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SIMBOLISMO
LÉVY, Benny. Le Logos et la lettre: Philon d’Alexandrie en regard des pharisiens. Lagrasse: Verdier, 1988.
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O Evangelho segundo Thomas apresenta a visão de que as mulheres não são dignas da vida e que Maria deve ser transformada em elemento masculino para entrar no Reino dos Céus.
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Simon Pierre afirma que Maria deve sair do meio deles por ser mulher.
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Jesus declara que atrairá Maria para torná-la macho, transformando-a em um espírito semelhante aos demais homens.
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A entrada no Reino dos Céus é condicionada à transformação de toda mulher em macho.
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A citação provém do Logion 114 do Evangelho de Thomas, na obra de H. C. Puech publicada pela Gallimard em 1978.
A análise do tratado De opificio revela a dificuldade de Philon em conciliar a noção de lugar com o mundo ideal.-
Philon afirma que não é permitido supor ou dizer que o mundo constituído pelas ideias se localiza em um lugar determinado.
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A referência bibliográfica indica o parágrafo 17 da mencionada obra.
A rejeição ao conceito tradicional de lugar decorre de sua proximidade com a ideia de um espaço ou posicionamento exterior.-
O projeto de uma cidade idealizado na mente de um arquiteto não se posiciona em nenhuma localização externa.
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A nota bibliográfica remete ao parágrafo 20 da mesma obra.
A argumentação philoniana redireciona a localização do mundo inteligível para o âmbito do Logos divino.-
O mundo das ideias não possui outro lugar possível senão o próprio Logos divino.
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O parágrafo 20 da obra repete essa fundamentação locativa.
A necessidade de abrigar as ideias exige a concepção de uma receptividade adequada para acolher a semente de origem divina.-
Philon questiona qual outro lugar seria capaz de receber e alojar uma única ideia pura que fosse, senão as próprias potências de Deus.
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A indicação bibliográfica refere-se ao mesmo parágrafo da obra anterior.
A doutrina esotérica do filósofo fundamenta-se na ideia de uma receptividade essencial expressa de maneira alegórica.-
R. Laporte, na obra sobre a doutrina eucarística de Philon de Alexandria de 1972, aponta que as alegorias da fecundação divina da virtude com Sarah, Rachel, Léa e Anna estão no centro desse ensinamento.
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A história da esposa de Jacob sugere aos iniciados que a alteridade dela em relação ao criado estabelece uma semelhança com Deus.
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Essa figura feminina recebe as sementes da Sabedoria para gerar e dar à luz concepções do pensamento dignas do Pai.
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A referência do texto provém do tratado Posteridade, parágrafo 135.
A figura de Eva representa a origem da vida culpada e o obscurecimento da semelhança divina original.A restauração da semelhança divina exige uma transformação radical da condição feminina.-
A modificação requerida ultrapassa o distanciamento das paixões e atinge a superação da fronteira entre o mortal e o imortal.
O desfazimento do lugar matricial que obstrui a passagem é realizado por meio de uma intervenção do princípio masculino.-
A abolição desse espaço ocorre por um golpe de espada ou de chifre desferido pelo Logos.
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O carneiro possui parentesco com o Logos por sua condição de macho e por sua característica ativa.
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A fundamentação provém da obra Questões sobre a Gênese, livro três, parágrafo quatro.
A reparação da figura de Eva necessita de uma mulher totalmente isenta de vínculos com a linhagem feminina ancestral ou descendente.-
Sarah representa essa soberana que não possui mãe e que não assume a condição de progenitora biológica.
A identidade de Sarah vincula-se exclusivamente à linhagem dos homens por ser um princípio sem mãe gerado apenas por Deus.-
O texto bíblico da Gênese afirma que ela é irmã por parte de pai, mas não por parte de mãe.
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A citação é referenciada no tratado Herdeiro, parágrafo 62.
A alma virtuosa e livre identifica-se com essa figura que perdeu a forma de mulher e extinguiu todas as paixões.A união mística e a aproximação com o divino são acessíveis apenas a essa alma purificada.-
O mistério exige o afastamento ou o silêncio dos indivíduos supersticiosos.
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O tratado Querubins, parágrafo 42, serve de fonte para a afirmação.
O conhecimento de Sarah pressupõe uma purificação prévia daquele que se torna seu filho.A aproximação de Abraham com a Sabedoria não visa a procriação carnal nos moldes de um matrimônio mortal.-
As virtudes possuem uma descendência numerosa e perfeita que não pode ser destinada a um marido mortal.
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A referência provém igualmente do parágrafo 42 do tratado Querubins.
O relacionamento com a Sabedoria ou a Virtude opera-se por um processo distinto da fecundidade corpórea.-
A esterilidade de Sarah limpa e purifica o terreno para receber a intervenção de uma semente divina.
A introdução das sementes do bem na alma decorre da ação direta do criador não gerado.-
Deus é identificado como o pai de tudo o que existe e o responsável por semear a virtude.
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A citação é extraída do parágrafo 44 da mesma obra.
A doação da semente divina para a alma virtuosa constitui o núcleo da receptividade essencial.A abertura da matriz de Sarah e de Léa recebe uma interpretação exegética baseada no texto da Gênese.-
A exegese philoniana fundamenta-se no versículo de Gênese 21:1.
A relação mística estabelece Deus como o esposo da Sabedoria e Abraham como seu amante.O criador realiza a semeadura em uma terra considerada virgem e de qualidade superior.A transição do conceito de virgem para o de virgindade evita as paixões associadas à forma feminina e conduz à Idée imutável.-
A alma virgem pode sofrer a vergonha quando corrompida por paixões imoderadas.
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A virgindade assemelha-se à Ideia que permanece sempre igual e idêntica a si mesma.
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As notas remetem aos parágrafos 51 e 52 do tratado Querubins.
A semente mística representa as próprias ideias das virtudes imortais e virgens.-
O parágrafo 52 da mesma obra valida a definição da semente.
O encontro inteligível ocorre por meio da introdução dessas ideias na virgindade essencial da alma.A substituição de Abraham por Deus no ato místico resulta na geração de um filho cujo destino é redirecionado.O fruto dessa relação mística retorna para o amante mortal por causa da autossuficiência do criador.-
Deus não produz nada para si mesmo por não possuir necessidade de coisa alguma.
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O parágrafo 44 do tratado Querubins sustenta a ausência de necessidade divina.
A criatura necessita do outro para existir, enquanto o criador prescinde de qualquer alteridade.O amante recebe a criança gerada das mãos da divindade que atuou como esposo.A união mística também se manifesta na oferta da virgem ao Logos na condição de grande sacerdote.-
O grande sacerdote é descrito como intacto e casado com uma virgem que nunca se transforma em mulher.
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O comércio espiritual com o esposo interrompe o fluxo menstrual da mulher, conforme referências a Levítico e Gênese.
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A passagem encontra-se no tratado Sobre os Sonhos, livro dois, parágrafo 185.
A noção estoica de logos seminal explica a dinâmica das ações corretas na alma submetida à provação.-
O enfraquecimento do raciocínio correto provoca o definhamento da alma e a perda do germe gerador das boas ações.
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A citação provém do tratado Alegorias das Leis, livro três, parágrafo 150, com paralelo no tratado Herdeiro.
A proximidade conceitual gera uma indistinção entre o Logos e a Sabedoria como receptores e instrumentos divinos.-
No tratado Sobre a Fuga, a Sabedoria e o Logos são definidos como instrumentos da criação do mundo.
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Indicações paralelas são encontradas nos tratados Sobre a Sobriedade, Querubins, Sobre os Sacrifícios e Leis Especiais.
A articulação entre Deus, Logos e Sabedoria reconstitui uma cadeia de transmissão da potência divina sem contato direto com a matéria.A dinâmica interna da sainte Família estabelece o Logos como filho e a Sabedoria na condição de mãe.-
O Logos possui como pai a divindade e como mãe a Sabedoria, por meio da qual o universo foi originado.
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A fonte dessa definição está no tratado Sobre a Fuga, parágrafo 109.
O processo de emanação mística engloba simultaneamente o surgimento do mundo sensível como réplica do inteligível.A cosmogonia philoniana define o criador como pai do universo e a ciência do criador como a mãe da obra.-
A união divina com a ciência ocorre de modo distinto das relações humanas.
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A recepção da semente divina resulta, após as dores de parto, no nascimento do filho único e sensível que é o universo.
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O texto corresponde ao tratado Sobre a Sobriedade, parágrafo 30.
Os papéis simbólicos sofrem permutas constantes onde o Logos atua como Pai e Filho, e a Sabedoria como Mãe e Filha.O ponto de reversão da semelhança localiza-se na figura de Sarah por sua ascendência exclusivamente paterna.-
O texto reafirma a condição de Sarah como irmã por parte de pai e não de mãe, com base em Gênese e no tratado Sobre a Sobriedade, parágrafo 61.
A Sabedoria assume a condição de filha do pai, assemelhando-se à caracterização dada a Bathouel.-
A nota etimológica adotada indica Bathouel como filha de Dieu.
A aproximação entre as figuras de Sarah e Bathouel expressa significados específicos na ordem simbólica.A localização de Bathouel na Mésopotamie simboliza um ponto de abrigo em meio ao fluxo da vida sensível.A oposição geográfica coloca Sarah como originária do Alto e Bathouel como uma figura que ascende do Baixo.A convergência de ambas as trajetórias explicita a necessidade de a virtude humana transitar pela terra e alcançar o ambiente celeste.-
A permanência no céu assegura a saciedade da incorruptibilidade e a preservação intacta da virtude.
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O fundamento encontra-se no tratado Herdeiro, parágrafo 35.
O vínculo entre a Potência e a virtude desenvolve-se na transição da condição de Mãe para a de filha.-
O processo de geração da filha pelo Pai preserva a divindade de tocar no elemento feminino ou de criar a matéria de forma explícita.
b. O sexo
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A alternância de símbolos revela uma estrutura rigorosa por trás da aparente confusão apontada por comentadores.
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A restauração da semelhança divina baseia-se na correspondência mística entre o tornar-se macho, a virgindade e a unidade.
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O Logos anuncia essa restauração por meio de uma intervenção que corta o órgão responsável pela geração.
A purificação da alma exige o afastamento dos componentes femininos ligados à percepção sensorial.-
No processo de lavagem dos pecados, o intelecto deve guiar como um pai, misturando apenas elementos masculinos.
A separação drástica imposta pelo Logos possibilita o progresso através da virilização dos sentidos.O desenvolvimento espiritual impede o enfraquecimento dos pensamentos masculinos e promove a transformação do gênero feminino.-
Os sentidos, identificados com o feminino, tornam-se viris ao seguir as diretrizes dos pensamentos masculinos.
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O tratado Questões sobre a Gênese, livro dois, parágrafo 49, serve de referência.
A transformação masculina atinge sua plenitude na figura de Sara como representação da virtude soberana.-
A virtude, embora possua posição externa de mulher, tem natureza masculina e semeia pensamentos benéficos e discursos sábios.
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A fundamentação encontra-se no tratado Sobre Abraham, parágrafos 101 e 102.
A identidade dessa figura feminina virilizada confunde-se com a condição da própria virgindade.O ato de dar à luz ocorre somente quando a mulher retorna ao estado original de virgem.-
O processo de semear e parir na virgindade consolida a semelhança divina através do retorno à unidade.
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A referência bibliográfica indica o tratado Posteridade, parágrafo 134.
O desvio inicial de Adam em direção à dualidade ocorreu sob a influência da mãe dos mortos e pelo consumo do fruto proibido.-
O toque na árvore de dois ramos resultou na introdução da morte para o primeiro homem.
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O tratado Sobre os Sonhos, livro dois, parágrafo 70, registra o evento.
A imagem da árvore com ramificação dupla remete simbolicamente aos órgãos geradores descritos no texto bíblico.-
A menção baseia-se no livro do Deuteronômio, capítulo 25, versículos 11 e 12.
A instrução espiritual prescreve a amputação da faculdade que se vincula ao processo procriativo do mundo criado.-
A alma obediente deve extirpar sua própria potência quando esta tenta se apossar do mecanismo de procriação ou das atividades humanas.
A remoção da mão feminina que segura as glândulas geradoras simboliza a rejeição das estruturas ligadas ao nascimento.-
A ablação deve atingir todos os pensamentos ímpios que encontram fundamento no universo da geração biológica.
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O tratado Leis Especiais, livro três, parágrafo 179, fornece a fundamentação para a amputação simbólica.
A restauração do respeito à monade permite expressar a organização do universo por meio da ciência dos números.O dualismo numérico estabelece a unidade como imagem da Causa primeira e a dualidade como representação da matéria passiva.-
Priorizar o número dois em detrimento do número um significa valorizar a matéria acima da divindade.
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A legislação divina determina a exclusão dessa tendência da alma da mesma forma que se corta uma mão.
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A regra provém do parágrafo 180 do terceiro livro das Leis Especiais.
A organização simbólica manifesta-se também na tensão e na elevação associadas ao número sete.Na dimensão literal e sensível, o sete corresponde à porção irracional e feminina da alma, vinculada aos sentidos e ao sangue.A genealogia de Damascus exemplifica a vinculação da alma irracional à linhagem materna, sem participação do princípio masculino.-
A origem do nome Masek demonstra que a alma de sangue se liga à espécie feminina.
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A passagem está localizada no tratado Herdeiro, parágrafo 61.
A verdadeira vida inicia-se com a transformação da natureza do sete por meio da intervenção do Logos.A elevação do número sete altera sua condição para um estado de força e autoridade viris.-
O sete é descrito como o número mais viril, dotado para o exercício do poder.
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O segundo livro das Leis Especiais, parágrafo 56, atesta essa qualidade.
A tensão do sept orienta a trajetória ascendente rumo ao estado unificado e livre de mãe.-
O componente feminino transforma-se na hebdomade sagrada, gerada diretamente pelo pai sem o concurso do sexo ou da procriação tradicional.
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As obras Sobre a Vida de Moises e Sobre o Decálogo guardam relação com essa exposição.
A interpretação philoniana sobre o relato da criação em Gênese associa o sétimo dia ao momento inicial da criação.-
O texto de Gênese 2:4 menciona a criação do céu e da terra no dia em que foram feitos.
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Philon deduz que a criação ocorreu no primeiro dia, fazendo com que o sétimo dia seja reconduzido à monade original.
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O tratado Posteridade, parágrafo 65, valida essa dedução.
A ascensão alegórica elimina a escuridão provocada pela diferença e pela desigualdade inerentes à díade.-
A desigualdade, caracterizada pelas diferenças para mais e para menos, constitui a fonte da obscuridade.
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O parágrafo 231 do quarto livro das Leis Especiais define o conceito de desigualdade.
A perspectiva ascendente da alegoria posiciona Adam em uma condição isenta de marcação de gênero masculino ou feminino.O alcance do topo do conhecimento permite realizar o movimento inverso de descida por meio da reflexão filosófica.A manifestação da natureza no sentido descendente inicia-se com a extensão da Potência e com o ato de divisão.O texto bíblico indica a ação oculta de Deus na partilha e na separação das realidades corporais e imateriais.-
A Escritura menciona a divisão pelo meio sem especificar o agente, indicando a atuação do Deus invisível.
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O Logos atua como o divisor universal que organiza a série harmoniosa do universo.
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O tratado Herdeiro, parágrafo 130, expõe o conceito do Logos divisor.
A atuação do Logos como princípio de corte revela uma diferenciação baseada na lei da igualdade.-
A igualdade determinou a divisão do ser humano em homem e mulher, porções distintas em força, mas equivalentes no objetivo de criar um novo ser semelhante.
A criação de Adam no sentido descendente engloba simultaneamente as dimensões masculina e feminina.-
O relato de Gênese 1:27 adota o plural para indicar a passagem do gênero para as espécies divididas pela igualdade.
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O parágrafo 164 do tratado Herdeiro serve de base para essa interpretação da igualdade.
A hebdomade sagrada atua como elemento de mediação para consumar a perfeição do arranjo entre masculino e feminino.A estrutura do candelabro sagrado serve de imagem para ilustrar a ordenação e a separação das tríades.-
O instrumento é composto por seis ramos laterais e um sétimo ramo central que estabelece a divisão.
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O parágrafo 216 da mesma obra detalha a simbologia do candelabro.
A iluminação trazida pelo sétimo dia manifesta o significado e a perfeição da obra realizada nos seis dias anteriores.A perfeição do universo exigiu a sua modelagem com base em propriedades numéricas específicas.-
O mundo foi ajustado ao número seis por ser considerado um número perfeito.
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A presença de gerações baseadas no acasalamento exigiu a forma de um número misto, o par—ímpar, que contém as funções de emissão e recepção de sementes.
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O tratado De opificio, parágrafo 14, fundamenta as razões matemáticas da criação.
A variação da perspectiva determina a dupla definição de Adam conforme o sentido do percurso interpretativo.-
No trajeto do baixo para o alto, Adam não se define como masculino nem como feminino.
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No trajeto do alto para o baixo, Adam assume a dupla condição de masculino e feminino.
A operação divisora e unificadora é realizada exclusivamente por intermédio das duas funções do Logos.-
O Logos atua tanto na condição de princípio de ataque quanto na função de instrumento de corte.
O campo filosófico—simbólico constitui-se a partir do traçado gerado por essa dupla operação do Logos.-
O Logos estabelece a unidade ao mesmo tempo em que realiza a divisão e a partilha pelo meio.
A extensão e a consolidação dessa estrutura dependem do processo de elevação do elemento feminino.A força do Logos garante tanto a fixação da unidade quanto a sustentação da dimensão feminina elevada.O traço unificado desenha o percurso da criatura em direção à unidade essencial.A natureza do Logos apresenta-se como androgyne, contendo ambos os sexos ou não possuindo nenhum deles.-
Luc Brisson, em estudo de 1986 sobre a bissexualidade na antiguidade, afirma que possuir ambos os sexos equivale a não ter nenhum.
A organização da sainte Família é determinada pela elevação do feminino, impedindo a definição das relações diretas entre as figuras familiares.A comparação com a mitologia grega evoca a ideia de divisão primordial expressa por meio do conceito de castração.-
Damascius aponta Kronos como um deus separador que se desvincula de Ouranos e de Zeus.
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A divisão expressa a noção de transcendência por meio dos mitos de castração.
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A referência bibliográfica remete à obra de Damascius.
A alegoria philoniana diferencia-se do mito ao incluir de forma clara o elemento feminino no processo de corte.O ato de corte atinge tanto as estruturas geradoras masculinas do mito quanto a matriz da figura feminina na narrativa bíblica.O Logos e a determinação do sexo compartilham o mesmo princípio de separação e divisão originária.-
A etimologia da palavra sexo aponta para a raiz latina ligada ao ato de cortar e separar.
A exegese que parte do plano sensível deixa a receptividade feminina em uma condição de indeterminação.-
O tratado Sobre os Prêmios, parágrafo 36, afirma que a natureza sensível possui caráter indefinido.
A transferência dessa indeterminação para os planos elevados ocorre quando a receptividade feminina se converte em alma.A alma projeta a visão da divindade como um objeto que se situa além do alcance de sua própria capacidade de apreensão.-
O sábio busca um objetivo de difícil captura, que se retira e mantém uma distância infinita dos perseguidores.
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O tratado Posteridade, parágrafo 18, serve de fonte para a descrição da busca da alma.
A busca pelo Ser estimula o desejo de ultrapassar as fronteiras do universo físico em direção ao incriado.-
Aqueles que buscam a visão do Ser recebem asas para ir além dos confins do éter e dos limites do universo.
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Parágrafos dos tratados Sobre o Plantio, Sobre a Sobriedade e Sobre Abraham confirmam essa orientação.
A ausência de limites da divindade e de suas potências associa-se ao impulso da alma de romper as barreiras do mundo sensível.-
O tratado Sobre os Sacrifícios, parágrafo 59, define Deus e suas potências como sem limites.
A infinitude divina assume o caráter de uma negação do finito, aproximando-se da distinção cartesiana sobre o indefinido.-
René Descartes trata desse tema na terceira de suas Meditações.
A percepção do Infinito manifesta-se no reconhecimento do próprio nada em contraposição à elevação da bondade divina.-
A afirmação sobre a medição do próprio nada encontra-se no tratado Herdeiro, parágrafo 29, com paralelos em outros tratados.
O percurso da alma caracteriza-se pela oscilação constante entre a elevação teórica e a humildade de caráter místico.A valorização e a compreensão da excelência do mundo criado permanecem desprovidas de formulação direta nesse sistema.A restauração desse aspecto impensado exige o retorno à receptividade feminina e ao lugar como caminhos para alcançar o Infinito.-
Emmanuel Lévinas aponta a necessidade de reencontrar o sentido da inclusão sob a negação presente na ideia de Infinito.
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A indicação bibliográfica refere-se à obra De Deus que vem à ideia, publicada em 1982.
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