de Cristo revela a diferença entre o que vinha do céu e o que vem de acima do céu, entre o que estava sujeito à corrupção e o que lhe é estranho, entre a água que saciava por um momento e o sangue que lava para sempre
  • A admiração pela sombra recebida pelos antigos pais conduz à compreensão de quão maior é a realidade que ela prefigurava
    • citação de Paulo: “Bebiam da pedra que jorrava, mas a pedra era Cristo. Mas de muitos deles Deus não se agradou, pois foram aniquilados no deserto. Isso se realizou em figura para nós” (1 Coríntios 10:4-6)
  • A questão sobre como afirmar receber-se o corpo de Cristo, quando outra coisa se vê, exige prova mediante grandes exemplos de que a bênção, mais poderosa que a natureza, muda a própria natureza
  • A transformação da vara de Moisés em serpente e de volta em vara, a mudança das águas do Egito em sangue e seu retorno, a separação das águas do mar Vermelho, o retorno do Jordão à sua fonte, a água brotada da pedra, o adoçamento das águas de Mara pela madeira, e o ferro do machado que veio à tona pela ação de Eliseu demonstram o poder superior da graça sobre a natureza
    • mencionados: Moisés, Eliseu, o filho de profeta que perdeu o ferro do machado
  • A força da bênção profética, capaz de mudar a natureza, conduz à consideração de quanto maior é a consagração realizada pelas próprias palavras do Senhor Salvador
    • citação do Salmo: “ele disse, e as coisas foram feitas; ele ordenou, e elas foram criadas” (Salmos 32:9; 148,5)
  • A concepção da Virgem Maria fora da ordem natural da geração estabelece o fundamento para a verdade do mistério eucarístico, sendo o corpo produzido o mesmo nascido da Virgem, crucificado e sepultado
  • A proclamação do Senhor sobre o pão e o vinho — “Isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue” — opera a mudança de designação após a consagração, à qual corresponde o “Amém” pronunciado como reconhecimento de verdade
  • A alimentação da Igreja por estes sacramentos fortalece a substância da alma, celebrada pelas palavras dirigidas à esposa no Cântico dos Cânticos
    • citação: “Como teus seios são belos, minha irmã, minha esposa!… Há mel e leite sob a tua língua, e o odor das tuas vestes é como o odor do Líbano. És um jardim fechado, minha irmã, minha esposa. Um jardim fechado, uma fonte lacrada” (Cantares 4:10-12)
    • o selamento do jardim significa a obrigação de guardar o mistério da violação por vida má, perda da castidade ou divulgação indevida
  • A Igreja, respeitando a profundidade dos mistérios, rejeita as tempestades e convida a suavidade da graça, convocando o esposo a vir ao jardim
    • citação: “Levanta-te, Aquilão, e vem vento sul: sopra no meu jardim para que os meus perfumes se espalhem. Que meu irmão desça ao seu jardim e coma o fruto de suas árvores frutíferas” (Cantares 4:16-5,1)
  • O Senhor responde à fertilidade do jardim declarando ter colhido seus frutos, comido seu alimento e bebido sua bebida
    • citação: “Entrei em meu jardim, minha irmã, minha esposa. Colhi a minha mirra com os meus perfumes, comi o meu alimento com o meu mel, bebi a minha bebida com o meu leite” (Cantares 5:1)
  • A Igreja exorta seus filhos a acorrerem aos sacramentos, repetindo o convite ao comer e ao beber espiritual anunciado pelo profeta
    • citação: “Comei, meus amigos, bebei e embriagai-vos, meus irmãos” / “Provai e vede como o Senhor é bom; feliz aquele que nele confia” (Salmos 33:9)
    • citação de Paulo: “Nossos pais comeram um alimento espiritual; eles beberam uma bebida espiritual” (1 Coríntios 10:3)
    • citação das Lamentações: “Cristo Senhor é Espírito diante de nossa face” (Lamentações 4:20)
    • citação de Pedro: “Cristo morreu por vós” (1Pd 2,21)
  • A regeneração recebida não segue a ordem natural da geração, assim como a concepção de Cristo por Maria pelo Espírito Santo, sem intervenção de homem, rompeu essa mesma ordem
    • citação de Mateus: “Ela se encontrou grávida pelo Espírito Santo” (Mateus 1:18)
    • a vinda do Espírito Santo sobre a fonte batismal realiza, para os que se apresentam ao batismo, a mesma verdade da regeneração
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