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DOS QUERUBINS

The Works of Philo Judaeus of Alexandria. A contemporary of Jesus, Paul and Josephus. English translation by C. D. Yonge, 1894.

RESUMO

  • A expulsão de Adão e o Banimento Eterno da Iniquidade
    • A diferença entre a expressão “Lançou fora” e “Enviou para fora” utilizada por Moisés em relação a Adão e o Paraíso da Felicidade:
      • “Enviou para fora” não impede o retorno em tempo posterior ao virtude.
      • “Lançou fora” implica um banimento eterno, aplicável a quem está “completamente e violentamente tomado prisioneiro pela iniquidade”.
      • Aquele que não está totalmente aprisionado pela maldade tem a concessão de arrepender-se e voltar para a virtude, sua grande pátria.
      • Aquele que está oprimido por uma doença violenta e incurável deve suportar seu infortúnio para sempre, sendo lançado inalteravelmente para o lugar dos perversos, para suportar miséria total e eterna.
    • A expulsão de Agar, símbolo da instrução média enciclopédica, em contraste com Sarai/Sarah, símbolo da virtude predominante:
      • Primeira saída de Agar de Sarah: retorno possível, pois não foi banida pela senhora, mas fugiu, e retornou à casa do seu senhor após ser encontrada por um anjo, conforme a leitura das escrituras sagradas.
      • Segunda saída de Agar: é totalmente lançada fora e nunca mais será trazida de volta.
  • As Causas da Primeira Fuga e do Segundo Banimento Perpétuo de Agar em Relação às Mudanças de Nomes de Abraão e Sarah
    • O período anterior à mudança de nomes:
      • O nome do homem ainda era Abram, que se interpreta como pai sublime, deleitando-se com a filosofia elevada que investiga os eventos que ocorrem no ar e a natureza sublime dos seres que existem no céu, que a ciência matemática reivindica para si como a parte mais excelente da filosofia natural.
      • O nome da mulher ainda era Sarai, símbolo de minha autoridade, sendo classificada entre as coisas particulares e em espécies (como a prudência, a temperança, a coragem, a justiça que estão em mim), e essas virtudes particulares são perecíveis porque o lugar que as recebe, “isto é, eu, também sou perecível.”
      • Neste período, Agar (instrução enciclopédica média), “mesmo que se esforce para escapar da vida austera e severa dos amantes da virtude, voltará novamente a ela”, pois o homem ainda não é capaz de receber as excelências genéricas e imperecíveis da virtude, “mas pode apenas tocar as virtudes particulares, e tais como são faladas em espécie”, nas quais basta atingir a mediocridade em vez da perfeição extrema.
    • O período posterior à mudança de nomes:
      • Quando Abram, em vez de um inquiridor da filosofia natural, torna-se um homem sábio e um amante de Deus, tendo seu nome mudado para Abraão, que interpretado significa o grande pai de sons (pois a linguagem quando proferida soa, e o pai da linguagem é a mente que atingiu o que é virtuoso).
      • Quando Sarai teve seu nome também mudado para Sarah, cujo significado é princesa, e “esta mudança é equivalente a se tornar virtude genérica e imperecível, em vez de virtude especial e perecível”.
      • Então surgirá o gênero da felicidade, isto é, Isaque, que “quando todos os Afetos femininos tenham cessado, e quando a paixão da alegria e do bom humor estiverem mortas, perseguirá avidamente, não diversões infantis, mas objetos divinos”.
      • As ramificações elementares de instrução que levam o nome de Agar serão lançadas fora, e seu filho sofístico, Ismael, também será lançado fora.
    • O banimento eterno confirmado por Deus e por Sarah:
      • Deus confirma a expulsão ao ordenar que o homem sábio obedeça à palavra proferida por Sarah, que o incita expressamente a “lançar fora a serva e seu filho”.
      • É bom ser guiado pela virtude, especialmente quando ensina que “as naturezas mais perfeitas são muito diferentes dos hábitos medíocres, e que a sabedoria é uma coisa totalmente diferente da sofística”.
      • A sofística “trabalha para inventar o que é persuasivo para o estabelecimento de uma falsa opinião, que é perniciosa para a alma”, mas a sabedoria, “com longa meditação sobre a verdade pelo conhecimento da reta razão, traz real vantagem para o intelecto”.
      • A expulsão única de Adão por Deus, “isto é, a mente fora do distrito das virtudes, depois de ter contraído a insensatez, aquela doença incurável”, e a proibição de retorno, assemelham-se à expulsão e banimento do sofista e da mãe dos sofistas (Agar, o ensino da instrução elementar) da sabedoria e do homem sábio (Abraão e Sarah). ## O Significado Figurado da Espada Flamejante e dos Querubins
  • O uso da expressão “Em frente” e suas conotações (resistência, julgamento e familiaridade/conexão):
    • A expressão “Em frente” é usada em parte para transmitir a ideia de um inimigo que resiste, em parte como apropriada à noção de julgamento (como uma pessoa cuja causa está sendo decidida aparece em frente ao seu juiz), e em parte também em um sentido amigável (para que possam ser percebidos e considerados em conexão mais estreita por meio da visão mais acurada obtida), “assim como quadros arquetípicos e estátuas são colocados em frente a pintores e estatuários”.
    • Exemplo de Inimigo em Frente (Caim):
      • Moisés narra que Caim “saiu da face de Deus, e habitou na terra de Node, em frente ao Éden.”
      • Node (interpretado) significa comoção, e Éden significa deleite.
      • Node é símbolo da maldade que agita a alma, e Éden é símbolo da virtude que cria um estado de tranquilidade e felicidade para a alma, não significando a felicidade o “luxo efeminado que é derivado da indulgência da paixão irracional do prazer, mas uma alegria livre de labuta e livre de dificuldades, que é desfrutada com grande tranquilidade”.
      • O afastamento da mente de qualquer imaginação de Deus (por meio da qual seria bom ser sustentada) leva à agitação em todas as direções, “tendo a perturbação como se fosse sua pátria e seu lar, uma coisa que é o mais contrário de todas as coisas à firmeza da alma, que é gerada pela alegria, que é um termo sinônimo de Éden”.
    • Exemplo de Oposição de Lugar para Julgamento (A Mulher Suspeita de Adultério):
      • Oposição de lugar relacionada a “ficar em frente a um juiz para julgamento” é exemplificada na mulher suspeita de adultério: Moisés diz: “o sacerdote fará a mulher ficar em frente ao seu senhor, e ela descobrirá a cabeça”.
      • O discernimento da intenção oculta (sã e saudável ou contaminada) da mente invisível, que é notória apenas para Deus e não para a criatura, é o motivo da exigência.
      • Moisés diz que “todas as coisas secretas são conhecidas pelo Senhor Deus, mas apenas aquelas que são manifestas são conhecidas pela criatura”.
      • A razão (o sacerdote e o profeta) é exortada a “colocar a alma em frente a Deus, com a cabeça Descoberta”, expondo o desígnio principal e os sentimentos nutridos, para que o Deus incorruptível a examine de todos os seus disfarces ocultos.
      • “Isto, então, e o significado de ir para em frente ao seu juiz, quando levado a julgamento.”
    • Exemplo de Conexão ou Familiaridade (Abraão):
      • O caso de ir em frente a alguém com um significado de conexão ou familiaridade é ilustrado pelo exemplo de Abraão, que era todo sábio: Moisés diz: “Porque, ele ainda estava parado em frente a Deus”.
      • A prova de sua familiaridade está na expressão de que “ele se aproximou de Deus, e falou”.
      • “Ficar parado, e ter uma mente inalterável aproxima-se muito do poder de Deus, visto que a Divindade e imutável, mas o que e criado e intrínseca e essencialmente mutável.”
      • O banimento de Deus dos Querubins e da Espada Flamejante em frente ao Paraíso é apropriadamente para amigos, “a fim de que em consequência de uma visão e contemplação continuadas um do outro, os dois poderes pudessem conceber uma afeição um pelo outro, o Deus todo-bondoso inspirando-os com um amor alado e celestial”.
  • As Duas Esferas Celestes e o Movimento do Universo como Figura dos Querubins e da Espada Flamejante:
    • Os Querubins e a Espada Flamejante que se volta em todas as direções são a intimação figurativa das revoluções de todo o ceu.
    • As esferas no céu receberam um movimento em direções opostas umas as outras (uma esfera com movimento fixo para a direita, e a esfera do outro lado com movimento errante para a esquerda).
    • Um dos Querubins é o círculo externo do que são chamadas as estrelas fixas (a circunferência extrema e mais externa de todo o céu), que procede em uma revolução periódica fixa de leste para oeste.
      • “as estrelas fixas celebram sua dança verdadeiramente divina, que sempre procede em princípios semelhantes e e sempre a mesma, sem nunca deixar a ordem que o Pai, que as criou, lhes designou no mundo.”
    • O outro Querubim é a esfera interna que contém os sete planetas (cujo curso é ao mesmo tempo compulsório e voluntário), dividida por Deus em sete órbitas.
      • Possui dois movimentos: um involuntário (de leste a oeste diariamente) e um peculiar e voluntário (de oeste para leste), segundo o qual os períodos dos sete planetas receberam sua medida exata de tempo.
      • Deus não confiou as rédeas a nenhum deles, “temendo que algum tipo inharmonioso de gerenciamento pudesse ser o resultado, mas ele os fez todos dependerem de si mesmo, pensando que, por esse arranjo, o caráter de seu movimento seria tornado o mais harmonioso.”
      • “Pois tudo o que existe em combinação com Deus e digno de louvor; mas tudo o que existe sem ele e defeituoso.”
    • A Espada que consiste de chama e que sempre se volta em todas as direções intima o movimento e a agitação eterna de todo o ceu.
  • Os Dois Hemisférios e o Sol como Figura dos Querubins e da Espada Flamejante (Outra Alegoria):
    • Os dois Querubins são símbolos de cada um dos hemisférios.
      • Dizem que “eles ficam face a face, inclinando-se para o propiciatório; visto que os dois hemisférios também estão exatamente opostos um ao outro, e se inclinam em direção a terra que e o centro de todo o universo, pela qual, também, eles são mantidos separados um do outro.”
      • A Terra, a única parte que se mantém firme, foi apropriadamente chamada Vesta pelos antigos, para uma revolução bem organizada dos dois hemisférios em torno de um objeto firmemente fixado no meio.
    • A Espada Flamejante é um símbolo do sol, pois “como ele e uma coleção de um imenso corpo de chama, ele e o mais rapido de todas as coisas existentes, a tal grau que em um dia ele gira em torno do mundo inteiro.”
  • As Duas Potências Supremas e a Razão como Figura dos Querubins e da Espada Flamejante (Inspiração Divina da Alma):
    • A alma do orador, acostumada a ser tomada por uma inspiração divina em assuntos que não conseguia explicar a si mesma, revelou que:
      • Em Deus, uno, vivo e verdadeiro, há duas potencias supremas e primarias: a bondade (pela qual criou todas as coisas) e a autoridade (pela qual governa tudo o que criou).
      • A terceira coisa entre as duas, que as une, é a razão, pois “era devido a razão que Deus era ao mesmo tempo um governante e bom.”
      • Os Querubins são os símbolos da autoridade governante e da bondade, sendo duas potências distintas.
      • A Espada Flamejante é o símbolo da razao, pois é “rapidamente móvel e impetuosa, e especialmente a razao do Criador de todas as coisas e assim, visto que foi antes de tudo e passou por tudo, e foi concebida antes de tudo, e aparece em tudo.”
    • Exortação à mente do orador:
      • A mente deve receber a impressão de cada um destes Querubins, para se tornar instruída sobre a autoridade governante e a bondade do Criador de todas as coisas, e assim receber uma herança feliz.
      • Compreendendo a conjunção e combinação destas potências imperecíveis, a mente aprenderá em que aspectos Deus é bom (com sua majestade decorrente de seu poder soberano sendo sempre conspícua) e em que é poderoso (com sua bondade sendo igualmente objeto de atenção).
      • Assim se atingirá as virtudes geradas por estas concepções: o amor e o temor reverencial a Deus.
        • Não se deve ser elevado à arrogância pela prosperidade, “tendo sempre em vista a grandeza da soberania do teu Rei”.
        • Não se deve desistir “de forma abjeta da esperança de coisas melhores na hora do infortunio inesperado, tendo em vista, então, a misericordia do teu grande e bondoso Deus.”
      • A Espada Flamejante deve ensinar que estas coisas devem ser seguidas por uma razão pronta e de fogo combinada com a ação, que nunca cessa de se mover com rapidez e energia para a seleção de objetos bons e a evitação de todos os que são maus.
  • Abraão e Balaão como Exemplos da Espada/Fogo:
    • O sábio Abraão, ao começar a medir tudo com referência a Deus (e a não deixar nada à criatura), tomou uma imitação da Espada Flamejante, a saber, “fogo e uma Espada”, ansioso por matar e queimar a criatura mortal nascida dele (o intelecto se desembaraçando do corpo).
    • Moisés representa Balaão (símbolo de um povo vão), despojado de suas armas, como um fugitivo e desertor, sabendo da guerra que convém à alma travar pela ciência, dizendo a sua jumenta (símbolo dos desígnios irracionais da vida) que “Se eu tivesse tido uma espada, eu ja te teria matado”.
    • A ingratidão ao Criador por não dar o poder da linguagem à insensatez (o que seria como dar uma espada a um louco).
    • As censuras de Balaão são expressas por todos que não são purificados, falando tolamente e dedicando-se a ocupações para a vida.
      • Enquanto tudo corre bem, o homem monta seu animal alegremente e cavalga contente, sem soltar as rédeas.
      • Se alguém o aconselha a desmontar (e impor limites aos apetites) por sua incapacidade de saber o futuro, ele o censura por inveja.
      • Com o infortúnio inesperado, ele culpa a agricultura, o comércio ou qualquer busca de dinheiro, “que e absolutamente a causa de mal algum”.
    • As Ocupações, embora destituídas de órgãos da fala, proferirão uma linguagem mais clara através das ações, dizendo que não são a causa do mal, e questionando por que são censuradas, já que continuam as mesmas.
    • A razão divina é o timoneiro e governador do universo, a verdadeira causa da participação em bens ou males.
    • A comparação com o mar, que é calmo ou tempestuoso não por sua natureza, mas pela variação dos ventos, demonstra que a natureza fez da razão o mais poderoso coadjuvante do homem.
    • A natureza torna feliz e verdadeiramente racional quem consegue fazer um uso apropriado da razão, mas torna irracional e infeliz quem não tem essa faculdade. ## De Caim e Seu Nascimento
  • O Conhecimento de Adão de Sua Esposa e o Nascimento de Caim e Abel:
    • Moisés não representa homens virtuosos como Abraão, Isaque, Jacó, Moisés (e outros de igual zelo) como conhecendo suas esposas, pois a mulher é entendida simbolicamente como o sentido exterior, e o conhecimento consiste na alienação do sentido exterior e do corpo.
      • “os amantes da sabedoria devem repudiar o sentido exterior em vez de escolhe-lo”.
    • As esposas destes homens são virtudes: Sarah (princesa e guia), Rebeca (perseverança no que e bom), Lia (virtude, desfalecendo e cansada pela longa continuidade do esforço), e Zípora (esposa de Moisés, virtude que sobe da terra ao ceu, chamada pássaro).
  • A Concepção e Parto das Virtudes:
    • A união de um marido mortal com uma mulher mortal é para a geração de filhos, em obediência à natureza.
    • As virtudes, pais de muitas coisas perfeitas, não podem se associar a um marido mortal, mas também não podem conceber sozinhas.
    • O semeador da boa semente é o Pai do universo, o Deus incriado, que é o progenitor de todas as coisas.
    • Deus semeia e “presentemente ele concede sua propria prole, que ele mesmo semeou; pois Deus não cria nada para si mesmo, visto que ele não esta em necessidade de nada, mas ele cria tudo para aquele que e capaz de toma-lo.”
    • Moisés como testemunha:
      • Sarah concebe um filho quando Deus a olha por si mesmo, mas dá à luz o filho a Abraão, que ansiava pela sabedoria.
      • Em Lia, Moisés diz mais claramente que “Deus abriu seu Ventre” (abrir o ventre é a tarefa especial do marido); ela concebeu e deu à luz a Jacó, que labutou pelo que é bom.
        • “neste caso, a virtude recebeu a semente divina da grande Causa de todas as coisas, mas deu a luz sua prole a um de seus amantes, que merecia ser preferido a todos os seus outros Pretendentes.”
      • Rebeca (perseverança) engravida pela agência de Deus quando Isaque, todo sábio, lhe dirige súplicas.
      • Zípora (virtude alada e sublime), esposa de Moisés, concebe sem súplica por nenhum homem mortal.
  • O Mistério Sagrado do Divino e a Prole da Alma:
    • A exortação aos homens iniciados e purificados nos ouvidos é para “receberem estas coisas, como mistérios que são realmente sagrados, em suas almas mais intimas”, guardando-as como um tesouro.
    • O tesouro é “o conhecimento, a saber, da grande primeira Causa, e da virtude, e em terceiro lugar, da geração de ambos.”
    • O orador, iniciado nos grandes mistérios por Moisés (amigo de Deus), aprendeu com o profeta Jeremias, que era também hierofante (expositor dos mistérios).
      • Jeremias, “muito sob a influencia da inspiração”, proferiu um oráculo no caráter de Deus à virtude mais pacífica: “Nao me tens tu chamado como tua casa, e teu pai, e o marido de tua Virgindade?”
        • Esta expressão manifesta que Deus é a casa (morada incorpórea de ideias incorpóreas), o Pai de todas as coisas (por tê-las criado), e o marido da sabedoria, semeando a semente da felicidade na boa e virgem terra para a raça humana.
    • Deus conversa com a natureza não poluída e intocada (verdadeira e realmente virgem) de maneira diferente daquela pela qual os homens conversam para procriação.
      • “Pois a associação de homens, com vista a procriação de filhos, faz de virgens mulheres.”
      • “Mas quando Deus começa a se associar com a alma, ele faz o que era previamente mulher agora novamente virgem.”
      • Deus não conversará com Sarah antes que “todos os habitos, tais como outras mulheres tem, a tenham deixado”, e até que ela tenha retornado à classe das virgens puras.
    • A alma virgem pode ser poluída por paixões intemperantes.
      • O oráculo sagrado chama Deus de marido, não de uma virgem (sujeita à mudança e à mortalidade), mas de virgindade (de uma ideia que sempre existe nos mesmos princípios).
      • As potências arquetípicas (criadoras das coisas particulares) receberam uma herança imperecível.
      • O Deus incriado e imutável deve semear as ideias de virtudes imortais e virgens em uma mulher transformada em aparência de virgindade.
    • A alma é exortada a não abraçar o sentido exterior (que a efemina e polui), mas a habitar como virgem na casa de Deus e a apegar-se à sabedoria.
      • Caso contrário, a alma “dará a luz uma prole totalmente poluída e totalmente destrutiva, o fratricida e amaldiçoado Caim, uma possessão que não deve ser procurada; pois o nome Caim sendo interpretado significa possessão.”
  • O Estilo Narrativo de Moisés e a Importância da Nomenclatura:
    • O espanto do orador com o modo de narração do legislador judeu, que parte do estilo usual ao relatar o nascimento de Caim, o primogênito dos pais humanos, “a respeito de quem ele nao diz absolutamente nada, como se ele ja tivesse mencionado seu nome frequentemente, e não o estivesse agora trazendo a tona pela primeira vez.”
      • A simples menção de que “ela trouxe a luz Caim” sem descrevê-lo, em contraste com o nascimento posterior de Sete: “E Adão conheceu Eva sua mulher, e ela concebeu e trouxe a luz um filho, e ela chamou seu nome Sete”.
    • A causa provável da omissão:
      • Os nomes que Moisés atribui às coisas são as energias mais conspícuas das proprias coisas, de modo que a coisa “e ao mesmo tempo de necessidade seu nome, e não e em nada diferente do nome que lhe e imposto.”
      • A mente (Adão) ao se encontrar com o sentido exterior (Eva) concebe um desejo de conexão e o busca como se estivesse em uma rede.
      • A mente concebe através dos sentidos (cor, som, cheiros, sabores, substância) e fica grávida.
      • O parto é o maior de todos os males da alma, a vã opinião, pois a mente concebe a opinião de que “tudo o que ela viu, que ela ouviu, que ela provou, que ela cheirou, ou que ela tocou, pertence a si mesma, e se considera a inventora e criadora de todos eles.”
    • O estado anterior da mente sem sentido exterior (sendo cega e destituída de poder) e a criação de Eva (o sentido exterior) por Deus para completar a alma:
      • A mente, antes, “não tocava em corpo algum, visto que não tinha órgão em si mesma pelo qual agarrar objetos externos, mas era cega, e desprovida de poder”, sendo a metade de uma alma perfeita.
      • Deus, querendo dar à mente a faculdade de compreender corpos, “preencheu a alma inteira, anexando uma segunda porção aquela que ele ja havia criado, a qual ele chamou apelativamente mulher, e por um nome especial Eva, intimando o sentido exterior por uma expressão metafórica.”
      • Eva, ao nascer, “derrama luz abundante em uma inundação para dentro da mente” e dissipa a névoa, permitindo que a mente discirna as naturezas dos corpos.
      • A mente, irradiada com luz, contempla as coisas criadas e, sentindo atração por algumas e aversão por outras, concebe o orgulho irracional de pensar que “tudo no mundo era sua propria propriedade, e que nada pertencia a qualquer outra pessoa.”
    • A Disposição (Caim) e a Impiedade na Mente:
      • Esta é a disposição que Moisés caracterizou ao dar a Caim seu nome (possessão), pois Caim estava cheio de insensatez ou impiedade, por conceber que toda posse pertencia a ele, e não a Deus.
      • Caim não é capaz de possuir-se firmemente, nem sabe de que essência consiste, mas confia nos sentidos exteriores, ignorando que os erros são inevitáveis para todos.
  • O Erro de Labão em Atribuir Posse e a Corrigenda da Razão:
    • Labão, que confiava em suas qualidades distintivas, foi ridicularizado por Jacó (contemplador da natureza livre de tais qualidades) ao ousar dizer: “Minhas filhas, e meus filhos, e meu gado, e tudo o que vês, pertencem a mim e as minhas Filhas”.
    • O acréscimo da palavra “meu” a cada artigo é o gabar-se de si mesmo.
    • As Filhas (artes e ciências da alma) são recebidas da mente que as ensinou e são perdíveis (por esquecimento, doença, velhice).
    • Os Filhos (raciocínios em porções da alma) não são possessão do homem, pois os pensamentos melancólicos, a loucura, os delírios, a falta de estabilidade e o esquecimento mostram que eles são posse de outrem.
    • O Gado (sentidos exteriores, irracionais e bestiais como o gado): o homem se engana constantemente em seus sentidos, e mesmo assim se gaba.
    • A Mudança de Atitude e o Reconhecimento da Posse de Deus:
      • A mudança correta de atitude é afirmar que “tudo era propriedade de Deus, nao de si mesmo, todas as concepções, todo conhecimento, toda arte, toda especulação, todos os raciocínios particulares, todos os sentidos exteriores, e todas as energias da alma”.
      • Se o homem se deixar sem instrutor e sem ensino, ele será um escravo para sempre de senhoras severas (vãs opiniões, apetites, prazeres, atos de injustiça, insensatez, concepções errôneas).
  • A Escravidão Voluntária do Servo e a Recusa da Liberdade da Alma:
    • Moisés diz que “se o servo responder e disser, estou contente com meu senhor, e com minha mulher, e com meus filhos, nao partirei e serei livre”, ele será trazido perante o tribunal de Deus e terá seu pedido, “tendo primeiro tido sua orelha furada”, para que não ouça as palavras de Deus sobre a liberdade da alma.
    • É um sinal de uma mente rejeitada e de faculdades de raciocínio deficientes gabar-se de estar contente com o senhor (a mente), de pensar que os sentidos exteriores são sua propriedade (e o maior dos bens), e também sua prole.
      • A prole da mente é compreender, raciocinar, discriminar, querer, conjeturar.
      • A prole do sentido exterior é ver, ouvir, provar, cheirar, tocar, em suma, sentir.
    • Quem está em servidão a estes dois mestres nunca pode ter sequer um sonho de liberdade; “pois e somente por uma fuga e completo escape deles que chegamos a um estado de liberdade do medo.”
  • O Inimigo da Razão e a Apropriação dos Atributos Divinos:
    • O outro homem, que exibe insanidade e diz: “Eu perseguirei e tomarei cativo; eu dividirei o despojo; eu satisfarei minha alma, e eu matarei com minha espada; minha mao direita obterá o Dominio”.
    • O orador adverte que “todo aquele que pensa ser ao seu nascimento nascido para ser um perseguidor, e perseguido” (por doenças, velhice, morte, calamidades).
    • Aquele que pensa tomar cativo é tomado cativo e subjugado.
    • Ele é derrotado e sujeito aos inimigos, recebendo vazio em vez de abundância, e escravidão para sua alma em vez de domínio.
    • “Quem, então, poderia ser um inimigo mais determinado da alma do que aquele que por arrogancia apropria os atributos especiais da Deidade a si mesmo?”
    • É um atributo especial de Deus criar, e é impio atribuir essa faculdade a qualquer ser criado.
    • A propriedade especial do ser criado é sofrer; e aquele que considera isso inerente ao homem “suportara facilmente tudo o que lhe acontecer”.
    • Quem não considera isso sofrerá a punição de Sísifo, sendo oprimido por calamidades, “encontrando-as todas com submissão e não resistência, as paixões de uma alma degenerada e não-varonil.”
    • A atitude correta é suportar com paciência, mas ainda assim resistindo e lutando contra a calamidade, fortalecendo a mente com paciência e fortaleza (as virtudes mais poderosas).
    • A analogia do boxeador (que coopera e luta, misturando as naturezas do sujeito e do agente) versus o servo ou o metal (que apenas sofre).
      • Deve-se admitir o sentimento que sofre em troca (o que é inevitável para o mortal), para não ser fraco e efeminado, mas sim vigoroso nos nervos e no tom da mente, para suportar as calamidades com facilidade.
    • Visto que nenhum mortal é positivamente e seguramente o mestre de coisa alguma, o governante e senhor do universo deve ser o único e verdadeiro Deus, a quem convinha dizer: “Todas as coisas pertencem a ele”.
  • O Festim de Deus (Descanso e Felicidade) e o Erro dos Festins Humanos:
    • Deus fala de forma magnificamente apropriada: “Todas as coisas são minhas”, significando “presentes, e oferendas, e frutos de labuta, que, vigiando cuidadosamente, ele trará a mim nos dias de minhas Festividades.”
    • De todas as coisas existentes, algumas são dignas de graça moderada (oferenda), e outras de graça mais elevada (dom gratuito), e elas “são capazes, não apenas de dar a luz virtudes como seu fruto, mas que bom fruto e comestível realmente permeia a totalidade delas”.
    • Quem aprende isso trará a Deus uma oferenda impecável: a fé, “nos festivais, que não são festas de coisas mortais.”
    • Deus sozinho mantém o festival na realidade, pois só Ele se alegra, se deleita e sente bom humor.
      • Sua existência é de paz perfeita e sem guerra, livre de dor, livre de medo, sem participação em males, sem tristeza, sem fadiga, cheio de felicidade pura e perfeição.
      • Ele é a perfeição, e completude, e limite da felicidade, dando a cada coisa “uma porção do que lhe e adequado, da fonte do bem, a saber, de si mesmo”.
    • Moisés chama o sábado (interpretado como descanso) de “o sabado de Deus”, tocando em princípios necessários da filosofia natural, pois a única coisa que realmente descansa entre as coisas existentes é Deus.
      • O descanso não significa inação (pois o que é a causa de todas as coisas não pode desistir de fazer o que é excelente), mas sim uma energia completamente livre de labuta, sem sofrimento e com a mais perfeita facilidade.
      • O sol, a lua, o céu e o mundo todo labutam por não serem dotados de poder independente, estando em movimento e agitação contínuos, e a prova de sua labuta são as estações anuais e as variações do ar.
      • Como o que é mudado é mudado em consequência de fadiga, e Deus não está sujeito a variação ou mudança, Ele é naturalmente livre de fadiga e goza de descanso para sempre.
    • As Festividades e Sábados pertencem à grande Causa de todas as coisas e a absolutamente nenhum homem.
    • Os festivais humanos entre nações bárbaras e gregas (e os mais importantes entre os homens em geral) são caracterizados por:
      • Segurança, relaxamento, trégua, embriaguez, bebedeira profunda, folia, luxo, diversão, música nas portas, banquetes noturnos, prazeres indecorosos, casamentos diurnos, atos violentos de insolência, práticas de intemperança, indulgência da insensatez, perseguição de coisas vergonhosas, destruição total e renuncia ao que e bom.
      • Há um virar de cabeça para baixo das leis da natureza, onde a virtude é ridicularizada e o vício é agarrado como algo vantajoso.
      • A música, a filosofia e toda a educação são reduzidas ao silêncio, e são permitidas apenas as práticas que são alcoviteiras do prazer para o ventre e as partes adjacentes.
    • A profanação dos templos nos festivais:
      • Realização de sacrifícios profanos, oferecimento de vítimas que não deveriam ser sacrificadas, orações que nunca deveriam ser realizadas, celebração de mistérios impios e ritos profanos, exibindo uma piedade bastarda, uma santidade adulterada, uma pureza impura, uma verdade falsificada, um serviço a Deus devasso.
      • A lavagem dos corpos sem o desejo de lavar as paixões das almas, que poluem a vida.
      • A ousadia de realizar sacrifícios com a alma ferida, mutilada e privada das virtudes (prudência, coragem, justiça, piedade) por vontade própria, pensando que o olho de Deus vê apenas objetos externos.
    • A Visão de Deus e a Morada Digna:
      • O olho do Deus vivo não precisa de outra luz, sendo Ele mesmo luz arquetípica, e os raios que emite são apenas inteligíveis para o intelecto.
      • Deus entra invisivelmente na região da alma, e esta deve ser preparada para ser uma morada digna de Deus, pois, se não, Ele migrará para uma habitação mais excelente.
      • A alma piedosa é a morada adequada de Deus, o Rei dos reis.
      • A morada deve ter como fundamentos a boa disposição e o conhecimento, e sobre eles, as virtudes e as boas ações devem ser construídas.
      • Os ornamentos da frente são a devida compreensão dos ramos enciclopédicos de instrução elementar (gramática, geometria, música, retórica).
  • O Domínio de Deus sobre a Criação e a Condição de Estrangeiros e Forasteiros do Homem:
    • A morada da alma prepara a raça humana para o retorno das potências de Deus, que trazem leis e laços do ceu para santificar.
    • As potências de Deus se tornam associadas das almas que amam a virtude e semeiam nelas o gênero da felicidade (como deram Isaque a Abraão).
    • O intelecto purificado se regozija em confessar que tem por mestre Aquele que é o Senhor de todos, pois servir a Deus e o maior gabar-se.
    • A autoridade suprema do Deus vivo é testemunhada pela escritura sagrada: “E a terra não sera vendida para sempre; porque toda a terra e minha, visto que vos sois todos estranhos e forasteiros a minha Vista”.
    • A escritura mostra manifestamente que todas as coisas pertencem a Deus por posse, e às coisas criadas apenas pelo uso.
    • A utilização de todas as coisas criadas é permitida a todos os homens, e Deus não fez nenhuma das coisas imperfeitas para que não precisasse de nada, mas para que se unissem em uma combinação e sinfonia.
      • O universo (do qual todas estas são partes) é “claramente uma obra completa, digna de seu Criador.”
    • Deus apropriou o domínio sobre tudo, mas permitiu o uso e gozo a Seus sujeitos.
    • O homem tem o uso de suas próprias faculdades e de tudo que o afeta, mas nada lhe pertence.
      • O questionamento sobre a origem e destino do corpo (que se desfaz nas idades), da alma (que governa e pode abandonar), e sobre as faculdades da mente (razão, voz, sentidos) revela que “temos o uso de possessões que na realidade pertencem a outros”.
    • A consolação reside em considerar que o mundo e todas as coisas nele são obras e propriedade d'Aquele que os criou.
      • O verdadeiro possuidor dá Sua obra a outros porque não precisa dela; quem a usa não tem propriedade nela.
    • Todos os mortais são vistos por Deus como estranhos e forasteiros, pois “cada um de nos veio a este mundo como a uma nova cidade, na qual ele não tinha parte antes de seu nascimento, e tendo entrado nela ele habita aqui, ate que ele tenha completado o periodo de vida que lhe foi designado.”
    • A doutrina de sabedoria é que o Senhor Deus é o unico cidadão real, e todo ser criado é apenas um estranho e um forasteiro.
    • Os homens sábios têm o posto de estranhos e forasteiros (em comparação com Deus, o único verdadeiro cidadão), mas os insensatos são totalmente exilados da cidade de Deus.
  • A Reprovação da Mente que Atribui a Deus o Papel de Instrumento:
    • Confessando que todas as coisas são possessões de Deus, deve-se reprovar a mente que fantasiou que o que se originou em um encontro com o sentido exterior era sua própria propriedade, e que o chamou de Caim, dizendo: “Eu obtive um homem por meio de Deus”, errando muito nisso.
    • O erro: Deus foi a causa, não o instrumento.
    • A coisa nascida foi criada “através da agencia de algum instrumento, mas foi por todos os meios chamada a existência pela grande primeira causa.”
    • As coisas que devem cooperar na origem de algo: por quem (a causa), de que (o material), por meio de que (o instrumento), e por que (o objeto).
    • Exemplo da casa/cidade:
      • Causa: o construtor (por quem).
      • Material: pedras e madeira (de que).
      • Instrumento: as ferramentas (por meio de que).
      • Objeto: servir como abrigo e proteção (por que).
    • Exemplo do Mundo (a maior casa/cidade):
      • Causa: Deus (por quem).
      • Materiais: os quatro elementos (de que).
      • Instrumento: a palavra de Deus (por meio de que).
      • Objeto: a exibição da bondade do Criador (por que).
    • Aqueles que dizem ter obtido algo “por meio de Deus” concebem que a causa (o Criador) é o instrumento, e o instrumento (a mente humana) é a causa.
    • A razão correta repreenderia José por dizer que a interpretação dos sonhos seria encontrada “por meio de Deus”, pois ele deveria ter dito que o desdobramento e a compreensão exata se dariam devido a Ele, como a causa.
    • O Criador é “aquele que da o golpe que põe em movimento” as faculdades do corpo e da alma, por quem todas as coisas são movidas.
    • Moisés ensina que a salvação é efetuada, não por meio de Deus, mas por Ele como a causa direta, dizendo aos que temem ser destruídos: “Ficai parados, e vede a salvação que é do Senhor, e que ele fará por Vos”.
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