Últimos serão primeiros
Logia Jesus (Mt 19,30; Mt 20,16; Mc 10,28; Lc 13,30)
Marcos, el Asceta: A PROPÓSITO DE AQUELLOS QUE CREEN ESTAR JUSTIFICADOS POR SUS OBRAS LA SOBERBIA
Quando ouvires que os últimos serão os primeiros e os primeiros, os últimos (Mt 20,16), entenda isso como uma referência àqueles que participam das virtudes e àqueles que participam do amor. O amor ocupa o último lugar entre as virtudes, mas torna-se o primeiro por seu valor e deixa em último lugar as virtudes que o precederam.
René Guénon: APRECIAÇÕES SOBRE O ESOTERISMO ISLÂMICO E O TAOISMO
«Pobreza», «simplicidade», «infância» ou «juventude», não há ali senão uma única e mesma coisa, e o despojo que todos esses termos expressam (NA: é o «despojo dos metais» no simbolismo maçônico) conduz a uma «extinção» que é, na realidade, a plenitude do ser, da mesma forma que o “não-agir” (wou-wei) é a plenitude da atividade, uma vez que é daí que derivam todas as atividades particulares: “O Princípio é sempre não-atuante, e, no entanto, tudo é feito por Ele” (Tao-te-King, XXXVII.). O ser que assim chegou ao ponto central realizou, por si mesmo, a integralidade do estado humano: É o “homem verdadeiro” (tchenn-jen) do taoísmo, e quando, partindo desse ponto para se elevar aos estados superiores, tiver cumprido a totalização perfeita de suas possibilidades, tornar-se-á o “homem Divino” (cheun-jen), que é o “Homem Universal” (El-Insâmul-Kâmil) do esoterismo muçulmano. Assim, pode-se dizer que são os “ricos” do ponto de vista da manifestação que são verdadeiramente “pobres” no que diz respeito ao Princípio, e inversamente; é o que expressa também muito claramente esta palavra do Evangelho: “Os últimos serão os primeiros, e os primeiros os últimos” (Mt 20,16); e devemos constatar a esse respeito, mais uma vez, a perfeita concordância de todas as doutrinas Tradicionais, que não são mais do que as diversas expressões da Verdade única.
Frithjof Schuon: Christianisme/Islam
“Os últimos serão os primeiros, e os primeiros últimos”: esta fórmula resume uma ordem particular de possibilidades, em conexão com a inversão de relações que teve lugar, paralelamente à analogia direta, entre o princípio divino e sua projeção cósmica.
