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SABEDORIA (2)

Pierre Deghaye. La Naissance de Dieu ou la Doctrine de Jacob Boehme. Paris: A. Michel, 1985.

  • A luz brota no quarto grau do ciclo, sendo simbolizada pelo relâmpago que rasga as trevas e abrangendo tanto o aspecto da escuridão quanto o da luminosidade na revelação divina.
    • Entendimento da gnose como o conhecimento do bem e do mal, sem que ambos se confundam, visto que a manifestação divina busca a separação deles.
    • Realização do grande trabalho na natureza primordial por meio do ciclo de sete formas.
    • Definição da alquimia como a arte da separação por excelência, denominada Scheidekunst, na qual a Sabedoria atua como a artista.
    • Irradiação da Sabedoria na substância preciosa isolada, que constitui o santo elemento.
    • Posicionamento da visão do abismo no espelho da Virgem das trevas no quarto grau da natureza eterna.
    • Configuração desse olhar como o fundamento da fé a partir da perspectiva da criatura.
    • Necessidade do olhar para o despertar do verdadeiro desejo, assemelhando-se a visão do abismo à descida ao inferno exemplificada por Cristo ao assumir as provações impostas pelo diabo, considerado um auxiliar da justiça divina.
    • Exigência de que o fiel supere as mesmas provações, sendo a descida ao próprio abismo a penitência que inicia a conversão.
    • Caráter positivo da visão do abismo por comprovar a atuação da Sabedoria sob a aparência das trevas.
    • Justificação da primeira fase da manifestação divina como a obra em negro, que serve de prelúdio para o cumprimento.
    • Acréscimo da visão da luz que surge à visão do abismo.
    • Representação do inferno e do céu pelo quarto grau da natureza eterna.
  • A luz constitui primeiramente a visão, residindo inicialmente no olho que tudo vê.
    • Identificação desse olho com a alma renovada, de modo que a alma luminosa se torna um olho novo.
    • Manifestação de duas almas no quarto grau da natureza eterna apresentadas como dois olhos, sendo um tenebroso à esquerda e outro luminoso à direita.
    • Associação do olho esquerdo ao espelho da Virgem das trevas e do olho luminoso ao espelho da Sabedoria.
    • Condição do olho como seu próprio espelho, fundindo as ações de ver e ser visto, assim como conhecer e ser conhecido.
    • Figura isolada da luz no quinto grau do ciclo primordial.
    • Definição da luz como o fogo que brota da pedra e que se liberta das trevas com as quais se identificava.
    • Caracterização do fogo como liberto de si mesmo, ocorrendo a morte de um fogo para que outro possa nascer.
    • Atuação da água como elemento que aplaca a impetuosidade do fogo, cuja principal marca é a violência.
    • Simbolismo da água associado à doçura e à humildade, enquanto o fogo violento, personificado por Marte, se manifesta no orgulho de Lúcifer.
    • Atribuição da humildade da água à própria Sabedoria.
    • Representação da Sabedoria por Vênus no quinto grau da natureza eterna, sendo ela a doçura do amor.
    • Configuração de Vênus como a água que se derrama.
    • Constituição da luz pelo fogo que perdeu a violência na doçura da água, elemento que extingue o fogo e desarma a violência.
    • Triunfo de Cristo sobre o inferno por meio da doçura.
    • Compreensão da água também como o óleo que alimenta a chama para fazê-la brilhar eternamente.
    • Simbolismo da claridade da chama no quinto grau da natureza como a vida eterna, diferindo do fogo anterior que representava apenas um simulacro de vida.
    • Fornecimento de substância à chama pela água untuosa, visto que o fogo violento carece de substância.
    • Definição do fogo violento como o espírito que não se encarna, residindo a substância na doçura.
    • Necessidade da força do fogo para que a doçura ganhe vida, pois a água faz o fogo morrer, mas absorve a sua força.
    • Vitória sobre a violência e nascimento da verdadeira força que vivifica a doçura, transformando-a em água viva.
    • Personificação da água viva pela Sabedoria, definida como o Espírito atuante em uma substância perfeita.
    • Coloração da água quando o fogo se reflete em um espelho.
  • A luz se define como o fogo na água, cabendo à Sabedoria matizar essa água e atuar como a tintura universal.
    • Definição do brilho da luz como a coloração da água vivificada pelo fogo, contrastando com a claridade do Ungrund, que consistia apenas em uma brancura sem brilho.
    • Manifestação da Sabedoria como o brilho da luz.
    • Identificação da água tingida pelo fogo purificado com o sangue, existindo para Boehme um sangue da alma de caráter luminoso, relacionado à carne mística que constitui a carne da alma.
    • Associação desse sangue àquele derramado por Cristo após o golpe de lança para a renovação da terra.
    • Atuação do sangue como o veículo da Sabedoria e como o óleo no qual queima a vida eterna.
    • Associação do som manifesto no sexto grau da natureza eterna à luz, de modo que o esplendor divino também se apresenta como uma música.
    • Configuração de Deus na Sabedoria como um olho e uma visão, mas também como uma voz.
    • Presença da mesma substância viva tanto no olho quanto na voz.
    • Comunicação dessa substância a Maria pela voz do anjo Gabriel, transmitindo-se a verdadeira vida pela voz de Deus.
    • Cumprimento da maternidade da Sabedoria pela voz do anjo, que figura a Face de Deus.
    • Visibilidade e fala de Deus para se manifestar, sendo a Sabedoria a visibilidade e o olho divino.
    • Manifestação da Face de Deus segundo o amor, sendo essa Face também uma voz.
    • Definição da Sabedoria como a voz de Deus segundo o amor simbolizado pelo nome de Jesus dado ao filho de Maria.
    • Animação do Verbo pela Sabedoria, sendo o Verbo o eterno locutor e a fala do coração de Deus.
    • Definição do Verbo como o coração vibrante de Deus.
    • Ação de falar do Verbo antes de se tornar a Palavra, a qual é primeiramente formada na boca de Deus e depois emanada.
    • Caracterização do Verbo não apenas como o Espírito que fala, mas também como a Palavra pronunciada, que virá a ser a letra.
    • Definição da alma de Deus como a primeira emanação, sendo por excelência a Palavra proferida.
    • Compreensão da alma eterna como o Verbo expresso.
    • Configuração da alma primordial como uma energia saída da boca de Deus, que se condensa, se diversifica e depois se reunifica.
    • Atuação da Sabedoria como o princípio e a causa final desse processo.
    • Identificação da Sabedoria com o Verbo que fala em uma eternidade transcendente à natureza.
    • Aparição do Verbo como algo distinto de seu princípio em um momento posterior.
    • Reunião da Sabedoria e do Verbo quando o ciclo se encerra.
  • A Palavra proferida constitui tanto a letra do Verbe quanto a energia que a compõe, permanecendo como energia mesmo após ser pronunciada.
    • Manifestação negativa dessa energia quando ela estreita o corpo da Palavra para transformá-la na letra que aprisiona o espírito.
    • Reexpressão da Palavra pela energia ao romper a letra.
    • Caracterização da alma como uma energia e uma palavra, sendo ela própria a força que comprime a alma e a transforma, no nascimento, no arquétipo de todos os corpos.
    • Definição dessa força negativa como um demiurgo que prefigura aquele da Gênese no nível da alma eterna.
    • Nomeação desse demiurgo no vocabulário de Boehme como verbum fiat, associando o Verbo à entidade saturniana do primeiro grau da natureza.
    • Atuação do verbum fiat como o Verbo que faz existir la natureza primordial, confundindo-se com a natureza tenebrosa.
    • Identificação do verbum fiat da Gênese com o mundo criado, tornando-se um Verbe criado.
    • Denominação do nosso mundo como um Verbo formado, ou Geformt, gebildet, significando a materialização em formas que são corpos.
    • Presença da Sabedoria como o princípio incriado sob a aparência desse Verbo criado, mantendo-se absolutamente transcendente a ele.
    • Compreensão do Verbo proferido na natureza primordial como a letra que se estreita e encarcera o espírito.
    • Definição da letra não apenas como um corpo estático, mas como aquilo que imobiliza.
    • Caracterização da letra como uma potência de morte, em que o espírito vivifica e a letra mata.
    • Confusão do Verbo manifesto no limiar da natureza eterna com essa potência de morte, enquanto a Sabedoria representa a vida eterna.
    • Definição da Sabedoria como a vida, embora ela não crie no nível da natureza tenebrosa.
    • Aplicação da maternidade da Sabedoria, manifestada no símbolo da água viva, exclusivamente no plano de uma segunda criação.
    • Geração e criação pela Sabedoria operadas apenas segundo o Espírito, tal como ocorreu no ventre de Maria.
    • Recriação da Palavra ao se libertar da letra, ocorrendo tanto a sua imobilização quanto a sua reexpressão.
    • Configuração da Palavra recriada como o espelho da Sabedoria e o corpo perfeito do Espírito.
    • Atuação da Palavra como a energia que anima esse corpo.
    • Concepção de Boehme de que todo corpo é uma energia, seja imobilizada e obscurecida, seja em ato e percebida como uma luz.
  • A Palavra se transforma em um espelho quando se torna luminosa e liberta das trevas da letra, pois toda luz funciona como um espelho.
    • Identificação do Verbo com a parte preciosa da alma que ele manifesta no sexto grau da natureza eterna.
    • Caráter luminoso do Verbo, sendo o mesmo que operará a segunda criação pela qual se acede a uma vida nova.
    • Unidade entre esse Verbo e a Sabedoria, definindo-se ele como a inteligência divina, ou Verstand, e a voz de Deus.
    • Definição do Verbo como o discurso divino que se grava na substância da alma regenerada.
    • Caracterização do Verbo como a Palavra que se reexpressa eternamente, sendo simultaneamente Palavra falada e Palavra que fala.
    • Identificação da Sabedoria com esse próprio discurso divino.
    • Percepção da Palavra divina manifestada no sexto grau da natureza — a Palavra de Vida — como uma música.
    • Despertar da audição e dos outros sentidos na primeira fase da natureza eterna.
    • Condição da audição ainda como um órgão rudimentar que percebe o que está à sua imagem.
    • Definição da alma como o ouvido que escuta e também como o que é escutado.
    • Redução da alma ao ruído nesse estágio, refletindo a condição da criatura não liberta no mundo.
    • Configuração da alma como uma harmonia e uma música quando a luz passa a reinar.
    • Atribuição da verdadeira alegria a essa harmonia, também simbolizada no sexto grau da natureza eterna.
    • Presença da unidade derradeira na harmonia representada pelo som nesse grau.
    • Distinção dessa unidade em relação à simplicidade primeira do Ungrund.
    • Visão de Boehme de que o Um não se manifestaria se permanecesse apenas o Um, realizando-se toda revelação por meio de uma divisão.
    • Cessação da divisão quando a revelação se cumpre verdadeiramente, manifestando uma unidade que é consonância.
    • Configuração dessa unidade como uma vitória sobre a dissonância.
    • Caráter dissonante do fogo obscuro e do desejo que ele representa.
    • Definição da luz como a consonância e como o amor que une as vozes.
    • Identificação da dissonância com o tormento da alma entregue às angústias expressas pela palavra Angst.
    • Nascimento da alegria manifestada nesse ponto dentro do cadinho da aflição.
    • Caracterização dessa alegria como substancial e como a causa final do sofrimento.
    • Identificação da Sabedoria com essa causa final.
    • Atuação da sétima forma do ciclo setenário como o espelho da Sabedoria plenamente manifestada.
    • Definição da sétima forma como o corpo de todas as outras ou o corpo do Espírito.
  • O corpo gerado no início do ciclo, arquétipo de todos os corpos grosseiros, constitui apenas dissonância, enquanto o corpo novo se caracteriza essencialmente como uma consonância.
    • Fusão mútua de todas as qualidades sensíveis que tecem o corpo novo, em vez de se oporem como o frio e o calor.
    • Expressão da unidade dessas qualidades, formas ou espíritos no corpus que elas compõem.
    • manifestação ou imagem suprema dessa unidade.
    • Concentração de toda a imaginação da alma eterna nessa imagem harmoniosa ligada à Sabedoria.
    • Transmutação e sublimação de cada qualidade, perdendo o seu caráter agressivo e tenebroso.
    • Supressão das trevas na manifestação final.
    • Presença da plenitude na luz exclusiva cuja alma é la Sabedoria.
    • Sinonímia entre plenitude e acabamento, sendo a unidade derradeira o repouso que marca a consumação do tempo.
    • Cessação do devir e representação do sabá pela sétima forma.
    • Definição da alegria manifestada nesse estágio como a felicidade do repouso, sinal da perfeição conquistada sobre o devir.
    • Distinção desse repouso frente à imobilidade do Ungrund, pois ele ainda configura um movimento, mas tão perfeito que é percebido como repouso.
    • Sugestão desse repouso pelo movimento circular dos astres.
    • Concepção do movimento do céu eterno no término do ciclo septiforme por analogia com o céu terrestre.
    • Existência da roda das sete formas na natureza primordial como o arquétipo da roda planetária.
    • Correspondência de um planeta para cada forma.
    • Aparição simultânea de todas as qualidades devido ao movimento perfeito do círculo em relação ao centro onde irradia a luz.
    • Configuração da eternidade manifestada nessa esfera superior como uma perfeita simultaneidade.
    • Fim da sucessão das formas uma a uma devido à cessação do devir.
    • Atividade de todas as formas em uma só, que serve de morada para elas.
    • Conversão do tempo na simultaneidade do espaço.
    • Presença do repouso nessa plenitude que constitui uma unidade viva.
    • Caracterização do Un primordial como uma unidade sem vida, dado que o Ungrund não conhece a vida.
    • Definição da verdadeira alegria como aquela da vida perfeitamente compassada.
    • Personificação da alegria do repouso pela Sabedoria, que também atua como a alma do movimento perfeitamente controlado.
    • Atribuição da bem-aventurança à perfeição desse movimento.
    • Tradução da alegria, que é efeito e alma desse movimento cumprido, pela expressão webende Lust.
    • Percepção dessa alegria pelos anjos que escutam o concerto divino.
    • Identificação da música divina com o movimento perfeito.
    • Configuração do corpo que manifesta la Sabedoria como o repouso das formas e também como esse movimento.
    • Definição desse corpo como um corpo de luz e como a vibração da luz.
    • Transformação da claridade do Ungrund — que não era luz nem trevas — em algo luminoso graças ao movimento.
    • Caracterização do movimento do sétimo dia como o do desejo em perfeito repouso por estar eternamente satisfeito.
    • Expressão do desejo de amor pelo movimento do sétimo dia.
    • Definição do outro desejo como um movimento furioso pertencente à alma entenebrecida.
    • Encontro da alma consigo mesma ao desabrochar na paz, sendo o encontro de si a descoberta do repouso.
    • Presença da plenitude possível da alma no repouso.
    • Identificação do Deus do sétimo dia com o Deus que encontrou a si mesmo.
    • Personificação desse Deus que se encontrou no término de seus caminhos pela Sabedoria.
    • Presença do repouso na fixidez da matéria preciosa que resulta do ciclo septiforme.
    • Caracterização do movimento como o eterno derramamento dessa matéria.
    • Representação da perfeição convertida em substância por meio dessa matéria.
    • Reunião das propriedades sólida e fluida no mar de cristal.
    • Associação desse símbolo extraído do Apocalipse à Sabedoria no término da natureza eterna.
    • Representação da natureza perfeita transformada no corpo da Sabedoria por esse símbolo.
    • Significado do cristal como a transparência perfeita, que difere da claridade do Ungrund.
    • Atribuição da transparência apenas a um corpo atravessado pela luz, sendo sinônimo de pureza.
    • Expressão da comunicabilidade da luz pela transparência.
    • Caracterização da Sabedoria como a pureza do corpo precioso no qual ela irradia.
    • Identificação da Sabedoria com a virgindade desse corpo.
    • Definição da Sabedoria como a alma da luz que o penetra por todos os lados.
    • Personificação do Deus que se comunica pela Sabedoria, cuja virgindade é eminentemente fecunda.
    • Identificação da Sabedoria com o dom de Deus.
    • Aparição da Sabedoria como o amor de Deus que irradiará na criação ao término da emanação primordial.
    • Presença da Sabedoria como a graça de Deus que habitará a criatura quando esta adquirir o privilégio do segundo nascimento.
    • Atuação da Sabedoria como a causa desse novo nascimento sob a veste da graça.
    • Configuração do corpo preenchido pela Sabedoria divina no término da natureza eterna como um segundo mysterium magnum.
    • Contenção antecipada de todas as obras divinas que se cumprirão nas almas singulares por esse corpo.
    • Inclusão indistinta das obras nesse mysterium magnum, razão pela qual ele também é chamado de caos.
    • Paradoxal denominação de mistério para um corpo manifestado na luz.
    • Representação efetiva de um mistério pelo fato de as destinações contidas ainda não serem conhecidas.
    • Ausência de formação das destinações segundo a singularidade de cada uma.
    • Permanência do segundo mysterium magnum como mistério na expectativa de uma última manifestação que o explicitará.
    • Caracterização do mistério como a flor que se abrirá no homem.
    • Adequação do mysterium magnum do término da emanação septiforme à Sabedoria, assemelhando-se àquele que o precedeu fora da natureza.
    • Distinção de que as obras nele implicadas não são mais pensamentos abstratos.
    • Transformação dessas obras em verdadeiras sementes que se comunicarão e se desenvolverão na criação.
    • Posicionamento no limiar da criação, cujas primeiras criaturas são os anjos.
    • Definição do céu dos anjos como a sua própria carne.
    • Identificação desse céu supremo com a substância perfeita manifestada no corpus da natureza eterna.
    • Caracterização desse céu como substância e ao mesmo tempo como um movimento cumprido.
    • Identificação do céu dos anjos com o paraíso e com a terra ideal.
    • Definição dessa terra como uma carne.
    • Identificação da substância perfeita em que irradia a Sabedoria com a carne dos anjos que será dada ao filho de Maria.
    • Realização dessa doação segundo a maternidade virginal da Sabedoria, da qual a carne se tornará o trono.
    • Denominação dessa substância como a carne de Cristo, descrita como carne celeste que não se confunde com a carne vil do filho de Maria.
    • Configuração do céu primordial como um corpo de luz formado por todos os anjos reunidos.
    • Existência de diferentes coros de anjos.
    • Caracterização de cada coro como um corpo glorioso que recebe o nome de seu chefe.
    • Ocupação por um dos coros do lugar destinado ao nosso mundo.
    • Nomeação do anjo que é a cabeça e o próprio corpo desse coro como Lúcifer.
    • Beleza de Lúcifer ajustada à medida que rege toda a perfeição criada.
    • Desejo de Lúcifer de ser ainda mais belo.
    • Pretensão de Lúcifer de avivar o brilho de seu corpo de luz.
    • Necessidade de recriar o próprio corpo para atingir esse fim.
    • Reativação do fogo primordial por Lúcifer, resultando em uma catástrofe.
    • Ateamento do incêndio por Lúcifer.
    • Perda do céu por Lúcifer — que antes o representava em sua carne — e seu sepultamento no abismo.
    • Devastação do lugar que deveria ser o nosso universo por Lúcifer.
    • Necessidade de recriação do lugar devastado.
    • Chegada à Gênese, compreendida na verdade como uma restauração.
    • Foco na criação do nosso macrocosmo, descrita como uma restauração imperfeita, mas incluída no conselho eterno de Deus.
    • Intenção de evocar posteriormente a criação do homem.
    • Aparição das duas fases da natureza eterna como duas formas específicas de existência, sendo uma tenebrosa e outra luminosa.
    • Geração e reprodução dessas duas formas de existência.
    • Denominação dessas formas como princípios por Boehme.
    • Definição das trevas como o primeiro princípio e da luz como o segundo.
    • Existência de um terceiro princípio no sistema de Boehme, correspondente ao nosso mundo e macrocosmo.
    • Caracterização do terceiro princípio pela dualidade entre a luz e as trevas.
    • Impossibilidade de escapar dessa contradição por qualquer criatura feita à imagem desse mundo.
    • Condição do homem não regenerado como alguém dilacerado entre o bem e o mal enquanto permanecer à semelhança desse mundo.
    • Definição do terceiro princípio como a dualidade entre os dois primeiros.
    • Presença simultânea das trevas e da luz no nosso mundo, que representa esse terceiro princípio.
    • Necessidade de abandonar esse mundo para encontrar realmente a luz.
    • Caráter perpetuamente tenebroso da dualidade.
    • Constatação de que o nosso mundo não é necessariamente o inferno, embora frequentemente se confunda com a geena.
    • Ocultamento da luz pelas trevas no seio do mundo.
    • Indistinção entre as trevas e o inferno.
    • Sinonímia entre dualidade e trevas.
    • Incapacidade do homem terrestre, sujeito à dualidade, de alcançar a luz por recursos próprios.
    • Desespero do homem se for abandonado a si mesmo.
    • Fornecimento do modelo de desespero pela primeira fase do ciclo da natureza eterna.
    • Representação de outra natureza pelo céu do nosso mundo em comparação com o céu dos anjos.
    • Definição do céu dos anjos como a matéria perfeita resultante do ciclo da emanação septiforme.
    • Identificação dessa matéria com a substância que Boehme denomina terra do paraíso.
    • Unidade entre essa terra virginal e o empíreo, sendo chamada de o elemento.
    • Oposição do termo no singular ao plural dos quatro elementos.
    • Atuação do simbolismo do ciclo primordial sobre os quatro elementos: o fogo, o ar, a água e a terra.
    • Unidade dos quatro elementos quando a natureza eterna está plenamente manifestada.
  • O elemento, empregado no singular, constitui uma terra e também um fogo transformado em luz, definindo-se como único e indivisível.
    • Caracterização do elemento como o ar que nasce do fogo e o ativa.
    • Identificação do elemento com a água viva.
    • Presença da unidade última na indivisão do elemento.
    • Definição dele como o elemento puro, cuja virgindade equivale à integridade.
    • Caracterização do nosso mundo pela pluralidade dos quatro elementos.
    • Recusa em ver a quaternidade como um símbolo de perfeição ou plenitude no pensamento de Boehme.
    • Interpretação da quaternidade como o sinal de uma natureza inferior.
    • Ocultamento da Sabedoria pela quaternidade, estando aquela presente em cada um dos quatro elementos, mas de forma inacessível.
    • Significado do número quatro como a unidade perdida e fora de alcance.
    • Contraponto com a hermenêutica de C.G. Jung, para quem a quaternidade representa a totalidade perfeita.
    • Visão de Boehme de que a quaternidade configurava apenas a totalidade despedaçada.
    • Configuração do nosso mundo à imagem da quaternidade.
    • Existência de um Deus para o nosso mundo, do qual este é espelho e vice-versa.
    • Identificação desse Deus com o Deus dos quatro elementos e o Deus dos astros.
    • Definição desse Deus como o Espírito do macrocosmo.
    • Compreensão do Espírito do macrocosmo, ou spiritus mundi, como uma forma do Verbo proferido.
    • Identificação do espírito com o nosso macrocosmo, do qual ele é o demiurgo.
    • Distinção entre esse Verbo criado e a Sabedoria, a qual se une apenas ao Verbo incriado, apesar da analogia existente entre eles.
    • Atuação do spiritus mundi como o demiurgo.
    • Caracterização do espírito como o artista que separa e esculpe as formas para fazê-las existir conforme as realidades singulares do nosso mundo.
    • Definição do espírito como o Verbo separador.
    • Atuação do espírito como o espelho no qual as formas surgem para ser criadas.
    • Semelhança da alma do mundo, chamada spiritus mundi, com a Sabedoria por ser o mysterium magnum no qual as coisas futuras estão guardadas.
    • Apresentação da versão exteriorizada do mistério por essa alma do mundo.
    • Definição do Espírito do macrocosmo como o mysterium magnum no terceiro grau.
    • Aparição das formas no último mistério tais como serão quando forem extraídas dele.
    • Distinção mútua entre as formas.
    • Atuação da alma do mundo como o princípio de individuação que faz cada ser existir por si mesmo.
    • Caracterização da alma do mundo como a Mãe segundo a nossa natureza terrestre.
    • Identificação da alma do mundo com o Espírito dos astros, correspondente ao astrum de Paracelso.
    • Personificação do nosso céu visível pela alma do mundo.
    • Condição dela também como o Deus da nossa terra.
    • Denominação dada por Boehme como um Deus terrestre.
    • Identificação da alma do mundo com o Espírito deste mundo.
    • Distinção entre a alma do mundo e a Sabedoria.
    • Representação do mysterium magnum pela alma do mundo em um plano diferente.
    • Distinção entre a alma do mundo e o diabo.
    • Caracterização dela como o Espírito deste mundo que provocou a perda de Adão.
    • Atribuição da falta de Adão à projeção de seus pensamentos no espelho do spiritus mundi, abandonando a contemplação do espelho da Sabedoria.
    • Revestimento do Espírito do macrocosmo com a aparência do diabo que por ele se expressa.
    • Atribuição do castigo de Adão ao spiritus mundi e não a Deus.
    • Afirmação de que o verdadeiro Deus não puniu Adão.
    • Definição do verdadeiro Deus exclusivamente como o Deus de amor.
    • Aparição da Divindade sob o aspecto de sua ira antes de se manifestar como o verdadeiro Deus.
    • Revelação de Deus segundo o seu amor apenas para aqueles em quem a sua caridade se derramou substancialmente.
    • Redução de Deus à ira para os demais indivíduos.
    • Identificação do Deus da ira com o Deus do mundo do qual esses indivíduos são prisioneiros, correspondendo ao terceiro princípio.
    • Identificação do Deus deles com o spiritus mundi.
    • Tomada do spiritus mundi como o verdadeiro Deus por aqueles que só o conhecem.
    • Representação da ira pela Lei dada a Moisés.
    • Identificação do spiritus mundi como o mesmo Deus que pune Adão e entrega a Lei a Moisés.
    • Manifestação da ira pela alma do mundo, enquanto a Sabedoria personifica a misericórdia.
    • Definição do puro elemento — substância da graça divina — como o corpo da Sabedoria.
    • Formação de uma natureza que não constitui a morada de Deus pelos quatro elementos.
    • Caracterização da alma do mundo como o Deus da criatura não liberta das trevas.
    • Identificação dela com o Deus da Antiga Aliança.
    • Significado do advento da Sabedoria no ventre de Maria, mãe de Cristo, como o fim dessa Aliança.
    • Permanência do homem nascido após Cristo sob a Antiga Aliança caso ele não seja habitado pela Sabedoria.
    • Contemporaneidade de Cristo para todos os homens unidos à Sabedoria.
    • Contemporaneidade de Moisés para os demais homens.
    • Identificação do Deus deles com o Deus da Lei, o spiritus mundi.
    • Definição do Espírito do macrocosmo como o espelho do nosso mundo e simultaneamente seu criador.
    • Constatação de que nem tudo é negativo no nosso universo.
    • Possibilidade de imaginar outro céu manifestado segundo a natureza eterna a partir do movimento do nosso céu que parecia um repouso.
    • Existência de uma analogia entre os dois céus, sem a qual o desejo do homem não seria despertado.
    • Finalidade da criação do nosso mundo voltada para a manifestação das obras divinas.
    • Inclusão dessa criação no plano eterno personificado pela Sabedoria.
    • Integração da criação do nosso mundo na revelação.
    • Configuração do demiurgo e Espírito do macrocosmo também como o instrumento da bondade divina, e não apenas como cúmplice do diabo.
    • Atuação dele como espelho deste mundo e também do mundo superior.
    • Incomparabilidade entre o espelho do spiritus mundi e o da Sabedoria.
    • Oferecimento de apenas um reflexo das coisas pelo espelho do espírito, em vez de manifestá-las segundo a realidade substancial.
    • Devolução a uma realidade situada em outro lugar, à semelhança dos espelhos terrestres.
    • Caracterização das formas vistas nele apenas como simulacros.
    • Utilidade transitória desse espelho.
    • Caráter perecível do espelho, assemelhando-se ao nosso corpo mortal que é o espelho do macrocosmo.
    • Necessidade de quebrar o espelho após o uso e direcionar o olhar para o outro espelho ao qual ele remete.
    • Identificação desse outro espelho com o da Sabedoria.
    • Representação de uma perfeição relativa pelos astros.
    • Sensibilidade de Boehme à beleza do nosso céu, a qual é por ele louvada.
    • Necessidade de saber de qual natureza se fala e em qual nível se situa o propósito quando se afirma que toda revelação está contida no livro da natureza.
    • Definição do verdadeiro livro como o da Sabedoria manifestada no seio da natureza eterna.
    • Redução da nossa natureza à condição de letra do livro.
    • Necessidade de se libertar da letra para ler o verdadeiro texto.
    • Início de toda leitura obrigatoriamente pela letra.
    • Descoberta de outra escrita graças ao espírito que se oculta sob a letra.
    • Reconstituição dessa outra escrita pela alma que lê.
    • Orientação da leitura exercida por essa mesma escrita oculta.
    • Presença da Sabedoria nesse texto místico que constitui a fonte e o fruto dos pensamentos.
    • Formação do céu supremo pelas letras desse texto, cuja substância se incorpora à nossa carne nova para ser o pensamento vivo ou a imaginação.
    • Transformação do indivíduo em seu pensamento encarnado, sua imaginação e seu amor.
    • Identificação com o céu, com a ressalva de que se deve saber qual céu.
    • Definição do Espírito do macrocosmo como o espírito dos astros que ilumina a razão humana.
    • Procedência e nutrição dessa razão — chamada Vernunft e não Verstand — a partir do spiritus majoris mundi.
    • Distinção dessa razão frente à inteligência denominada Verstand por Boehme, que se identifica com a parte superior da alma.
    • Simbolismo dessa inteligência divina no sexto grau da natureza eterna juntamente com o discurso divino.
    • Vinculação da inteligência à Sabedoria eterna.
    • Incapacidade da razão humana de se elevar a Deus por si mesma.
    • Apreensão exclusiva do astrum que a gera por parte da razão.
    • Configuração da razão à imagem da criatura sujeita à alma do mundo.
    • Redução da apreensão da razão à letra, visto que o céu do qual ela procede constitui a letra da criação.
    • Distinção entre a luz dispensada pelo astrum e a luz divina.
    • Distinção também entre a luz do astrum e aquela que o sol espalha no universo.
    • Superioridade da luz do sol em relação à luz do astrum.
    • Definição do sol como o coração e a alma dos astros, sendo aquilo que lhes confere vida.
    • Superioridade do sol sobre o Espírito dos astros, que é a alma do mundo ou spiritus mundi.
    • Caracterização do sol como outro Deus da nossa natureza, superando o astrum, que é Deus terrestre e príncipe do nosso céu.
    • Irradiação do sol no astrum e no mundo a este relacionado.
    • Redução do astrum a um fogo tenebroso caso carecesse da luz solar, à semelhança do fogo da primeira fase do ciclo da natureza eterna.
    • Aniquilamento de toda vida nos quatro elementos sem a presença do sol.
    • Identificação do astrum com o inferno na ausência do sol.
    • Distinção entre a luz do nosso sol e a luz manifestada no ciclo primordial.
    • Procedência da luz solar a partir daquela do ciclo primordial.
    • Conservação das virtudes daquela luz na luz solar, embora de forma enfraquecida.
    • Harmonização das qualidades na natureza exercida pela luz solar, assemelhando-se à luz divina em menor grau.
    • Atuação da luz solar como um princípio de crescimento harmonioso.
    • Presença na luz solar da tintura apropriada à Sabedoria que sublima o fogo da natureza.
    • Irradiação da Sabedoria no macrocosmo graças à luz do nosso sol.
    • Atuação do sol como o mediador que permite ao Deus transcendente exercer a sua presença no universo.
    • Configuração dessa presença como causa de alegria e perfeição.
    • Limitação da vivificação da luz solar apenas à parte mortal da natureza criada.
    • Ausência de transformação da natureza pela luz solar, não a fazendo conhecer segundo o seu princípio mesmo que a luz divina esteja presente sob sua aparência.
    • Caracterização da presença de Deus no mundo terrestre — excluindo a graça na alma transformada — como uma presença de imensidão.
    • Distinção dessa presença frente àquela particular e substancial que se manifesta apenas no homem desperto para a verdadeira vida.
  • A luz do sol se comunica ao astrum e atenua os seus rigores, constituindo uma fonte de vida e de alegria que faz crescer os metais na terra e frutificar as árvores.
    • Representação da fatalidade que rege o nosso mundo pelo astrum.
    • Definição da alma do mundo como o fatum em contraposição à liberdade simbolizada pela Sabedoria, que se manifesta verdadeiramente apenas no homem.
    • Sujeição do homem a essa fatalidade na medida em que ele se identifica com o macrocosmo do qual é espelho.
    • Libertação do homem quando ele escapa ao terceiro princípio segundo outra dimensão de seu ser.
    • Atuação da fatalidade dos astros nos quatro elementos que determinam as complexições do corpo humano e a vida do corpo do mundo.
    • Presença da fatalidade na alternância entre o dia e a noite, assim como entre a vida e a morte, que constitui a regra do tempo.
    • Identificação do espírito do macrocosmo com o Tempo, figurado por um relógio cósmico que consiste em uma roda cuja rotação explicita o mysterium magnum.
    • Definição desse relógio como o mistério em devir, contendo todas as destinações.
    • Chamado dos seres à existência de maneira sucessiva por meio do movimento do relógio.
    • Realização da criação por meio desse movimento.
    • Separação e implantação dos seres no tempo ideal por meio da sucessão, cada qual com sua singularidade demarcada.
    • Continuidade da criação em todos os momentos do devir.
    • Atuação do Espírito do macrocosmo como o criador e o separador.
    • Configuração do tempo ideal do ciclo da natureza eterna como o arquétipo do nosso tempo figurado pelo spiritus mundi.
    • Substituição do devir primordial por uma eternidade relativa após a sua consumação.
    • Representação dessa eternidade por um movimento circular cuja perfeição torna simultâneos todos os aspectos do devir.
    • Identificação dessa simultaneidade com a imagem da eternidade perfeita.
    • Realização da simultaneidade no espaço circunscrito pelo corpo da Sabedoria no sétimo grau do ciclo primordial.
    • Imitação do ciclo da natureza eterna pelo ciclo sideral regido pelo spiritus majoris mundi.
    • Cumprimento do ciclo da natureza eterna no corpo da Sabedoria segundo a sua perfeição.
    • Simbolização de cada uma das sete formas por um planeta em ambos os ciclos.
    • Desenvolvimento do ciclo sideral estritamente nos limites do tempo.
    • Sucessão dos graus um a um no ciclo sideral, isolando as qualidades de cada um.
    • Determinação das essências das coisas por essas qualidades.
    • Predomínio de uma determinada qualidade sobre as outras em um momento dado.
    • Posição da qualidade dominante no topo da roda cósmica.
    • Oposição das qualidades quando se manifestam separadamente.
    • Transformação de cada qualidade em algo excessivo, afirmando-se como vontade própria e lutando pelo predomínio.
    • Intensificação dos aspectos negativos devido a essa oposição.
    • Retorno da amargura à condição de veneno quando aparece isolada, em contraste com sua integração no concerto divino no mistério da Sabedoria, onde perdera a violência sob o efeito da doçura para se tornar virtude vivificante.
    • Atenuação dos excessos pela doçura da nossa luz.
    • Possibilidade de a vida prevalecer sobre a morte graças a essa doçura.
    • Caráter sempre efêmero dessa vitória.
    • Identificação do sol com o amor, amando todas as plantas sem distinção.
    • Extinção do fogo da ira que ferve nos elementos por meio do sol.
    • Ação de adoçar e conciliar exercida pela luz solar.
    • Incapacidade da luz solar de colocar um fim definitivo à discórdia.
    • Posse das virtudes da luz divina pela luz do sol, da qual procede.
    • Exercício dessas virtudes em menor grau pela luz solar.
    • Incapacidade de impedir catástrofes como a guerra, o assassinato e a peste.
    • Permanência da fatalidade representada pelo spiritus mundi.
    • Simbolização do antagonismo entre as qualidades pelo próprio espírito do macrocosmo, opondo-se como o quente e o frio.
    • Luta entre os elementos que, enquanto forem quatro, permanecem inimigos como o fogo e a água.
    • Condição do nosso sol como único símbolo de concórdia no céu, embora sua luz não preencha todo o universo.
    • Configuração do sol como a imagem da Sabedoria que irradia em uma natureza perfeita, possuindo parentesco real com ela.
    • Manifestação da luz da Sabedoria no quarto grau da natureza eterna.
    • Brilho da luz do sol no quarto dia da Gênese.
    • Significado do paralelismo entre as duas luzes.
    • Necessidade do desaparecimento do nosso sol para que se passe de uma luz à outra.
    • Irradiação da Sabedoria no nosso mundo graças à nossa luz.
    • Ocultamento da Sabedoria sob a aparência do sol visível, que diminui os seus efeitos.
    • Ausência de sol na nova Jerusalém, apesar do reino da luz em todas as suas partes.
    • Caráter eminentemente positivo do sol.
  • A rotação da roda cósmica gera uma infinidade de movimentos desordenados e contraditórios, mas se realiza ao redor de um ponto fixo que é o sol.
    • Heliocentrismo resoluto de Boehme.
    • Posição do sol como o centro do mundo para Boehme.
    • Rotação das planetas — que representam as qualidades de onde decorre a realidade das coisas criadas — ao redor desse centro imóvel.
    • Definição do sol como o coração do mundo e como um símbolo de repouso diante do movimento perpétuo da nossa natureza.
    • Imobilidade do sol e da luz.
    • Propagação da luz sem aparência de movimento.
    • Presença da vida e do brilho na luz.
    • Produção desse brilho pela tintura.
    • Identificação da tintura com a vida e o movimento na luz que parece imóvel.
    • Orientação de toda vida para um centro que constitui o seu coração.
    • Residência da suprema perfeição nesse centro.
    • Presença da finalidade de toda vida nessa perfeição, que representa a sua plena medida.
    • Desabrochar verdadeiro da vida apenas a partir desse centro.
    • Configuração da vida como perfeitamente ordenada e igual em todos os seus aspectos após esse desabrochar.
    • Sinonímia entre essa igualdade e o repouso no pensamento de Boehme.
    • Identificação do desabrochar da vida com o seu próprio movimento.
    • Voltado de toda vida para o sol por ser ele o seu centro.
    • Transcendência desse centro em relação à vida, embora esteja no seu fundo.
    • Presença da transcendência na profundidade das coisas.
    • Associação do distanciamento à profundidade.
    • Existência de uma profundidade que é apenas abismo e que engole o indivíduo.
    • Existência de outra profundidade de caráter substancial que se penetra para a ascensão.
    • Condição do sol como o coração do céu e da terra, mantendo-se transcendente a eles.
    • Caráter relativo dessa transcendência em comparação com a da Sabedoria.
    • Transcendência do sol em relação ao nosso céu visível na dimensão da profundidade.
    • Ocupação de um lugar metafísico pelo sol em relação ao céu e à terra.
    • Identificação desse lugar com aquele onde fora colocado Lúcifer, o anjo radiante.
    • Irradiação da Sabedoria nesse lugar, que constitui o coração de Deus.
    • Permanência do lugar mesmo após o afastamento de Lúcifer, constatando-se que foi ele quem se retirou quando a Sabedoria o deixou.
    • Ocupação posterior desse lugar por Adão, que também o desertará ao se desviar da Sabedoria.
    • Transformação do lugar na morada de Cristo.
    • Unidade de lugar entre o coração de Deus e o coração do nosso mundo.
    • Presença do verdadeiro fundo de toda vida nesse local comum.
    • Permanência de diferenças de natureza apesar desse homocentrisme.
    • Distinção entre o coração do nosso mundo e o coração de Deus.
    • Definição do coração de Deus como o coração eterno, sendo o outro apenas a aparência exterior.
    • Orientação da nossa natureza para o sol.
    • Identificação do objeto de desejo da natureza com o coração eterno.
    • Manifestação do coração eterno apenas no fim do mundo, quando o nosso sol desaparecer.
    • Semelhança entre o corpo do mundo no qual o sol brilha e o corpo do homem em sua condição mortal.
    • Presença de um coração nesse corpo, atuando como centro a partir do qual a vida irradia.
    • Imperfeição dessa vida, caracterizada como a forma mais exterior e alheada da vida universal.
    • Necessidade de conduzir essa vida de volta à vida profunda que nela se esconde.
    • Exigência de uma verdadeira ruptura de nível para passar de uma vida à outra.
    • Necessidade de abolição da vida mortal em vez de sua afirmação com a fúria do desespero.
    • Realização desse reviramento no homem com o concurso da criatura.
    • Realização do processo no macrocosmo pela única vontade de Deus e no fim do mundo.
    • Retorno do mysterium magnum à unidade do primeiro elemento — o elemento puro — quando este mundo passar.
    • Permanência dessa unidade no fundo das coisas.
    • Atuação da unidade como o fator de coesão da vida apesar de todas as contradições.
    • Presença da unidade como o elo oculto entre todas as existências.
    • Sustentação conjunta do céu e da terra graças a essa unidade, a despeito da separação deles.
    • Ausência de manifestação da unidade em um período intermediário.
    • Condição do sol como o espelho da Sabedoria.
    • Necessidade de quebra também desse espelho solar.
    • Subsistência exclusiva do espelho que representa a Sabedoria em pessoa.
    • Definição desse espelho final como sem mancha, próprio da atividade de Deus e imagem de sua excelência.
    • Evocação do espírito do macrocosmo, da criação de seu universo e de seu devir.
    • Intenção de falar sobre a criação de Adão e o futuro de sua posteridade.
    • Criação de Adão com dois corpos.
    • Definição de um dos corpos como de luz, imagem perfeita da forma humana figurada eternamente pela Sabedoria e também dada a Lúcifer.
    • Definição do outro corpo como tenebroso, feito à semelhança do spiritus mundi.
  • O corpo de luz se apresenta inicialmente como o único visível, mas Adão o perde em seguida, fazendo com que o corpo vil e grosseiro apareça como imagem de seus pensamentos pervertidos.
    • Representação da Sabedoria pelo corpo de luz, também denominado corpo de cristal.
    • Afastamento da Sabedoria quando Adão perde esse corpo luminoso.
    • Relação do outro corpo com o Deus deste mundo, o spiritus mundi.
    • Submissão de Adão a esse mestre que governa o mundo segundo a ira de Deus após a perda da esplendidez.
    • Percepção inicial da voz da ira por Adão ao ouvir passos no jardim após a consumação do pecado.
    • Medo de Adão ao descobrir a própria nudez, que reflete a imagem do Deus deste mundo.
    • Citação da frase correspondente ao temor de Adão: — Jurei ter medo porque estou nu.
    • Simbolismo do corpo nu de Adão associado à dualidade que caracteriza o terceiro princípio personificado pelo spiritus mutoris mundi.
    • Condição de Adão como virgem antes da queda.
    • Significado da virgindade como sinal de uma unidade perfeita, sendo o corpo glorioso feito do único elemento.
    • Transformação de Adão em homem e mulher após o pecado, ocorrido durante o sono.
    • Projeção da imaginação pervertida sobre a aparência dos animais, levando à descoberta do próprio corpo animal.
    • Manifestação do corpo animal exclusivamente sob o aspecto de dois corpos separados.
    • Definição da dualidade dos sexos — sinônimo de discórdia — como a fatalidade que sobrecarrega Adão ao perder a Sabedoria.
    • Extensão dessa fatalidade à posteridade de Adão.
    • Ausência de manifestação do Deus do jardim apenas segundo a ira.
    • Presença também do Deus de amor, simbolizado pelo nome de Jesus.
    • Audição posterior da voz da misericórdia.
    • Atuação do Deus de amor quando a voz promete a Eva a vitória de sua posteridade sobre a serpente.
    • Identificação dessa posteridade com o Christo filho de Maria.
    • Esmagamento da cabeça da serpente por uma semente, conforme a Vulgata imitada por Lutero.
    • Condução dessa semente pela voz de Deus no pensamento de Boehme.
    • Penetração da semente no ventre de Eva no momento em que a voz ecoa no jardim.
    • Prefiguração da Anunciação por esse evento.
    • Identificação da semente com o santo elemento que alimentará e gerará o homem novo.
    • Retorno da habitação da Sabedoria em Adão quando a semente germinar.
    • Renovação da pessoa de Adão operada apenas em sua posteridade.
    • Ocultamento inicial da semente nas profundezas da criatura, permanecendo como morta.
    • Condição da humanidade nascida de Adão como adormecida no túmulo enquanto a semente não despertar.
    • Identificação da alma pervertida com o túmulo.
    • Identificação da semente depositada no ventre de Eva com o tesouro enterrado no campo.
    • Configuração da alma não regenerada como a terra grosseira e o campo.
    • Identificação da Sabedoria com o tesouro escondido.
    • Compreensão da semente transmitida pela voz — mas que ainda não frutifica — como o espírito aprisionado na letra da Palavra divina.
    • Caracterização da criatura que a recebe como o homem caído que ouve o passo de Deus, mas não consegue ver Deus.
    • Início da revelação pela letra, que se apresenta como uma promessa.
    • Realização da promessa dependente da saída da alma de seu estado de sono.
    • Identificação da vida tenebrosa da criatura não regenerada com o sono de Adão, que se assemelha à morte.
    • Produção exclusiva da imagem da morte por essa vida.
    • Regeneração da vida operada apenas segundo essa mesma imagem.
    • Nascimento da alma humana para si mesma somente quando o tempo for consumado.
    • Simbolização desse cumprimento por Maria, mãe de Cristo, que marca o término da Aliança concluída segundo o tempo deste mundo.
    • Produção do despertar pela voz do anjo Gabriel que penetra em seu ventre.
    • Transformação de Maria em templo da Sabedoria após receber a Palavra viva em total obediência.
    • Condição de Maria como filha de homem concebida segundo a humanidade terrestre.
    • Parto de Cristo como homem terrestre por Maria, na condição de filha de Adão.
    • Geração de Cristo segundo a humanidade celeste pela Sabedoria, da qual Maria se tornou o trono.
    • Ocorrência de um duplo nascimento, sendo um terrestre e outro celeste.
    • Presença da divindade de Cristo em sua carne celeste recebida da Sabedoria.
    • Formação dessa carne na alma de Maria transformada em uma matriz de água viva.
    • Configuração do corpo celeste de Cristo como a perfeita imagem de Deus.
    • Transformação de Deus em pessoa apenas dentro dessa imagem.
    • Afirmação de Boehme de que Deus só constitui uma pessoa em Cristo.
    • Definição de Cristo como o homem perfeito e o Homem eterno no qual Deus se revela e se cumpre.
    • Definição do cumprimento para Boehme como o tornar-se uma pessoa segundo a Sabedoria divina.
    • Nascimento de Deus já ocorrido no seio da natureza eterna levada à sua perfeição.
    • Configuração de Cristo como outro espelho do nascimento divino.
    • Objectivação verdadeira do nascimento de Deus nesse espelho cristológico.
    • Condição do próprio Verbo como pessoa apenas na humanidade celeste de Cristo.
    • Encarnação do Verbo em sua plenitude pelo filho da Sabedoria nascido do ventre de Maria.
    • Definição de Cristo como a plenitude e a totalidade do coração de Deus.
  • A totalidade reside no ponto, assemelhando-se o reino de Deus ao conteúdo integral de um único grão de mostarda, o que torna cada homem nascido duas vezes a própria totalidade do coração divino.
    • Representação dessa totalidade para os irmãos exercida por Cristo, o primogênito.
    • Identificação da carne que os alimenta com la carne celeste de Cristo.
    • Definição dessa carne como o santo elemento manifesto em Cristo, filho da Sabedoria.
    • Incorporação dessa carne por todos os crentes que a comerem.
    • Formação de um único corpo com Cristo por meio dessa incorporação.
    • União de todos os filhos da Sabedoria em um só corpo que representa a plenitude do coração de Deus.
    • Identificação de Cristo com esse corpo.
    • Simbolização da totalidade do gênero humano unido a Deus em sua Sabedoria por meio desse corpo.
    • Abolição do tempo no corpo do Cristo.
    • Reconhecimento de que o segundo nascimento — pelo qual o fiel se torna membro desse corpo — resulta do tempo.
    • Obtenção do nascimento condicionada à consumação do tempo.
    • Posicionamento do segundo nascimento além do tempo.
    • Contemporaneidade de todos os homens no corpo de Cristo, desconsiderando a cronologia histórica.
    • Definição da eternidade representada por esse corpo como uma perfeita contemporaneidade.
    • Contemporaneidade com Cristo mantida por todos os homens ao se tornarem filhos da Sabedoria, mesmo que continuem na cronologia histórica em sua existência terrestre.
    • Conversão do tempo em espaço para esses homens.
    • Definição do corpo de Cristo como o espaço substancial simbolizado pelo elemento puro espalhado em todos os lugares e que abrange a totalidade das gerações humanas.
    • Configuração do espaço divino — implantado cada vez que um homem é gerado pela Sabedoria — como a plenitude do coração de Deus.
    • Definição desse pleroma como o templo preenchido perfeitamente pela Glória de Deus.
    • Unidade de toda a humanidade renovada em um único templo.
    • Manifestação da Sabedoria pela Glória de Deus que o ilumina.
    • Unidade indissolúvel entre o templo e a Glória, correspondendo à Chekhina.
    • Identificação dessa unidade com a Jerusalém celeste e a Virgem eterna.
    • Habitação da Sabedoria no homem por meio do santo elemento que se transforma em sua carne.
    • Definição dessa substância preciosa como a graça divina que se faz carne.
    • Afirmação de que a verdadeira encarnação, fruto da Sabedoria, não consiste naquela que faz nascer o Cristo no nosso corpo mortal.
    • Cumprimento do processo dentro dos limites desse corpo mortal.
    • Distinção de que o corpo mortal constitui apenas o lugar material, e não o lugar próprio da encarnação.
    • Realização da verdadeira encarnação em um espaço que corresponde à substância da alma renovada.
    • Definição do processo como o desdobramento desse espaço que forma um corpo de luz.
    • Condição exclusiva desse corpo de luz como o templo de Deus e o trono da Sabedoria.
    • Personificação da presença divina pela Sabedoria na graça que, infundida no homem, se torna sua carne celeste.
    • Concepção de Boehme de que a graça não constitui apenas um favor expresso em uma sentença de absolvição.
    • Definição da graça como uma substância.
    • Identificação dela com a natureza divina da qual o fiel se torna participante.
    • Configuração da graça como a nossa natureza nova quando se nasce do alto.
    • Unidade entre a graça encarnada na substância da alma e a nossa fé.
    • Identificação do nosso nascimento segundo a Sabedoria com a encarnação da nossa fé.
    • Transformação substancial do indivíduo em seu próprio amor após essa encarnação da fé.
    • Identificação com a plenitude dos pensamentos movidos pelo desejo de amor.
    • Identificação com toda a imaginação na imagem radiante que dela resulta e que manifesta a presença de Deus na criatura renovada.
    • Identificação da natureza divina recebida em partilha com a natureza eterna transformada em terra do paraíso.
    • Distinção dessa natureza frente à Divindade tomada como Absoluto.
    • Definição dela como a majestade de Deus comunicada ao homem na luz.
    • Caracterização dela como Deus na medida em que Deus se doa ao homem.
    • Viabilidade desse dom restrita ao interior da Sabedoria e por meio dela.
    • Identificação da Sabedoria com o dom de Deus.
    • Definição da Sabedoria como a graça de Deus, equivalente à sua misericórdia.
    • Iluminação da nossa inteligência pela Sabedoria quando nos tornamos participantes dela.
    • Conhecimento de que a misericórdia de Deus não se opõe à sua justiça.
    • Capacidade adquirida de confessar o Deus Un, em contraste com a percepção exclusiva da dissonância universal antes dessa iluminação.
    • Necessidade de que a justiça abra caminho ao suprimir tudo o que não é Deus para que a caridade se derrame substancialmente na criatura.
    • Surgimento da misericórdia como o fruto da justiça.
    • Criação dos seres singulares por Deus com o objetivo de se manifestar neles.
    • Constituição e consolidação de cada ser em seu eu conforme o desígnio divino.
    • Exigência de Deus, segundo a sua justiça, de que esse eu se renuncie ao se transformar em uma vontade própria afastada de sua Sabedoria.
    • Necessidade do renúncio para permitir a penetração de Deus no indivíduo.
    • Ação da Sabedoria de bater à porta sem entrar enquanto não houver o renúncio.
    • Desejo do projeto divino de manifestar o Nada em alguma coisa.
    • Condição da criatura como essa alguma coisa.
    • Cessação da condição de alguma coisa quando um ser se resume ao dom de si.
    • Transformação desse ser na morada de Sabedoria.
    • Acolhimento da Sabedoria viabilizado pela recuperação da pureza original, que transforma o ser em um perfeito espelho.
    • Configuração do ser como uma pura transparência.
    • Definição da virgindade como o estado de não ser mais alguma coisa.
    • Perda de Lúcifer motivada pela transformação de seu eu em um absoluto.
    • Contraponto com o processo pelo qual Deus se torna tudo em todos ao sair de si mesmo e se doar.
    • Transformação de Deus em pessoa na plenitude de Cristo por meio de seu derramamento.
    • Saída de Deus de sua solidão absoluta para se tornar o Si universal.
    • Aquisição dessa universalidade e transformação em pessoa pelo homem ao abolir o seu ser singular.
    • Identificação do homem com a totalidade do coração de Deus nesse estágio.
    • Definição do homem como o Verbo encarnado segundo a Sabedoria, representando a última manifestação da Divindade que se revela.
    • Ausência da Sabedoria de Boehme no princípio de individuação.
    • Manifestação da Sabedoria no abandono da vontade própria, enquanto o Verbo separador acentua a diferença entre os seres.
    • Tradução desse abandono pelo termo Gelassenheit, retomado por Boehme em eco aos místicos alemães do século XIV.
    • Associação da ideia de abandono à de temperamento, no sentido antigo de equilíbrio.
    • Sinonímia entre a palavra temperamento e a igualdade.
    • Definição da vida perfeita como aquela cujos aspectos são todos iguais porque nenhum busca prevalecer sobre o outro.
    • Perda desse temperamento por Lúcifer — considerado a primeira encarnação de Deus segundo a Sabedoria — devido à recusa em se abandonar.
    • Perda idêntica sofrida por Adão quando a Sabedoria se separou dele.
    • Exaltação da qualidade sensível dominante do desejo em detrimento das outras quando o homem exerce a sua vontade própria.
    • Exercício da vontade própria sempre direcionado a um desejo particular.
    • Definição de cada qualidade sensível como um desejo singular para Boehme.
    • Oposição entre o desejo de amor que desabrocha na Sabedoria e a vontade própria.
    • Fecundação das qualidades que frutificam no pleroma da natureza eterna por esse desejo de amor.
  • As qualidades exaltam-se mutuamente no pleroma em vez de se preferirem individualmente, fazendo com que os elementos associados cessem a rivalidade por passarem a desejar apenas o outro.
    • Fusão de cada termo na totalidade e alcance da plenitude por meio dessa abertura.
    • Realização da perfeita igualdade definida como a totalidade dos aspectos da vida reunida em cada um deles.
    • Sinonímia entre essa igualdade e a simultaneidade.
    • Fim da passagem de uma qualidade para outra segundo uma lógica de mais ou de menos.
    • Inclusão das formas futuras ou passadas em cada forma de ser devido à contenção da totalidade em cada uma delas.
    • Caráter imperecível da vida na Sabedoria decorrente da igualdade perfeita de todos os seus aspectos.
    • Ausência de submissão ao tempo.
    • Condição de acabamento em qualquer momento do devir terrestre.
    • Imortalidade de Adão enquanto possuía essa vida, ao menos na dimensão de seu corpo glorioso.
    • Transformação de Adão em mortal quando o seu corpo grosseiro prevaleceu.
    • Tendência de toda vida de se voltar para o seu centro a fim de se cumprir segundo a sua plena medida.
    • Identificação desse centro com o coração e com o verdadeiro fundo ou Grund.
    • Necessidade de que a vida recue em si mesma e se imobilize para alcançar esse centro.
    • Encontro da vida consigo mesma em outro nível ao se abandonar nesse centro.
    • Rebatismo e desdobramento da vida sublimada segundo uma verdadeira plenitude.
    • Distinção desse coração em relação àquele de onde procede a vida no nosso corpo mortal.
    • Ocultamento do coração verdadeiro em profundidade sob o coração mortal.
    • Definição dele como o verdadeiro coração do homem e seu lugar natural segundo a eleição, em uma intimidade inacessível sem introdução prévia.
    • Identificação dele também com o coração de Deus.
    • Transformação da criatura que se abre nesse lugar na totalidade do coração de Deus, que se define como a plenitude da esfera divina e não apenas como um ponto geométrico.
    • Encontro entre Deus e o homem nessa esfera, cada qual segundo o seu desejo de amor.
    • Personificação desse encontro pela Sabedoria que nela habita.
    • Aproximação do homem a Deus por meio da união com a Sabedoria nesse espaço bento que constitui o santuário da alma.
    • Exigência de que o homem morra para si mesmo para aceder a esse espaço.
    • Identificação da vontade própria que se renuncia com Marte desarmado por Vênus e tomando-a por esposa.
    • Representação da fúria guerreira por Marte.
    • Identificação de Marte com o fogo violento simbolizado na fase tenebrosa da natureza eterna.
    • Definição de Marte como o princípio de individuação que se exalta como vontade de potência na loucura de Lúcifer.
    • Identificação de Vênus com la doçura do homem que triunfa sobre a violência.
    • Sublimação da violência de Marte quando o seu fogo cessa.
    • Transformação da violência em uma verdadeira força e em virtude vivificante.
    • Identificação da verdadeira força unida à doçura com a vida eterna.
    • Posicionamento da verdadeira potência no óleo que alimenta a chama eternamente, e não no fogo que se enfurece.
    • Caracterização da Sabedoria como a esposa na pessoa do homem desperto para a verdadeira vida.
    • Ausência de identificação literal com a noiva do Cântico pelo fato de o esposo não ser Deus.
    • Representação de Deus na criatura exercida pela Sabedoria, mantendo a condição de esposa.
    • Identificação do esposo com o fogo da alma personificado como Feuer-Seele.
    • Atuação da Sabedoria como a esposa que transforma esse fogo em luz.
    • Condição dela simultaneamente como mãe e esposa.
    • Definição do fogo sublimado como seu filho e seu esposo.
    • Posição da alma como o esposo da Sabedoria sob o aspecto do fogo viril.
    • Exigência de uma transmutação para a consumação da união entre a alma e a Sabedoria.
    • Necessidade de transformação da alma para se tornar o santuário da Sabedoria.
    • Exigência de que a alma constitua o templo no qual entra a Virgem eterna para se unir a ela.
    • Transformação da alma na câmara nupcial onde as próprias núpcias se celebrarão, configurando o espaço sagrado do cumprimento espiritual.
    • União da alma renovada com a Sabedoria que não cessará de frutificar nela.
    • Condição da alma como a terra paradisíaca em que a árvore da vida se enraíza, sendo ela própria a árvore e o fruto.
    • Identificação dessa árvore da vida com a árvore da Sabedoria, conforme o crescimento espiritual.
    • Definição da nossa natureza nova — que constitui a nossa sobrenatureza — como esse crescimento que se concebe apenas fora do tempo, apesar da semelhança com um devir.
    • Caracterização do processo como um desabrochar incessante, à imagem do desejo de amor eternamente renovado e preenchido.
    • Perfeita união entre a Sabedoria e o Verbo na alma renovada.
    • Ausência de aparição do Verbo sob o aspecto da ira após essa união.
    • Afirmação de que Deus é unicamente o Deus de amor.
    • Presença da verdadeira unidade de Deus nessa união perfeita.
  • A unidade de Deus não corresponde à simplicidade abstrata do primeiríssimo começo, mas manifesta-se quando se encerra o projeto divino do qual a Sabedoria constitui a causa eficiente e a causa final.
    • Posicionamento no término dos dois capítulos dedicados à Sabedoria.
    • Questionamento sobre o significado essencial da Sabedoria na teosofia de Boehme.
    • Transformação da Sabedoria na chave de abóbada de todo o edifício após a primeira obra de Boehme intitulada A Aurora Nascente.
    • Questionamento sobre como resumir a função da Sabedoria.
    • Significado da Sabedoria como a permanência da transcendência divina através da odisseia do Espírito e do Verbo.
    • Presença da única transcendência na Aurora como aquela do Deus oculto que Boehme chama de Pai no início do ciclo septiforme.
    • Distinção desse Deus oculto frente a um símbolo de claridade primeira, sendo definido como um Deus tenebroso que consiste em um fogo devorador.
    • Concepção do Pai imaginado sem o Filho, assemelhando-se a uma sombria fenda.
    • Ausência de preexistência visível às trevas, levantando a questão do motivo pelo qual a luz brotará na noite.
    • Resposta tardia que aponta a Sabedoria como a causa ideal de toda a manifestação divina.
    • Personificação do projeto divino estabelecido anteriormente ao ciclo septiforme pela Sabedoria.
    • Presidência da Sabedoria na manifestação divina, sem que ela se aliene em nenhum grau durante o processo.
    • Personificação de um desígnio que se cumpre por parte da Sabedoria, atuando como a sua inteligência soberana e não como executora.
    • Ocultamento da Sabedoria e sua aparente prisão nas trevas, sem que estas jamais tenham poder sobre ela.
    • Comunicação da Sabedoria sob a veste da natureza geradora das trevas, mantendo-se perfeitamente pura.
    • Identificação de sua virgindade com a sua integridade.
    • Significado de que a Sabedoria não se confunde com a substância perfeita mesmo quando passa a habitá-la.
    • Identificação da pureza ou virgindade da Sabedoria com a sua transcendência.
    • Permanência da transcendência da Sabedoria mesmo quando a criatura a recebe em seu fundo.
    • União com a natureza perfeita realizada sem qualquer confusão.
    • Representação de Deus se manifestando na natureza sem jamais se confundir com ela, independentemente de sua perfeição.
  • A transcendência corresponde àquela de um Deus que se faz imanente, estabelecendo-se primeiramente em sua própria esfera antes da natureza eterna.
    • Imanência de Deus em relação à alma eterna que dele emana.
    • Presença de Deus na alma humana.
    • Personificação dessa imanência ou presença divina exercida pela Sabedoria, definida como a comunicabilidade de Deus.
    • Ausência de comunicação do Ungrund se fosse tomado apenas por si mesmo como o Absoluto.
    • Afirmação de que a pura Divindade não constitui sequer o Espírito na ausência da Sabedoria.
    • Aparição da Sabedoria no momento em que a Divindade se encontra em seu Verbo e em seu Espírito.
    • Representação por parte da Sabedoria dessa Divindade que se encontrou e que se transformou em Deus por esse fato.
    • Presença do pensamento único de se manifestar após a Divindade ter tomado posse de si mesma.
    • Identificação da Sabedoria com esse pensamento de Deus.
    • Atuação do Espírito e do Verbo como os atores da manifestação divina, permanecendo a Sabedoria como princípio e finalidade.
    • Caráter insaisissável do Espírito em si mesmo, definido como pura volatilidade.
    • Necessidade de fixação e encarnação do Espírito para se comunicar.
    • Caracterização da Sabedoria como a alma dessa encarnação.
    • Ausência de afetação da Sabedoria pelo drama que decorre desse processo.
    • Aparição do Espírito ora como fogo obscuro, ora como fogo claro, enquanto a Sabedoria permanece eternamente apenas como claridade.
    • Diversificação do Verbo segundo os planos que se sucedem, sendo primeiramente o Verbo eterno.
    • União do Verbo com a Sabedoria nessa altura.
    • Transformação posterior no Verbo emanado e depois no Verbo criado.
    • Encontro final com a transcendência e nova união do Verbo com a Sabedoria.
    • Acompanhamento das fases do devir por parte do Verbo, enquanto a Sabedoria eterna permanece imutável.
    • Caracterização da Sabedoria como a alma das transmutações, mantendo-se absolutamente idêntica a si mesma.
    • Ausência total na Sabedoria da ambiguidade do mercúrio, que se apresenta ora como veneno, ora como elixir.
    • Distinção da vida eterna da qual ela é fonte frente à vida que alterna com a morte.
    • Brotar dessa vida imperecível operado apenas além da morte, situando-se a transcendência nesse além.
    • Entrega da recompensa suprema por Sophia — a pérola ou a coroa do cavaleiro vencedor da morte — somente quando o fiel deixa realmente esta terra.
    • Entrada e estabelecimento da Sabedoria no santuário da alma desde a conversão.
    • Antecipação do além como traço próprio da experiência mística.
    • Constatação de que a própria Maria só se junta verdadeiramente à Sabedoria após deixar a sua morada terrestre, apesar de ter sido o seu trono em vida.
    • Impossibilidade de divisão da vida imperecível segundo uma alternância.
    • Testemunho dessa integridade dado pela virgindade da Sabedoria.
    • Configuração da virgindade como um símbolo de transcendência que significa a simplicidade do Deus transcendente.
    • Sinonímia entre simplicidade e plenitude, existindo em Boehme apenas a totalidade do dia.
    • Representação de uma plenitude pela virgindade da Sabedoria, manifestando-se apenas quando as trevas são totalmente suprimidas.
    • Caráter absolutamente exclusivo da pureza da virgindade de Sophia.
    • Presença da transcendência em seu reino sem partilha.
    • Recomendação de não ler Boehme buscando uma integração que somasse a luz e as trevas.
    • Recusa em ver Sophia como o monstro hermafrodita no qual os contrários se reuniriam.
    • Afirmação de que a totalidade representada por ela não consiste na reunião do dia e da noite.
    • Aparição da plenitude da Virgem eterna apenas quando a luz e as trevas estão definitivamente separadas.
    • Presença dessa separação como a finalidade do grande trabalho, cujo simbolismo Boehme transpõe para o nível da realização universal.
    • Inclusão da alternância entre a luz e as trevas no projeto divino personificado pela Sabedoria.
    • Permanência da Virgem eterna acima de qualquer vicissitude.
    • Inclusão da dualidade dos sexos no desígnio de Deus, assim como a falta da qual ela decorre.
    • Permanência da pureza da Sabedoria.
    • Ausência de gênero masculino ou feminino na Sabedoria em si mesma, embora seja apresentada como esposa ao se unir ao fogo viril da alma.
    • Comando do projeto divino exercido pela Sabedoria, representando a sua objectivação perfeita sem sofrer afetação por seu desenrolar.
    • Afirmação de Boehme de que nenhuma virgem mortal é pura, referindo-se a Maria mãe de Cristo.
    • Significado de que nenhuma criatura mortal é verdadeiramente virgem.
    • Ausência de virgindade na mulher segundo a condição terrestre e ausência de pureza no homem nos limites da vida terrena.
    • Posicionamento da verdadeira virgindade além da morte.
    • Concepção de Maria como um de nós, tornando-se virgem apenas no momento em que, abençoada pelo anjo, se apresenta como Maria cheia de graça.
  • O tempo do segundo nascimento anuncia-se pela primeira vez em uma criatura humana quando a voz do anjo penetra no ventre de Maria, onde a Sabedoria estabelece o seu trono.
    • Distinção do ventre bento de Maria em relação ao seu ventre de mulher mortal.
    • Definição desse ventre como um céu que se abre em seu fundo enquanto ela ainda se encontra na terra.
    • Representação de um além segundo o seu lugar próprio, definido como um estado do Ser, apesar de sua imanência com o corpo terrestre.
    • Exigência de uma passagem que implica ruptura total de nível para alcançar esse além.
    • Localização do céu interior habitado pela Sabedoria dentro dos limites do corpo grosseiro.
    • Distinção absoluta entre esse céu e a carne mortal.
    • Transcendência da Sabedoria em relação à substância desse céu que ela habita.
    • Permanência da transcendência da Sabedoria face à preciosa substância na qual se envolve para se comunicar e que constitui o seu corpo.
    • União com esse corpo realizada sem confusão, assemelhando-se à relação entre a alma e o corpo.
    • Ausência de confusão entre a Sabedoria e a natureza perfeita da qual é a alma.
    • Reconhecimento de que o linguajar de Boehme às vezes faz esquecer essa distinção.
    • Aparente identificação do corpo manifesto no término da natureza eterna com la Sabedoria que nele irradia.
    • Caráter apenas aparente dessa identidade, visto que Boehme sublinha a diferença entre Sophia e o corpo precioso de que se reveste.
    • Afirmação de que a substância ou Wesen nada seria por si mesma.
    • Representação da Sabedoria pela luz, sendo a Sabedoria a alma da luz.
    • Condição da luz, mesmo divina, apenas como o corpo da Sabedoria.
    • Relatividade das noções de corpo e espírito.
    • Identificação da Sabedoria como o corpo de Deus.
    • Identificação da luz como o corpo da Sabedoria.
    • Condição da Sabedoria apenas como um corpo em relação a Deus.
    • Condição dela como espírito em relação à luz.
    • Definição de todo espírito como um corpo em relação a outro espírito ao qual está subordinado e que manifesta.
    • Condição desse mesmo corpo como espírito para outro corpo que ele comanda e que o manifesta.
    • Posição da Sabedoria como um corpo em relação a Deus, mas com caráter transcendente face a outro corpo do qual é o espírito e que tem a luz por substância.
    • Permanência da Sabedoria como o corpo de Deus, atuando contudo como o espírito das obras divinas que ela anima.
    • Aparição dessas obras como o seu próprio corpo quando atingem a perfeição última.
    • Objectivação das obras em um corpo de luz que constitui o corpo da Sabedoria.
    • Posição da Sabedoria como Deus em relação a esse corpo.
    • Definição da Sabedoria como o duplo de Deus.
    • Caracterização dela como Deus na medida em que a Divindade se oferece ao nosso conhecimento e conhece a si mesma.
    • Identificação da Sabedoria com a plenitude da gnose.
    • Afirmação de que só existe gnose na Sabedoria, apesar de toda a sua humildade.
    • Perda de Lúcifer motivada pelo desprezo a ela.
    • Impossibilidade de apreender o Infinito sem essa preciosa mediadora.
    • Representação de um Deus situado entre o Absoluto e nós por meio da Sabedoria.
    • Permanência da transcendência desse Deus, sendo contudo conhecido e conhecendo a si mesmo por suas obras manifestadas em nós.
    • Definição da Sabedoria como a Face conhecida de Deus.
    • Ausência de rosto no Deus desconhecido.
    • Configuração da Sabedoria como a única Face de Deus.
    • Identificação dela com a Face de Deus que Moisés não podia ver, mas que se revela à humanidade renovada.
    • Inacessibilidade da Face para aqueles que não são por ela habitados.
    • Condição desses indivíduos como contemporâneos de Moisés, mesmo tendo nascido após Cristo na cronologia histórica.
    • União da Sabedoria com os fiéis que alcançaram a consumação do tempo nos limites de suas existências singulares.
    • Fim da história do mundo para essas almas, situando-se no além.
    • Caráter luminoso e doce da transcendência para esses justos, sendo sinônimo de bem-aventurança.
    • Redução da transcendência ao terror para os demais indivíduos.
    • Vivência da transcendência apenas como o temor das penas eternas.
    • Vivência dela como o inferno por parte das almas que a Sabedoria ainda não habita.
    • Transformação do Deus que habita uma luz inacessível em Emmanuel — Deus conosco — para as almas unidas à Sabedoria.
    • Realização dessa união desde o estado terreno.
    • Condição do fiel como ressuscitado mesmo sem ter morrido.
    • Fruição das alegrias celestes mesmo vivendo no corpo perecível.
    • Viabilidade do processo decorrente da separação absoluta entre os dois estados do seu ser, um obscuro e outro luminoso.
    • Presença da transcendência nessa separação.
    • Habitação da Sabedoria no homem restrita à sua pessoa transcendente, desvinculada da individualidade tenebrosa.
    • Transformação de Deus em uma pessoa verdadeira nesse lugar privilegiado.
    • Condição de Deus como pessoa em Cristo, sendo Cristo todos os fiéis cuja fé se encarnou segundo a Sabedoria.
    • Transformação de cada um deles no templo de Deus habitado pela Sabedoria em sua carne celeste.
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