Rico Tolo
Marcion — Rico Tolo
Antonio Orbe, Parábolas Evangélicas em São Irineu
Marcion a mantinha em seu evangelho como elemento tipicamente cristão, em contraste com a recomendação veterotestamentária dos bens de aqui de baixo. Tertuliano lhe responde:
Creio ter demonstrado suficientemente em outro lugar que a glória das riquezas é condenada pelo nosso Deus, «que levanta o indigente do seu lixo e derruba do trono os grandes da terra». Dele provém, portanto, também a parábola do rico que se vangloria da renda de suas terras, e a quem Deus diz: «Insensato, ainda esta noite te será exigida a tua vida! A quem pertencerão os tesouros que acumulaste?» Da mesma forma, por fim, aquele rei que se gloriava perante os persas de seus tesouros e deleites, ouviu a maldição de Isaías. (Adv. Marc. IV 28)
Para Marcion não apenas os bens sensíveis da fortuna, mas a própria existência neste mundo era desprezível. Nos tempos de perseguição, seus discípulos se ofereciam espontâneos às autoridades, com positivo desprezo da morte física, atentos a salvar a alma, única digna e capaz de salvação.
Tertuliano se atém a interpretação da parábola. As duas passagens do AT bastam para demonstrar, contra o herege, que a atitude de Deus frente às riquezas não muda de um Testamento para outro, nem vale manipular a parábola para contrastar regimes.
