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Essência e Ser

Vladimir Lossky. Théologie négative et connaissance de Dieu chez Maitre Eckhart. Paris: Vrin, 1960

Essência e Ser

  • A condição ontológica da criatura é definida em um plano que transborda o domínio das substâncias materiais e se estende ao conjunto dos seres criados no texto que se segue.
  • Essa nova exposição do primeiro versículo do Gênesis é anunciada pelo tabulador em termos que lembram a doutrina de São Tomás.
    • A Tábula do livro indica que na quarta exposição encontra—se como em todo criado difere o ser e a essência, ou pelo qual a coisa é e o que a coisa é, ocorrendo de modo inverso em Deus.
  • O texto integral desse trecho detalha a diferença entre os dois princípios na criatura.
    • No princípio criou Deus o céu e a terra significa que criou dois princípios: o pelo qual é e o que é. Em todos os entes criados existem esses dois princípios pelo próprio fato de serem criados, sendo dois e não um em todo criado e apenas no criado.
    • Tudo o que provém de outro e é criado possui o ser ou o pelo qual é de outro, ao passo que o que é ou a quididade não possui de outro, segundo Avicena.
    • O fato de o homem ser animal não provém de outro, pois colocado ou não qualquer outro, é sempre verdadeiro que o homem é animal.
    • O fato de o homem ser provém de outro, pelo que em todo criado e apenas no criado o pelo qual é e o que é são dois, constituindo propriedades e princípios dos criados.
  • A definição do criado estabelece que tudo o que provém de outro recebe a sua existência de um outro.
  • Essa dependência em relação ao outro afeta o ser criado na medida em que existe, traduzindo—se no fato de que ele possui o ser ou o pelo qual é recebendo—o de Deus como de uma causa exterior.
  • A fórmula que determina que o ser ou pelo qual é provém do exterior constitui um obstáculo para interpretar essa passagem no sentido da distinção tomista entre a existência e a essência, quer se traduza ser por existência ou por ser.
  • A composição de ser e essência apresenta em São Tomás um paralelo com a composição de forma e matéria, de modo que o pelo qual é e o que é só existem em ato na unidade do ser concreto que constituem.
  • A distinção entre o ser e a essência permanece intrínseca ao ser criado, embora se possa dizer que o ser se adiciona à essência como um influxo divino que a atualiza.
    • V. Bange e H. Ebeling utilizam essa passagem do Livro das Parábolas do Gênesis como exemplo da distinção tomista em Eckhart.
    • O ato de existir só é concebível como determinado na medida em que é especificado pela essência, enquanto esta necessita ser atualizada por seu ser para existir realmente.
  • As essências são efeitos da causa criadora tanto quanto o próprio ser através do qual existem quando consideradas do ponto de vista da causalidade divina.
    • Siger de Brabant observa essa condição ao analisar a distinção feita por Alberto Magno no comentário sobre o Livro das Causas onde a existência é tratada como efeito de Deus.
    • A questão de Siger indaga se o ente ou ser nas coisas causadas pertence à essência ou se é algo adicionado a ela, contendo a crítica à tese de Alberto de Colônia.
  • O mestre Eckhart apresenta uma oposição entre o ser e o que é, insistindo na dualidade desses princípios nas criaturas e definindo—os como dois e não um em todo criado, diferentemente da unidade da forma e da matéria.
  • Esse composto ontológico permanece dividido em dois na medida em que é criado, não encontrando a sua unidade senão em um plano transcendente onde se identifica com a quididade que é por si mesma.
  • O termo essência não aparece no corpo do texto, embora figure na tábula do manuscrito.
  • O mestre Eckhart escolheu o termo quididade para designar o que é dos seres criados por exprimir melhor a sua intenção.
  • O termo quididade é sinônimo de razão ou princípio eterno das criaturas no Intelecto divino, constituindo a condição primordial que exclui a relação causal com Deus.
  • O homem deve o fato de ser animal à verdade essencial expressa na definição, sem intervenção de uma causa estrangeira, pois a proposição homo est animal permanece verdadeira independentemente de o homem existir ou não.
  • O homem não seria homem se essa verdade essencial não lhe pertencesse em próprio, não a recebendo de outro.
    • No Comentário sobre a Sabedoria, afirma—se que o fato de o homem ser animal, corpo e substância, não provém de ninguém senão de si mesmo, pois ou não é homem ou é animal se for homem.
  • O fato de um homem existir é devido a uma causa exterior, sendo recebido de outro.
  • Esse mesmo exemplo retorna frequentemente nas obras latinas de Eckhart acompanhado da referência a Avicena para a fórmula de que uma coisa é o ser e de outro e outra coisa é a essência e não de outro.
    • Essa fórmula aparece no Prólogo Geral da Obra Tripartida, no Comentário sobre o Êxodo e no Comentário sobre a Sabedoria, fundamentando—se em passagens da Metafísica de Avicena.
  • A essência ou a quididade significa a razão ideal que é o que é e não o deve a nada além de si mesma nesta análise.
  • A distinção de Eckhart estabelece—se em dois níveis diferentes do ser, distanciando—se da distinção tomista que se situa na própria estrutura do criado.
  • As coisas criadas encontram—se distendidas por seu duplo ser assim como ocorre com o conhecimento humano.
  • As coisas são verdadeiramente o que são em seu ser primeiro onde não existem enquanto criaturas.
  • As coisas existem como seres criados em seu ser segundo sem serem verdadeiramente o que são.
  • O nível da substancialidade aristotélica é mantido todas as vezes que se fala das coisas em suas naturezas próprias por ser o ser segundo o ser formal devido à forma substancial.
  • O pelo qual é significa a exterioridade da causa divina que produz os supósitos criados nesta perspectiva.
  • A busca pelo o que é da coisa exige procurar o seu princípio além do nível do ser criado e entrar nas regiões das cosmologias neoplatônicas.
  • São Tomás introduziu uma nova distinção na ontologia de Aristóteles para conceber o universo como um mundo criado pelo Deus da teologia cristã sem trair o Filósofo.
  • O mestre Eckhart não traiu a tradição plotiniana ao designar ao mundo das substâncias concretas de Aristóteles o grau inferior de essencialidade correspondente à quididade dividida nos supósitos.
  • O mestre turingiano atribui um caráter de contingência à causa eficiente para assimilá—la à vontade de um Deus que cria do nada.
    • Eckhart refere—se a São Hilário de Poitiers na obra Sobre os Sínodos e a São João Damasceno na Fonte da Ciência para mostrar o caráter gratuito do ato pelo qual Deus dotou as coisas de substância.
    • A vontade de Deus trouxe a substância para as criaturas, mas deu a natureza perfeita ao Filho por nascimento.
    • A geração constitui uma obra da natureza, e o Espírito de Deus movia—se sobre as águas que significam as criaturas que podem ser feitas de um modo ou de outro, produzidas pelo amor e não pela natureza.
    • O Espírito Santo procede do Pai e do Filho por modo de vontade e amor.
  • O mestre Eckhart buscava diminuir a autonomia das criaturas assim como fez Santo Agostinho ao privar de verdade o mundo criado considerado em si mesmo no plano das substâncias individuais.
  • O desejo de que se conhecesse os entes criados em suas causas essenciais visava ligá—los à Essentialidade primeira que se basta a si mesma e a todas as coisas.
  • A distinção entre a essência e a existência afasta Eckhart da doutrina tomista em vez de aproximá—lo dela.
  • Trata—se da oposição entre os dois níveis do ser primeiro e do ser segundo e não de uma distinção operada no interior do ser criado.
  • Essa discriminação que é alegorizada pelo firmamento separando as águas celestes das terrestres realiza—se tanto em termos de existir quanto em termos de essência e supósito.
  • O mestre Eckhart expressa que um ser tira a sua origem de uma causa exterior mesmo quando utiliza o termo existência para designar o pelo qual é de uma coisa.
    • O antigo sentido do termo existência como proveniência de algo era familiar a Ricardo de São Victor na obra Da Trindade.
    • São Tomás evita o termo existere para designar o ato de existir por não possuir na época o sentido de existência atual, conforme observa Étienne Gilson.
    • No Comentário sobre a Sabedoria, afirma—se com referência a Avicena que nenhum homem existindo, a proposição de que o homem é animal não é menos verdadeira, ao passo que a existência das coisas olha para a causa externa para que seja.
  • A exterioridade das criaturas transforma o seu ser primeiro incréu no próprio ser que advém de outro como causa divina de sua existência.
  • A perspectiva de dualidade é ultrapassada quando se busca conhecer a quididade das coisas, surgindo o ser primeiro como o ser verdadeiro e não de outro no Intelecto divino.
  • A similitude eterna das coisas possui duas funções na causa analógica, atuando ao mesmo tempo como princípio de cognoscibilidade e como princípio de existência fora na natureza das coisas.
  • O termo existência designa essa condição externa das criaturas definida como extra—stância.
  • É pertinente indagar se Eckhart admitiu essências criadas além dessas quididades eternas diante dos textos que contrapõem a quididade incréa à existência criada.
  • O mestre turingiano refere—se à opinião de um dos modernos célebres que considerava as essências das coisas como eternas após mencionar o mundo inteligível de Platão e a quididade de Avicena.
    • Esses fundamentos encontram—se em Santo Agostinho contra os Acadêmicos e em Boécio na Consolação da Filosofia.
    • No Livro das Parábolas do Gênesis, nota—se que Avicena estabelece que a quididade não provém de outro, e a isso se junta que um dos famosos modernos coloca as essências das coisas como eternas.
  • O dominicano de Thuringia faz menção a essa doutrina para destacar a sua própria tese sobre o ser primeiro que as coisas possuem nas razões, não parecendo aprová—la totalmente.
  • A perspectiva atribuída a um de seus contemporâneos corresponde àquela em que Eckhart se coloca ao situar o o que é em um nível superior para fazer da coisa criada uma sombra do próprio ser.
  • Pode—se presumir que Eckhart compreendeu a neutralidade das essências em Avicena no sentido da eternidade das essências.
  • O moderno famoso teria sido Duns Scot visto sob o ângulo da concepção eckhartiana do ser criado.
    • Étienne Gilson analisa a doutrina das essências em Duns Scot e o conceito de ser comum.
    • Nas Reportações Parisienses, afirma—se que se fosse colocado por impossível que Deus não existisse e que o triângulo existisse, ainda assim ter três ângulos estaria resolvido na natureza do triângulo.
    • O que é indiferente em relação à existência singular em Avicena ou em Duns Scot devia ser incréu e eterno para um teólogo que via na criação a produção de substâncias individuais.
  • Tornava—se fácil agostinizar o filósofo árabe ao identificar as suas essências indiferentes com as razões ideais das criaturas no Intelecto divino.
  • O teólogo de Thuringia realizava essa aproximação todas as vezes que analisava os textos de Avicena onde a existência é distinguida da essência como um acidente que se adiciona de outro.
  • Alberto Magno havia utilizado fórmulas semelhantes em seu comentário sobre o Livro das Causas.
    • No tratado Das Causas e do Processo da Universidade, Alberto Magno afirma que o fato de o animal ser animal ou o homem ser homem não provém de outro, sendo isso igualmente verdadeiro existindo ou não a coisa em ato, pelo que o que é possui o que é de si mesmo.
  • O Doutor de Colônia parece ter querido falar apenas de essências criadas ao distinguir com Avicena a essência e a existência, posição que foi criticada por Siger de Brabant.
  • O mestre Eckhart transforma a doutrina aviceniana da acidentalidade da existência ao se colocar no nível do ser primeiro nas Parábolas do Gênesis.
  • Tudo o que é criado deve ser considerado como algo acidental e exterior em relação à quididade eterna que se basta em seu ser pleno.
  • O criado constitui um ser que provém de outro e possui o seu pelo qual é na eficácia divina que produz o seu ser formal como princípio da existência singular.
  • Essa distinção entre a essência e a existência separadas como dois modos diferentes de ser uma coisa não se apoiava em São Tomás, fato que Eckhart reconheceu no processo de Colônia ao se reportar a Avicena e a Alberto Magno para defender o artigo incriminado.
  • O o que é considerado como quididade eterna não podia ter outro pelo qual é além de si mesmo nos textos examinados, surgindo como um princípio superior à existência formal da criatura.
  • As essências criadas esmaecem nessa perspectiva da quididade incréa, e a criatura enquanto o que é produzido fora assimila—se ao nada.
  • O pelo qual é significa a dependência das formas substanciais em relação ao Ser por si que é o único que é verdadeiramente.
  • As substâncias criadas que não existem por si mesmas adicionam—se exteriormente ao ser primeiro como uma espécie de acidentes.
  • O mestre Eckhart cita a sexta proposição dos 24 Filósofos que estabelece que Deus é aquele em comparação com quem a substância é acidente e o acidente é nada.
    • Essa citação aparece no Comentário sobre a Sabedoria e no Sermão alemão 9.
  • A divisão do ser em ser primeiro e segundo permite uma inversão de perspectiva que constitui a dificuldade para a compreensão do pensamento de Eckhart.
  • O o que é de uma coisa torna—se o equivalente de sua essência criada quando se adota o nível das criaturas, enquanto o pelo qual é corresponde ao próprio ser.
  • O mestre Eckhart enxerga no próprio ser o Ser que é Deus em sua relação com os entes criados.
  • Todo o que é e o o que é louva e prega o seu pelo qual é, afirma Eckhart ao pregar sobre o texto de São Paulo a respeito da graça de Deus.
    • No Sermão latino XXV, explica—se que o pelo qual é nunca é o sujeito, mas sempre o predicado, designando Deus sob três aspectos de sua causalidade: a partir dele eficientemente, por ele formalmente e nele finalmente existe o que é e o o que é.
  • O o que é constitui o sujeito criado que está sempre em potência em relação ao pelo qual é divino que o atualiza.
  • O sujeito criado é considerado como a causa material, possuindo o materiale um sentido amplo que se vincula ao hipokeímenon como potencialidade das essências criadas em relação ao Ser que participam.
  • As fórmulas avicenianas sobre a acidentalidade do ser seriam deslocadas nessa nova perspectiva.
  • O próprio ser não vem se adicionar às essências criadas como um acidente, diferindo da existência ou ser segundo que duplicava a quididade eterna.
  • O próprio ser não acontece nem supervém a algo, mas prevém e é o primeiro de todas as coisas.
    • Essa primazia é formulada no Prólogo Geral da Obra Tripartida.
  • As fórmulas de São Tomás que conferem ao ato de existir a primazia sobre a essência nas criaturas substituirão as de Avicena para caracterizar a imediação da Causa primeira definida como o Ser de todos.
  • Os termos em que o Aquinate fala do próprio ser respondem melhor ao pensamento de Eckhart quando este considera o ser a partir das essências criadas, desde que referidos à atualidade absoluta de Deus.
  • O dominicano turingiano reproduz a lição de São Tomás de que o próprio ser é comparado a todas as coisas como ato e perfeição, e é a própria atualidade de todos, inclusive das formas.
    • Mestre Eckhart defende essa proposição censurada no processo de Colônia, afirmando que se trata da palavra de São Tomás e de Avicena.
    • O padre Théry equivocou—se ao declarar que esse artigo não pertence a São Tomás, embora a fórmula conste da Suma Teológica indicando que o próprio ser é a atualidade de toda forma ou natureza e o mais perfeito de todos por se comparar a todas as coisas como ato.
  • O pelo qual é de um ser criado não é mais a sua forma substancial, mas o próprio ser que atualiza a forma e faz existir a substância.
  • O existir parece ocupar o primeiro plano correspondente ao ser primeiro, enquanto a essência pertence à ordem do criado.
  • O mestre Eckhart afirma nessa perspectiva que o ser é mais íntimo a cada um do que a sua própria essência.
  • O mestre turingiano assimila o papel do ser nas criaturas à ação da luz sobre o meio diáfano, margeando a doutrina tomista do ato de existir.
  • A luz nunca cria raízes no ar que ilumina, diferentemente do calor, pelo que o ar será mergulhado nas trevas com o desaparecimento do corpo luminoso.
  • As criaturas não poderiam subsistir um momento sem o influxo existencial da Causa divina.
    • Esse exemplo da luz aparece no Comentário sobre o Eclesiástico, no Comentário sobre a Sabedoria, no Comentário sobre João e no Livro da Consolação Divina, onde é aplicado ao bem que se converte com o ser.
    • Trata—se de um exemplo frequente em São Tomás na Suma Teológica.
  • Um ente constituído por sua essência criada é nulo em relação ao ser que o atualiza, sendo apenas uma potência para o ser.
  • As essências das coisas criadas são apenas trevas sem a luz do ser, e é o próprio ser que as forma, tornando—as luminosas e agradáveis.
    • No Comentário sobre o Gênesis, afirma—se que as essências das coisas criadas sem a luz do ser são trevas, e pelo próprio ser são formadas e reluzem.
  • A essência não desempenha o papel que Eckhart atribuía à quididade quando distinguia com Avicena o o que é da coisa e a existência que se adiciona como modalidade acidental.
  • O mestre Eckhart parece se aproximar da distinção tomista entre a essência e a existência ao realizar essa inversão da perspectiva aviceniana.
  • O ser que atualiza as formas não constitui o ato de existir de São Tomás neste outro aspecto da ontologia eckhartiana, assim como a quididade não era a essência de Avicena no primeiro caso.
  • Pode—se buscar uma composição metafísica segundo o espírito de São Tomás onde Eckhart distingue o composto de matéria e forma e o próprio ser que o constitui como ente ao tratar de uma substância material.
  • A declaração de que todo o composto, como a pedra, possui o ser de pedra a partir da forma de pedra, e o ser absolutamente de Deus só enquanto causa primeira, mostra que Eckhart distingue o próprio ser e o ser—pedra.
    • Nicolau de Cusa anotou à margem do manuscrito que na pedra o ser absoluto provém de Deus e o ser isto provém da forma.
    • No Prólogo da Obra das Proposições, explica—se que se toda forma essencial investe e informa imediatamente toda a matéria, isso será verdadeiro para o próprio ser que é a atualidade formal de toda forma e essência.
    • A forma do fogo não dá ao fogo o ser, mas este ser, sendo a forma designada como uma causa secundária em relação ao ser que é causa primeira.
  • O contexto do Prólogo obriga a conferir à expressão ser absolutamente o significado do ser absoluto que não se pode distinguir do Ser que é Deus.
  • O mestre Eckhart afirma no processo de Colônia que se deve distinguir entre o ser formalmente inerente e o ser absoluto que é Deus ao defender os artigos incriminados.
    • Nos Atos do processo de Colônia, o ser absoluto é colocado em oposição ao ser deste e daquele.
  • Deus é o próprio ser e é a esse título que Ele entra nas essências das coisas por não haver nada que Lhe seja exterior, constituindo o Ser mais interior do que a essência das criaturas.
  • As expressões tomistas utilizadas por Eckhart não designam um ato finito pelo qual a essência existe, mas a ação mesma de Deus e a presença ativa da Causa primeira no fundo secreto dos seres criados.
  • A metáfora da luz que não adere ao meio diáfano recebe um sentido diferente daquele de São Tomás, pois o próprio ser designa o Ser infinito que retorna sobre a sua própria Essência no ato intelectual pelo qual Deus se afirma como Ser suficiente.
  • O exemplo físico não assinala a composição da existência com a essência nas criaturas, mas a impermissão da ação absoluta e incréa que está totalmente presente em tudo o que é.
  • Essa atividade do Superior exercida sobre o inferior permanecerá não misturada ao meio criado que atravessa, sendo definida como toda dentro e toda fora, assim como a luz no ar iluminado.
  • Trata—se do princípio incréu de ser e de cognoscibilidade que as criaturas não possuem em si mesmas, quer se chame Ipsum Esse em relação às essências indigentes ou quididas em relação aos supósitos privados de verdade.
  • O ser pelo qual as criaturas são entes não entra na composição metafísica das criaturas.
  • Não pode haver metafísica do criado para Eckhart, pois a filosofia primeira deve considerar os seres criados em seus princípios essenciais fazendo abstração das causas exteriores que os constituem em seu ser segundo.
  • O ente criado só poderá ser abordado sob um relação de analogia que reflete a doutrina do ser do mestre turingiano e difere da analogia tomista.
  • O ato de existir de São Tomás não deve ser buscado nas expressões existenciais de Eckhart, pois termos como próprio ser, atualidade de todos e ser mais íntimo situam—se na relação imediata entre o Ser incréu e o ser criado.
  • Trata—se da dupla realidade dos seres concebida como ser primeiro e segundo, ser virtual e formal, ou ser absoluto e formalmente inerente em todos os lugares onde se crê reconhecer a distinção real.
  • O mestre Eckhart distingue apenas duas maneiras de ser uma essência — o ser pleno em Deus e o ser dividido nos supósitos criados — mesmo quando manifesta a intenção de distinguir nas criaturas a essência e a existência como o que é e o pelo qual é.
  • O ser significa sempre o que é, quer o seja por si mesmo como ser primeiro ou pela Causa que o produz a partir do não—ser como ser segundo.
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