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Evangelho de Tomé
QUISPEL, Gilles; OORT, Johannes van. Gnostica , judaica , catholica: collected essays of Gilles Quispel. Leiden: Brill, 2008.
- Identificação e Datação do Evangelho de Tomé
- A hipótese de que o texto copta encontrado em Nag Hammadi é uma tradução do grego, contendo 114 Ditos atribuídos a Jesus, compilados em Edessa por volta de 140 d.C.
- A refutação da tese de que o texto grego seria tradução do copta, baseada em uma interpretação errônea do copta no Logion 37; a conjunção auo é frequentemente omitida e o perfeito negativo mpetūšipe traduz corretamente o subjuntivo aoristo grego mè aischynthète.
- Fontes e Composição do Evangelho
- A existência de duplicatas no texto (como Logion 55 e 101) evidencia o uso de duas fontes escritas distintas pelo autor, similarmente ao uso de Marcos e Q por Mateus e Lucas.
- Uma das fontes é identificada como um evangelho apócrifo judaico-cristão (possivelmente o Evangelho dos Nazarenos ou similar), contendo tradições independentes dos evangelhos canônicos.
- A outra fonte é o Evangelho dos Egípcios, de caráter encratita, responsável por temas como a rejeição da procriação e do mundo material.
- A identificação de uma terceira fonte, uma gnomologia hermética, baseada na presença de máximas de sabedoria grega e hermética, como o imperativo do autoconhecimento.
- Caráter Judaico-Cristão e Tradição Independente
- A concordância do Logion 68 com tradições sobre a fuga para Pella, conhecidas também por Clemente de Alexandria e no Apocalipse.
- A independência da parábola dos lavradores maus (Logion 65) em relação aos sinóticos, concordando quase palavra por palavra com a reconstrução da forma primitiva feita por C.H. Dodd.
- A preservação no Logion 107 (Ovelha Perdida) do ponto original da parábola (“Eu te amo mais que as noventa e nove”), referindo-se à eleição de Israel, sem as adições redacionais de Mateus e Lucas.
- O Logion 89 (lavar o exterior do copo) reflete uma tradição textual judaica independente (ausente no Texto Ocidental), onde o interior permanece puro se o exterior for lavado, ou a variante “cheio de imundície” conhecida por Macarius e Pseudo-Clementinos.
- Caráter Encratita e Origem em Edessa
- A autoria atribuída a um Encratita de Edessa, rejeitando casamento, vinho e carne, e ensinando que apenas os solteiros (monachos) entrariam no reino.
- O uso do termo monachos (solitário/celibatário) como tradução do siríaco ihidaja, central para o evangelho e desconhecido na literatura cristã ou gnóstica anterior.
- A continuidade desta tradição encratita nos Atos de Tomé e nas Odes de Salomão, estas últimas datadas de cerca de 200 d.C. e contendo polêmicas antimarcionitas.
- Influência Hermética e Gnomologias
- A existência de gnomologias (coleções de sentenças) pagãs adaptadas por cristãos, como as Sentenças de Sextus, servindo de modelo para a incorporação de sabedoria hermética no Evangelho de Tomé.
- A evidência de templos dedicados aos Sete planetas perto de Edessa (Sumatar Harabesi) no século II, confirmando a presença de cultos herméticos (Sabianos) na região onde o evangelho foi escrito.
- A conexão entre Bardaisan de Edessa e a literatura hermética, sugerindo um fundo cultural comum para Taciano, Bardaisan e o autor de Tomé.
- Relação com o Diatessaron e o Texto Ocidental
- A refutação da dependência de Tomé em relação ao Diatessaron ; ao contrário, Taciano utilizou a mesma fonte judaico-cristã que Tomé.
- A ausência em Tomé de erros gráficos característicos do Texto Ocidental (como a ditografia em Lucas 6:42), provando sua independência dessa tradição textual.
- A sobrevivência de leituras do Diatessaron (e indiretamente da fonte judaico-cristã) em harmonias medievais como o Heliand e textos islandeses/noruegueses.
- Conclusão sobre a Natureza do Evangelho
- A rejeição das abordagens reacionárias que veem apenas perversão gnóstica, e a aceitação (com reservas) da abordagem de H. Koester sobre a tradição livre, embora discordando da datação precoce e da hipótese de Q.
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